Os enfermeiros dos hospitais particulares de Curitiba entraram em greve desde às 10h desta quinta-feira (29), quando iniciaram a mobilização na Praça Rui Barbosa, no Centro. A paralisação, por tempo indeterminado, é pelo pagamento do piso salarial – aprovado e sancionado por meio da lei 14.434, de 2022 – e por funções que estariam sendo descaracterizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), conforme a categoria.

Enfermeiros protestam no Centro de Curitiba, entre a Praça Rui Barbosa e a Santa Casa.
Foto: Colaboração/Banda B.

A greve geral iniciada nesta quinta, foi aprovada em assembleia, realizada pelo Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Curitiba e Região (Sindesc), com mais de 80% dos votos válidos.

A categoria começou a se reunir às 7h, com concentração nos hospitais particulares da capital iniciaram (veja lista abaixo). A direção do Sidesc garante que a legislação é cumprida, com a manutenção de 30% dos enfermeiros em seus postos de trabalho, para atendimento à população.

Confira a lista de hospitais particulares:

. Hospital Evangélico Mackenzie

· Hospital Santa Casa de Curitiba

· Hospital Nossa Senhora das Graças

· Hospital Pequeno Príncipe

· Hospital Cajuru e Marcelino Champagnat

· Hospital das Nações

· Hospital do Rocio (Campo Largo)

· Hospital Angelina Caron (Campina Grande do Sul)

· Hospital São Vicente

· Hospital Santa Cruz

· Hospital Cruz Vermelha

Mobilização

O enfermeiro Fabio Dornelles é um dos manifestantes presentes na Praça Rui Barbosa. Ele afirmou para a Banda B que, além do pagamento, a categoria reclama de uma descaracterização da lei 14.434/2022.

“O STF, de forma arbitrária e usurpando as suas funções, está descaracterizando a lei. Ela não tem nada que atrele o piso a 44h semanais à remuneração, mas como base, piso, vencimento. É um absurdo isso que estão fazendo. Isso é um desmonte para a saúde. Se entrar como remuneração, perdemos toda a gratificação. E a lei não prevê isso. A lei prevê apenas o piso salarial. Ele é um direito, é lei, foi aprovado, sancionado”,

afirma Fabio.

Dornelles diz ainda que a manifestação tem por objetivo não somente a melhoria das condições trabalhistas para a enfermagem, mas para a popoulação, como um todo. “A enfermagem não está contra a população, somente reivindicando os direitos, para que tenha, inclusive, um melhor atendimento à população. A enfermagem valorizada, ela não vai precisar sobrecarregar tanto.”

Paralisação municipal

Os enfermeiros municipais não participam da greve iniciada nesta quinta, mas não descartam uma paralisação, caso não haja uma negociação. Conforme a presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Enfermagem de Curitiba (Sismec), Raquel Padilha, os trabalhadores do município não aderiram ainda por conta do estatuto.

“Nosso estatuto solicita que a gente chame uma assembleia com sete dias de antecedência e foi tudo muito em cima. A gente esperava que esse piso estivesse implantado essa semana, nesse contracheque. As decisões não vieram como a gente esperava e a única alternativa que sobrou para a categoria da enfermagem foi a greve”,

presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Enfermagem de Curitiba (Sismec), Raquel Padilha.

Segundo ela, os profissionais dos particulares têm um “estatuto mais maleável” em relação à antecedência de assembelia. “São menos dias. Eles já aderiram e começaram a greve hoje. Nossa assembleia será daqui sete dias”, diz.

A presidente do sindicato afirma que se não houver negociação na próxima semana, haverá a paralisação. “A prefeitura já poderia ter tomado suas decisões e implantado o piso. Não cabe somente à Uniao. Várias prefeituras do Paraná já estão pagando, mesmo faltando as decisões do STF, mas Curitiba se recusou.”

Raquel reclama sobre a decisão judicial desta quarta-feira (28), que, segundo ela, determinou um quantitativo de 95% nas UTIs, emergências, Samu, e 70% nos outros setores. “A categoria esperava que o juiz tivesse dado a quantitativa um pouco melhor, mas a greve vai seguir cumprindo essas determinações do juiz por tempo indeterminado. E o Sismec, na sequência, daqui sede dias, terá a assembleia. E se não tiver resolvido as questõe em negociação, tanto no STF, como em Curitiba”, afirma.

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