Sentado no calçadão da Rua XV de Novembro, o aposentado Celso observa o movimento com calma. Entre um café e outro, ele revive lembranças de uma Curitiba que mudou muito ao longo das décadas. “Eu vi tudo isso aqui evoluir. Já teve carro, já teve cinema, e hoje é essa rua que é pra gente caminhar, sentar, aproveitar. É uma cidade boa de viver”, conta.

A cena é simples, mas resume bem o espírito de Curitiba, que chega aos 333 anos com uma mistura de memória afetiva e olhar no futuro. Em meio às comemorações espalhadas por toda a cidade, o que se vê é uma capital que valoriza sua história, mas que não para de se transformar.
Uma cidade feita de lembranças e decisões que mudaram tudo
Quem vive Curitiba há mais tempo carrega histórias que ajudam a entender o presente. A própria Rua XV, hoje um dos símbolos da cidade, já foi aberta para carros. A transformação em calçadão foi uma mudança ousada para a época, mas que virou referência no mundo todo. “Foi uma coisa que ninguém imaginava. Hoje é a nossa sala de estar”, reforça a presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippuc) de Curitiba, Ana Cristina Wollmann Zornig Jayme.
Do papel para a vida real
Mas como nasce uma cidade assim? Boa parte das respostas está no trabalho do Ippuc, onde surgem projetos que depois viram obras espalhadas pelos bairros.
É ali que o planejamento ganha forma e se transforma em ações concretas, que podem ser, muitas vezes, invisíveis no dia a dia, mas fundamentais para o funcionamento da cidade.
Um exemplo são as obras de macrodrenagem, como as bacias de contenção nos rios Atuba e Mossunguê, que ajudam a evitar alagamentos e protegem bairros inteiros em dias de chuva forte.
Obras que mudam a rotina
A transformação também aparece no cotidiano. Só neste ano, Curitiba recebeu cerca de 100 quilômetros de novo asfalto, melhorando a mobilidade em diferentes regiões.
Na área de transporte, os investimentos seguem o caminho da inovação. Projetos como o novo BRT Leste-Oeste e a modernização da linha Inter 2 prometem trajetos mais rápidos e eficientes, além da ampliação do uso de ônibus elétricos.
A ideia é simples: usar tecnologia para reduzir o tempo dentro do ônibus e melhorar a qualidade de vida de quem depende do transporte público.
Quando a transformação muda vidas
Algumas obras vão além da infraestrutura e impactam diretamente a vida das pessoas. É o caso do projeto do Bairro Novo da Caximba, que transforma uma área antes marcada por risco e vulnerabilidade em um espaço com moradia digna, integração com a natureza e mais segurança.
Considerado o primeiro grande projeto de gestão de risco climático do Brasil, o bairro é exemplo de como o planejamento urbano pode ser também uma ferramenta social.
Uma cidade que olha para frente sem esquecer suas raízes
Para quem acompanha tudo isso de perto, o sentimento é de orgulho e reconhecimento. “Hoje eu estou emocionado de ver que fizeram uma coisa que nunca vi em Curitiba fazer. Colocaram a estátua da Gilda, colocaram a estátua do Jaime Lerner. Foi o homem que construiu essa cidade de Curitiba. Eu consigo ver as bases da cidade, elas são muito boas, graças ao trabalho do Jaime Lerner”, lembrou um morador da cidade.
A Curitiba de Jaime Lerner se reinventa, se transforma, sempre olhando para frente. O que antes era projeto, hoje é canteiro de obras. São intervenções pensadas lá atrás e que agora começam a transformar a paisagem urbana, tirando do papel o compromisso com a inovação. “Eu amo Curitiba. Quero que continue avançando, mas sem perder o que tem de bom”, diz um morador.
Entre memórias de infância, histórias de trabalho e novos projetos surgindo, Curitiba mostra que sua maior força está justamente nesse equilíbrio: preservar o que deu certo e inovar para o que ainda está por vir.