Nem o friozinho da tarde, nem os problemas que cada um carrega nos ombros, impediram que 135 mil pessoas se reunissem, nesta quinta-feira (19), no Centro de Curitiba, para viver uma das celebrações mais marcantes da fé católica: o Corpus Christi.

Com 10 horas de programação – e os tradicionais tapetes montados logo cedo -, a cidade se transformou em um grande templo a céu aberto, onde ruas viraram altares e cada passo da procissão foi dado com esperança — mesmo entre dores e fragilidades.

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Foto: Kainan Lucas/Banda B.

O arcebispo de Curitiba, Dom José Antônio Peruzzo, emocionou a multidão ao lembrar que todos que estavam ali caminhavam não como santos perfeitos, mas como gente real, com lutas, feridas e fé.

“Seguiam com suas pobrezas, carências, também com suas contradições e suas insuficiências e deficiências. Mas para crer não precisamos ser pessoas aperfeiçoadas ou perfeitas. Precisamos pedir que o Senhor venha e socorra às nossas fraquezas”.

disse Dom Peruzzo.

A celebração deste ano teve como tema “Jesus Eucarístico, Nossa Esperança”, inspirado nos Evangelhos. Para Dom Peruzzo, a procissão remete diretamente às passagens bíblicas em que Jesus era seguido por multidões, assim como se viu em Curitiba nesta quinta-feira.

“135 mil pessoas aqui a celebrar a mesma fé, percorrer o mesmo caminho processional, tudo muito semelhante, de maneira atualizada, ao que encontramos nos evangelhos que Jesus caminhava e as multidões o seguiam”

comentou o arcebispo de Curitiba.
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Foto: Kainan Lucas/Banda B.

Ao longo do trajeto — da Praça Tiradentes à Praça Nossa Senhora de Salette — era possível ver olhos marejados, mãos erguidas, e famílias inteiras unidas em oração. Uma multidão que, como destacou o arcebispo, carrega desafios ocultos, mas exala alegria.

“É uma multidão de pessoas fragilizadas cuja força é a fé que trazem consigo. Levanta a autoestima dos católicos. As pessoas participam com alegria. Ninguém está aqui com fisionomia abatida. Quantos problemas subjacentes à história de cada um desses participantes? Mas aí estão a celebrar com alegria”

concluiu Dom Peruzzo.
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Foto: Kainan Lucas/Banda B.

Uma tradição que atravessa os séculos

O Corpus Christi é uma das celebrações mais tradicionais do catolicismo, criada oficialmente em 1264 pelo Papa Urbano IV. Como explica a teóloga Ana Beatriz, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), a data não celebra um fato histórico, mas sim um dogma central da fé católica: a presença real de Jesus na Eucaristia, no pão e no vinho consagrados.

Ao levar o Santíssimo Sacramento pelas ruas, os católicos reafirmam que a fé não está confinada aos templos, mas pulsa na vida comum — nas calçadas, nas esquinas, nas dificuldades cotidianas.

No Brasil, a festa chegou no século XVI com os portugueses e ganhou vida própria, misturando arte, fé e cultura popular. Um dos símbolos mais marcantes é a confecção dos tapetes coloridos de serragem, sal e flores, tradição preservada com carinho em Curitiba e em várias cidades do país.

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Foto: Kainan Lucas/Banda B.

Fé e resistência

A programação do dia seguiu com missa às 15h, procissão às 16h15, bênção final às 17h40 e show com o padre Reginaldo Manzotti às 18h, encerrando com música e espiritualidade uma jornada de fé que, para muitos, é também uma forma de cura.

Num mundo acelerado e cheio de ruídos, o Corpus Christi de Curitiba lembrou que, mesmo com os bolsos vazios, com a alma cansada ou o coração machucado, é possível caminhar com esperança. Porque, como disse Dom Peruzzo, “celebrar a fé não exige perfeição — exige entrega”.

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