O Cosmos Gastrobar anunciou nesta terça-feira (26) que passará a exigir o comprovante de vacinação contra Covid-19 aos clientes que quiserem frequentar o estabelecimento, em Curitiba. A medida foi anunciada pela organização através da redes sociais e teve apoio da maioria dos internautas que interagiram com a publicação.
Localizado na Alameda Presidente Taunay, no bairro Batel, o bar destacou que só permitirá a entrada de clientes com o esquema vacinal completo, ou seja, imunizado com a primeira e segunda dose ou dose única.
“A partir de hoje temos um lema: Fora Bolsonaro, dentro só vacinado”, divulgou o comércio em seu perfil do Instagram.

No entanto, o Cosmos Gastrobar explica que quem não tomou a segunda dose da vacina devido à espera pela chegada da data prevista pode frequentar o estabelecimento.
“Nos ajude a cuidar de você: deixe o comprovante nas mãos antes de vir. Isso agiliza a sua entrada e o nosso atendimento. Sem o comprovante, nós reservamos o direito de não pedir sua entrada”, continua o post.
Documento
Em entrevista à Banda B, a proprietária do estabelecimento, Jana Santos, afirma que o local irá aceitar variadas formas de comprovar a vacinação.
“Como o passaporte da vacina não foi aprovado na cidade, a gente não tem um documento oficial que as pessoas podem usar para fazer a comprovação. Por isso, acabamos exigindo a comprovação que a pessoa recebe na hora da aplicação da vacina, pode ser o canhoto ou o próprio aplicativo da Secretaria da Saúde, qualquer forma de comprovação é válida pra gente”, explicou Santos.
Sobre o motivo da exigência, a empresária diz que acredita ser esta a única forma de um retorno seguro à normalidade.
“Essa é uma forma também de garantir que dentro do nosso espaço a gente não tenha nenhuma pessoa que por qualquer motivo alheio à ciência, alheio à empatia com os outros, alheio com as 600 mil mortes que aconteceram, decidiu não tomar a vacina. Então evitamos que esse tipo de pessoa frequente nosso espaço e a gente se sente mais seguro assim”, concluiu.
Outros estabelecimentos da capital também já estariam aderindo à exigência de comprovação da vacina.
Passaporte vacinal
Há cerca de dez dias, o secretário de Saúde do Paraná, Beto Preto, afirmou em entrevista à CBN Cidade 1ª Edição que o Estado estuda adotar o passaporte de vacina contra Covid. Apesar disso, ele reconheceu que a medida deveria partir do governo federal.
“Nós temos trabalhado com isso e, por enquanto, a nossa equipe está estudando esse assunto, porque ao longo de um ano e meio, eu tenho insistido na conscientização. […] Esperávamos que isso fosse uma medida proposta a partir do próprio Plano Nacional de Imunização”, disse.
A Fiocruz também emitiu um parecer recomendando a adoção do passaporte da vacina para todo o território brasileiro no início deste mês. O documento que comprova a vacinação contra a doença para ter acesso a locais fechado ou com números elevados de pessoas já é exigido em cerca de 250 cidades brasileiras, segundo uma pesquisa feita pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), no final de setembro.
A adesão maior à resolução se concentra nos estados que integram a região Norte do país: 20,7% dos municípios recorreram à obrigação da apresentação do comprovante.
“Esta estratégia é central na tentativa de controle de circulação de pessoas não vacinadas em espaços fechados e com maior concentração de pessoas, para reduzir a transmissão da Covid-19 principalmente entre indivíduos que não possuem sintomas”, diz o boletim do Observatório Fiocruz Covid-19.
No mesmo dia em que a Fiocruz publicou a recomendação, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que o Brasil não terá o “passaporte da vacina’ e disse que a medida é “discriminatória”.
Assembleia Legislativa do Paraná
O projeto de lei 180/2021, que propunha a criação do “passaporte da vacina” no Paraná foi arquivado por decisão do presidente da Assembleia Legislativa (Alep), deputado Ademar Traiano (PSDB), no final de setembro deste ano.
A justificativa para o arquivamento do PL partiu do entendimento dos deputados sobre a inconstitucionalidade na proposta, uma vez que a implantação da medida é de responsabilidade Secretaria de Estado da Saúde e do Poder Executivo.
Câmara Municipal de Curitiba
Já no início de setembro, vereadores da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Municipal de Curitiba decidiram, por 7 votos a 2, arquivar o projeto de lei que criaria o certificado de imunização contra a Covid-19 em Curitiba.
Assim como deliberaram os deputados em sessão da Alep, a vereadora Indiara Barbosa (Novo) também avaliou a implantação da medida como inconstitucional.
Vacinados em Curitiba
Curitiba chegou a marca de 1.515.358 de pessoas vacinadas contra a Covid-19 com a primeira dose ou a dose única (Janssen), segundo o último balanço divulgado pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS), nesta terça-feira (26).
De acordo com a SMS, 77,7% dos curitibanos já receberam ao menos uma dose do imunizante e 65,9% da população da cidade está totalmente imunizada contra a doença. Em relação às pessoas com 18 anos ou mais, 1.404.321 pertencentes a esse grupo já receberam a primeira dose da vacina contra o novo coronavírus, enquanto 1.283.666 já completaram o esquema vacinal.
Curitiba também aplica doses de reforço e vacina adolescentes com idade entre 12 e 17 anos. Até agora, 72.818 adolescentes dessa faixa etária já receberam ao menos uma dose. O número de pessoas com idade entre 12 e 17 anos com a segunda dose é de 139.
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