Ao comprar um carro, você recebe a notícia de que o emplacamento vai ficar no valor de R$ 1,6 mil pela concessionária e o quase cai da cadeira. Na hora, vem à mente a possibilidade de fazer o emplacamento direto com o Detran-PR, mas ei que uma surpresa acontece: “Infelizmente, a loja não libera o emplacamento por fora. O que eu posso ver é com o supervisor para ele fazer o preço de custo, que é de R$ 750″, explica o funcionário*, em áudio enviado via WhatsApp ao consumidor. *A empresa em questão não será citada, já que o intuito da matéria é orientar o consumidor.

(Foto: EBC)

 

Opa, mas pera aí, quer dizer que eu, obrigatoriamente, tenho que fazer o emplacamento com a concessionária? Não é bem assim não, viu. A advogada Claudia do Silvano, do Procon, órgão de defesa do consumidor, comenta que a informação do funcionário não prodece. “Isso são serviços adicionais e que são uma escolha do consumidor, não precisa ser obrigatório pela concessionária”, destacou.

Pois é, mas o consumidor da reportagem se atentou ao direito e veio outra resposta do funcionário da concessionária, que não será exposto. “Não esquenta a cabeça que vai dar tudo certo. Vai ser pelo preço de custo. Vou deixar tudo certo com o despachante”, disse, sem orientar o consumidor que ele poderia sim fazer o pedido sozinho.

Custo

Ainda assim, o valor de custo de R$ 750 tem uma taxa administrativa do despachante, que é por uma questão da comodidade ao cliente e deslocamentos. Se a pessoa faz tudo diretamente no Detran, gasta R$ 288, que passa a R$ 343 no caso de financiamento do veículo novo. Após isso, para a colocação da placa, em fábricas na frente do Detran, o custo é em média de R$ 140. Com isso, o gasto final vai ficar na faixa de R$ 483. O agendamento para o primeiro emplacamento pode ser feito pelo site do Detran. Lembrando que só é permitido trafegar com carro sem placas por 15 dias.

Abusivo?

Segundo a coordenadora do Procon, o valor proposto pela concessionária não pode ser considerado abusivo, já que o serviço é oferecido por uma comodidade ao consumidor. “É a comidade de alguém fazer por ele, porque por uma razão qualquer o consumidor não quer ir lá. Então, você pede para a concessionária, que define um valor. O que a pessoa pode reclamar é da obrigatoriedade de se fazer pela concessionária, porque o valor é livre”, disse.

No caso de um valor muito alto, de acordo com Silvano, cabe ao consumidor pedir desconto e pesquisar em outras lojas. “Tem que fazer as contas. O consumidor precisa avaliar nas concessionárias e ver quais são os gastos. Avaliar e, a partir daí, escolher a melhor”, orientou.

O telefone do Procon para orientação é o 0800 41 1512.

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