A advogada que representa a família de Franciele Cordeiro e Silva, Nicolly Dal’Apria, afirmou nesta quinta-feira (15) que a falta de cautela da Polícia Militar (PM) em entregar a arma para Dyegho Henrique Almeida da Silva custou a vida da jovem de 28 anos. De acordo com a representante, Franciele pediu ajuda à Corregedoria da PM no dia 1° de setembro, mas mesmo assim a arma foi devolvida ao atirador no dia 13, horas antes da morte.

Franciele foi morta no fim da tarde da última terça-feira (13), no bairro Rebouças, em Curitiba. Após os disparos, Dyegho se trancou dentro de um veículo Citroën C3 com o corpo da vítima. Equipes policiais isolaram o local tentando negociar sua rendição até por volta das 21h15, quando o atirador tirou a própria vida com um tiro.
A arma do crime foi entregue a Dyegho poucas horas antes do crime.
Para Nicolly Dal’Apria, é um feminicídio que poderia ter sido evitado. “A partir do momento que a PM toma ciência que um membro da corporação está ameaçando de morte e agredindo a ex-companheira, é necessário que tome as devidas cautelas. O Dhyego conseguiu manipular os médicos que fizeram a perícia. Tão logo ele teve acesso, desferiu os tiros contra a Franciele”, lamentou.
Em coletiva de imprensa realizada na manhã desta quarta-feira (14), a capitã Carolina Zancan, da Câmara Técnica da Patrulha Maria da Penha da PM, afirmou que, todos os protocolos médicos e administrativos foram adotados pela PM, desde o momento em que o policial ficou suspenso do trabalho nas ruas.
“Não é assim, o policial recebe uma alta, pode voltar a trabalhar, e no outro dia alguém devolve a arma. Não, a PM segue um protocolo bem rígido em que o policial trabalha sem arma de fogo. Ele cumpriu este período por alguns meses e, durante este tempo, fica na convivência com os colegas de trabalho. A necessidade desse período se justifica para que seja identificado se a pessoa realmente tem condições de voltar para o serviço operacional com arma de fogo. Nesse período não foi identificado nada que realmente chamasse atenção para a questão deste policial”, disse.
Nicolly Dal’Apria, porém, não acredita que os cuidados foram devidamente tomados. “Nós relatamos as ameaças e o medo que a Franciele tinha. Ela chegou a ligar para um supervisor do Dhyego na semana passada, mas nada foi feito. A gente foi na Corregedoria na terça-feira para ressaltar o que vinha ocorrendo, mas infelizmente não tivemos tempo hábil para evitar uma vítima de feminicídio”, comentou.
Família abalada
A representante da família explica que a família deve entrar com representações contra a PM, mas apenas a partir da próxima semana. Um dos motivos para isso é o forte abalo, principalmente da filha que estava com Franciele no momento do crime.
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