O acidente com uma criança de 9 anos em um brinquedo inclusivo, no Passeio Público de Curitiba, registrado na tarde do último domingo (8), não foi o primeiro caso no local.

Foto: Banda B.
Neste fim de semana, o menino ficou com a perna presa na estrutura e precisou ser levado ao Hospital do Trabalhador, na capital, com ferimento grave. A criança quebrou a perna.
Porém, em 31 de outubro de 2021, uma menina de 6 anos passou pelo mesmo susto. Ela não é cadeirante e subiu no brinquedo com um grupo de crianças, também não cadeirantes, entre 4 e 8 anos de idade, segundo o pai dela, em conversa com a reportagem da Banda B, na manhã desta quinta-feira (12).
João Paulo de Oliveira contou que não havia qualquer sinalização no brinquedo que indicasse que se tratava de um brinquedo específico para cadeirantes.
“Não tinha nada especificando que era proibido subir ou que era específico para cadeirantes e proibido crianças se balançarem. Estava aberto para todo o público no meio do parque, sem sinalização nenhuma, um brinquedo diferente. Uma criança de seis anos quer experimentar todo tipo de brinquedo que tem no parque”,
revela ele.
Em um primeiro momento, o pai não viu riscos. “Eles continuaram balançando e, num piscar de olhos, quando vi só escutei o grito dela e as crianças já ficaram todas desesperadas”, relata. Oliveira foi ao socorro da filha. Segundo ele, a menina estava imóvel, com a perna travada no brinquedo.
“Ela começou a gritar: ‘Pai, quebrei minha perna, escutei o barulho’. No desespero, retirei ela do brinquedo, porque fiquei apavorado na hora. Já vi que a perna esquerda, na região da coxa posterior, tava com uma luxação muito grande.”
Socorro médico
Além da filha que se feriu, o pai estava no parque com mais uma filha e a mãe das crianças. A família é de Piraquara, na região metropolitana. O próprio pai levou a criança para a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Pinhais.
No local, foi realizado exame de raio-x e constatada a fratura na perna da menina. Ela sofreu uma lesão no fêmur, que chegou próxima da bacia. Na sequência, a criança foi encaminhada ao Hospital do Trabalhador, em Curitiba. No dia seguinte, passou por uma cirurgia, e então recebeu alta no terceiro dia.
Passados sete meses, a criança se recupera em casa. Ela tem dois pinos na perna, que vão do joelho até a região da bacia. De acordo com o pai, ela ainda vai passar por uma nova cirurgia, para a retirada dos pinos, em sequência ao tratamento.
Responsabilidade pela segurança do brinquedo
Ao priorizar a saúde da filha, Oliveira conta que não chegou a procurar pela administração do parque, para reclamar. “Ela foi melhorando e nem busquei informação. Acabou que foi passando o tempo e ela está se recuperando super bem”, afirma o pai.
Oliveira diz que quando ele e a esposa viram a notícia sobre o acidente com o menino de 9 anos no mesmo brinquedo, neste domingo, ficaram chateados e, de certa forma, chegaram a se sentir culpados. “Se tivéssemos procurado a ajuda de alguém, talvez teria evitado de acontecer outra tragédia.”
Outro lado
A Banda B procurou a assessoria da prefeitura de Curitiba, responsável pela fiscalização dos brinquedos. Em nota, a prefeitura informou que o brinquedo será substituído e o local terá sinalização reforçada. A nota diz ainda que os brinquedos são para uso compartilhado.
Leia a nota na íntegra.
“A Secretaria do Meio Ambiente vai reforçar a sinalização dos parquinhos inclusivos – que permitem a interação entre crianças com e sem deficiência na cidade – para ajudar a prevenir acidentes como o que aconteceu no último fim de semana no Passeio Público. Em cerca de 15 dias, o balanço do local deve ser substituído por outro modelo, ainda inclusivo, como os que existem em outros logradouros de Curitiba. Não há intenção de retirar os brinquedos, mas sim de incentivar o uso compartilhado, correto e seguro, destes espaços”, diz.
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