Dalton Trevisan foi e sempre será um dos nomes mais relevantes da literatura paranaense. Conhecido como “vampiro de Curitiba”, ele nos deixou em dezembro de 2024, mas agora volta à vida de um jeito diferente, com a peça “Daqui Ninguém Sai”. Baseado na obra do escritor, o espetáculo tem estreia nacional acontece no 33º Festival de Curitiba, com duas apresentações gratuitas nos dias 25 e 26 de março, sempre às 20h30.

daqui-ninguem-sai-espetaculo-dalton-trevisan-festival-de-curitiba
Foto: Annelize Tozetto/Divulgação.

Celebrando o centenário e obra do escritor Dalton Trevisan, o espetáculo “Daqui ninguém sai” traz ao palco mais de 60 contos e trechos inéditos da correspondência do autor, além de revelar ao público os percursos de criação, montagem e  transformação de uma obra literária em teatro. Nova montagem do Teatro de Comédia do Paraná (TCP), com direção geral de Nena Inoue.

“Como num conto de Dalton, tanto o texto quanto a cenografia foram lapidados até o essencial”, explica Nena. “Nós ouvimos o processo. Tínhamos uma ideia inicial, mas mudamos tudo nas últimas semanas e o elenco veio junto. Mas o trabalho não foi jogado fora, pelo contrário”

disse a diretora Nena Inoue.

Os ingressos das apresentações são gratuitos. Parte deles será distribuída para convidados do CCTG e do Festival de Curitiba e outra será distribuída ao público em geral, por ordem de chegada, uma hora antes de cada espetáculo na bilheteria do teatro.

O elenco da peça foi selecionado por um edital público em janeiro deste ano e conta com os atores Carol Mascarenhas, Fábyo Rolywer, Laís Cristina, Madu Forti, Paula Roque, Paulo Chierentini, Sidy Correa, Simone Spoladore, Trava da Fronteira, Val Salles, Wenry Bueno e Zeca Sales.

“Nosso espetáculo não é para iniciados. Queremos levar o Dalton para o público jovem, que não lê e talvez nem vá ao teatro. Nossa proposta inicial era essa e o processo nos levou a inserir a própria construção teatral na encenação”

conclui Nena.
daqui-ninguem-sai-espetaculo-dalton-trevisan-festival-de-curitiba-4
Foto: Annelize Tozetto/Divulgação.

Avesso do Bordado

Na dramaturgia de “Daqui Ninguém Sai” estão reunidos mais de 40 textos de Dalton Trevisan. Desde minicontos e haicais até narrativas mais longas, textos sobre esses escritos e cartas por ele enviadas a outros escritores brasileiros.

Nestas que são lidas em público pela primeira vez, Dalton fala sobre literatura em geral e sobre a sua própria, algo que não faz há muitas décadas.

“Não tem um conto principal ou menos principal. Todos eles constroem a dramaturgia, assim como as cartas inéditas do autor”

disse Nena.

Esta costura coube ao dramaturgo Henrique Fontes, que está mergulhado na obra do curitibano desde o inverno de 2024, com “intensidade e profundidade ímpares”. Ele conta que a versão final da dramaturgia surgiu após 25 tratamentos do texto.

“Precisei mergulhar na obra dele durante seis meses junto com a Nena. Nem todo conto de Dalton pode ir para o teatro, e temos a premissa de não adaptar, não mudar o texto, não cortar”

explica Fontes.

Nascido no Rio Grande do Norte, Fontes conta que não era leitor contumaz de Dalton até o início do processo e que este olhar “estrangeiro” ajuda a cumprir um dos objetivos da montagem, que é levar a arte do escritor para um público que ainda não o conhece.

“Foi enriquecedor conhecer mais a fundo a obra dele, que dialoga muito com o teatro, especialmente pela busca da expressão mais exata e precisa. E nós, no teatro, buscamos o essencial.”

daqui-ninguem-sai-espetaculo-dalton-trevisan-festival-de-curitiba-3
Foto: Annelize Tozetto/Divulgação.

Nome dado por Dalton

Daqui Ninguém Sai” foi batizada pelo próprio Dalton com o nome de um de seus contos, quando o escritor autorizou o projeto, meses antes de falecer, em dezembro de 2024, aos 99 anos.

Além do centenário de Dalton Trevisan, que completaria 100 anos em 14 de junho de 2025, a montagem também celebra a trajetória de mais de seis décadas do TCP, projeto iniciado em 1963 e que já produziu mais de setenta produções.

Cleverson Cavalheiro, diretor-presidente do CCTG, lembra que, quando a peça foi concebida, Dalton ainda estava vivo, e a equipe desejava comemorar o espetáculo ao lado dele.

“Esta montagem é importante porque Dalton sempre teve uma conexão com o Teatro Guaíra. Ele representa muito a cidade, e é importante celebrarmos um dos maiores contistas do Brasil”

afirma Cavalheiro.

Cavalheiro também destaca a escolha da equipe técnica da peça que conta com iluminação de Beto Bruel, figurinos de Verônica Julian, cenografia de Carila Matzenbacher e trilha original de Grace Torres e Lilian Nakahodo, e Babaya na preparação musical, que musicaram alguns textos de Dalton para o espetáculo.

Por tudo isso, “Daqui Ninguém Sai” é uma das mais aguardadas da 33ª edição do Festival de Curitiba, mas a diretora Nena Inoue conta que não pretende ser revolucionária, mas fortalecer a expressão teatral da obra de Dalton Trevisan. “Nós queremos que o espetáculo seja impactante, e que o público diga no final da sessão: ”porra, Dalton é o cara!”

daqui-ninguem-sai-espetaculo-dalton-trevisan-festival-de-curitiba-2
Foto: Annelize Tozetto/Divulgação.

Serviço:

“Daqui Ninguém Sai” – Festival de Curitiba
Quando: dias 26 e 27 de março (quinta e sexta-feira)
Onde: Teatro Guairinha, na Rua XV de Novembro, 971 – Centro, Curitiba
Ingressos gratuitos, distribuídos 1 hora antes na bilheteria do Teatro. 

📲 O Google pode parar de mostrar o portal Banda B. Clique aqui para ver nossas notícias.