Se em 1985 alguém chegasse para aquela jovem de 29 anos e dissesse que ela, Roberta Miranda, seria chamada de “rainha”, talvez ela acreditasse. Pela luta e quebra de barreiras que teve que enfrentar, ela mesma sabia que seu objetivo para o futuro seria o de conquistar o país e pisar no machismo do sertanejo. E conseguiu.

Prestes a celebrar 40 anos de carreira, Roberta Miranda estreou, em Curitiba, um novo show, no último sábado (27), com produção da Plateia Entretenimento. A turnê leva o nome do projeto mais novo da cantora, Infinito, que foi gravado há poucos dias. Veja a entrevista completa abaixo.

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Foto: Lucas Sarzi/Banda B.

Paraibana, Roberta Miranda sempre foi sinônimo de mulher forte, que não se limitou e nunca se permitiu abaixar a cabeça para ninguém. À Banda B, a cantora disse que hoje se orgulha em olhar para trás e vislumbrar o que enxerga atualmente: referência para tantas mulheres que vieram depois.

“Eu fico muito orgulhosa, porque não é fácil. Não era fácil há 39 anos, continua não sendo fácil para as meninas, elas mesmo reclamam. Mas hoje é muito mais leve, porque você sem a internet, que qualquer coisa que façam as pessoas levam processo, porque hoje não pode nada”. 

Na avaliação da cantora, o machismo no sertanejo ainda existe, mas hoje em dia, ele fica mais escondido. Simplesmente porque as mulheres tomaram conta, segurando o espaço que deveria ser delas desde sempre.

“O que acontece com o machista? Ele se veste de lobo e finge que gosta. Mas a mulherada invadiu o sertanejo, a mulherada hoje leva 100 mil, 80 mil, 50 mil pessoas. E esse tempo do comando de bota e chapéu já era. E a gente conseguiu furar esse caminho”. 

Novo projeto 

Roberta Miranda escolheu o símbolo do infinito, formado pelo número oito deitado (colocado na horizontal), que para ela representa o ilimitado e a eternidade, assim como é a própria arte, que é eterna. 

Infinito marca, para a cantora, a gravação de um álbum que será disponibilizado nas plataformas digitais e tem uma simbologia ainda maior: há quase oito anos Roberta Miranda estava sem gravar um disco. E quebrou esse hiato. O que a motivou gravar? Os fãs.

“Eu acho que é o pedido do fã mesmo, porque são oito anos. O mais recente foi quando as meninas ainda estavam aparecendo no mercado da música sertaneja, e eu trouxe para o meu DVD, Marília Mendonça e tantas outras. Graças a Deus, depois desse DVD, cada uma seguiu seguiu seu caminho e explodiu de uma forma linda. Oito anos se passaram e os fãs sempre pedindo. Meus fãs são muito educados e delicados, porque quando tem que falar alguma coisa eles vão para o direct, que eles sabem que eu vejo, e ali pedem, e assim nasceu Infinito. É um trabalho que completou mais de três meses até pegar música, entender o que faríamos no show,na entrada, que foi toda bolada por mim e em 3D, é um trabalho muito bonito”. 

Veja a entrevista com Roberta Miranda:

Além de ser responsável por ajudar na condução da própria carreira, Roberta nunca se distanciou do que de novo surge no mundo da música. Não foi à toa que, para o novo projeto, escolheu dois nomes atuais para participarem.

“Sempre gostei, no meu trabalho sempre busquei essa mistura. Trazer LuÍsa Sonza foi muito legal. O Gustavo Mioto também, que eu já amo há muitos anos. Sempre gostei de misturar com essa meninada, eu adoro. Hoje a gente ouve “ah, o sertanejo tá cantando com o rap, tá inovando com o funk, mas eu já trouxe isso há dez anos com o MV Bill. Já coloquei a música sertaneja com o rap, então eu estou sempre inovando”.

A estreia da turnê, que leva o mesmo nome do projeto, em Curitiba, rendeu: o start do novo show já tem mais de dez cidades confirmadas, até fora do Brasil: Angola e Moçambique. 

40 anos de carreira

Aos 67 anos, Roberta Miranda já celebra quase 40 de carreira. No ano que vem chega a marca das quatro décadas de estrada, e já sabe que quer comemorar em grande estilo.

“A gente já está pensando no próximo DVD, que vou gravar agora, que é muito grande, com participações, comemorativo de 40 anos. Tenho que fazer em novembro o DVD para lançar em 2025”. 

A cantora confidenciou que quando se propõe a fazer algo, é exigente. Por isso disse que os fãs não perdem por esperar. 

“Botou meu nome ali, sabem que sou exigente, chata, não é assim. Trabalho para mim é arte, não é modismo. Então a arte tem que ser respeitada. Poderia escolher o caminho imediato, mas eu quis ser duradoura, quis que a arte permanecesse além de mim. Tanto é que Majestade, o Sabiá tem 43 anos e uma criança de dois anos canta, uma senhora de 104, que infelizmente se foi, também cantava. Nasci artista e prezo pela arte”.

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Foto: Lucas Sarzi/Banda B.

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‘Comando de bota e chapéu já era’, dispara Roberta Miranda sobre machismo ao estrear show em Curitiba; veja entrevista

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