A chegada de uma onça-pintada macho ao Zoológico de Curitiba há poucos dias é esperança de contribuição para a conservação desta espécie ameaçada de extinção. O espaço é casa da onça-pintada fêmea Maia. Se houver condições favoráveis, ela poderá dividir o lar onde hoje vive sozinha com Rauni.

Ele chegou do zoológico de Sorocaba, no interior de São Paulo, no final do mês de setembro. A vinda de Rauni foi possível por meio de um ‘intercâmbio’ entre espécies, viabilizado pela assinatura do Termo de Cooperação Técnica entre a Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (Azab), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Ministério do Meio Ambiente.
“Graças ao Termo foi possível receber o Rauni e encaminhar uma espécie de Curitiba para lá, um exemplar de muriqui-do-sul, que é o maior primata das Américas, um macaco ameaçado de extinção, para parear com a fêmea que eles têm lá”, afirma o diretor de pesquisa e conservação da fauna da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Edson Evaristo.
Em contrapartida, o Zoo da capital recebeu Rauni. “Quando for o momento, vai juntar com a fêmea que temos aqui, a Maia, que está sozinha e em idade reprodutiva.”
Rauni passa por um período de quarentena e, na próxima semana, ele deve ser levado para o setor ao qual os visitantes têm acesso. A tentativa de reprodução com Maia, porém, é uma possibilidade futura, caso a recomendação seja essa e as condições propícias, visando a conservação da espécie.
“Tem alguns fatores que precisam se confirmar, por exemplo a análise genética dos dois indivíduos, se há compatibilidade. O animal ainda é jovem. A gente pretende juntá-los em um futuro próximo, para quem sabe terem filhotes”
revela Evaristo.
O Zoo de Curitiba já reproduziu a espécie no passado. Maia é filha das onças-pintadas Angélica e Apolo, ele já falecido. É grande a expectativa de retomar o processo e contribuir para reverter o cenário de destruição da natureza, como avalia Evaristo.
“Aí teremos animais nascidos em zoológicos pra fazer um repovoamento da espécie quando o cenário for mais propício”, diz.
Segundo ele, a ação reforça um dos principais papéis dos zoológicos na atualidade. “As onças-pintadas, assim como outras espécies, estão desaparecendo da natureza, por vários fatores de interferência humana. Manter populações geneticamente viáveis em cativeiro ou sob cuidados humanos, é uma forma de garantir que essas espécies não desapareçam.”
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