Apesar do pedido dos prefeitos da região metropolitana de Curitiba, o novo decreto relacionado ao combate ao coronavírus, restringido o funcionamento de academias, igrejas e dos mercados aos domingos, não foi adicionado pelo Governo do Paraná. O anúncio foi feito, na tarde desta sexta-feira (19), pelo governador do Paraná, Ratinho Junior, ao lado do secretário de Saúde, Beto Preto, e do presidente da Assomec (Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Curitiba) e prefeito de Fazenda Rio Grande, Márcio Wozniack. O decreto vai mudar o funcionamento do horário dos comércios de rua (das 10h às 16h), shoppings fechados aos domingos e passa a valer a partir de segunda-feira (22).

Agora, cabe aos municípios da região metropolitana adotarem medidas mais restritivas, por meio de decretos municipais. Isso poderá acontecer em uma nova reunião da Assomec nos próximos dias. Durante entrevista coletiva, o governador Ratinho Junior garantiu que vai respeitar a decisão dos prefeitos

Ratinho Junior e Beto Preto (Foto: Geraldo Bubniak/AEN)

 

Com isso, ficou definido:

-comércios de rua aberto das 10h às 16h (se segunda a sexta-feira)

-shopping fechados aos domingos

-proibição da venda e consumo de bebida alcoólica a partir das 22h em todo o Paraná

-proibição de menores de doze anos nos mercados

Todas as medidas serão acompanhadas pelos órgãos de fiscalização e pela Secretaria de Estado da Segurança Pública. Eventuais multas serão disciplinadas pelos 29 municípios da Região Metropolitana de Curitiba.

 

AGLOMERAÇÕES – Ao anunciar as medidas, o governador Ratinho Junior ressaltou que o decreto tem a motivação de diminuir a circulação de pessoas entre os municípios da RMC e a Capital, principalmente para evitar as aglomerações registradas nos últimos dias no transporte público.

“Estamos entrando em um momento mais agudo da doença e temos que amenizar o impacto do vírus. Desde o início da pandemia temos essa preocupação com o transporte coletivo, em especial na hora de rush, de manhã e no final da tarde”, destacou Ratinho Junior.

Ele também disse que a decisão foi construída de maneira colegiada com a Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Curitiba (Assomec) para manter o setor produtivo trabalhando, mas com menos circulação e mais cuidados.

“Tem município na RMC que não registra essa lotação, que tem outra realidade, mas a medida é especialmente necessária para aqueles conurbados na Capital. Temos que ter esse controle para que o vírus não se prolifere de maneira a impedir o bom funcionamento dos hospitais”, acrescentou o governador.

Márcio Wozniak, presidente da Assomec e prefeito de Fazenda Rio Grande, destacou o apoio fundamental do Governo do Estado nessa nova diretriz. O decreto atinge quase quatro milhões de habitantes. “Temos que nos unir para enfrentar um inimigo sem cura, e só podemos fazer isso com distanciamento social. Vamos batalhar juntos por 14 dias para ver se estabiliza. É uma grande união”, frisou.

RMC – De acordo com o boletim epidemiológico desta sexta-feira (19), são 4.061 casos e 160 óbitos entre 27 municípios da Região Metropolitana de Curitiba – apenas em Tunas do Paraná e Doutor Ulysses não há casos. Já há mais de 150 diagnósticos positivos em Araucária, Colombo, Pinhais, Piraquara e São José dos Pinhais, além dos 2 mil casos de Curitiba.

LEITOS – Diante desse quadro delicado, o Governo do Estado ativou mais 80 leitos de UTI na região, sendo 51 no Hospital do Rocio, em Campo Largo, e 15 no Hospital de Clínicas (HC), e 14 no Hospital de Reabilitação (que pertence ao Complexo Hospitalar do Trabalhador). Também foram adicionados mais 17 leitos de enfermaria no Hospital do Trabalhador.

A macrorregião Leste tem 358 leitos de UTI e 546 leitos de enfermaria, exclusivos para atendimento de Covid-19, além de 21 UTIs pediátricas e 32 leitos de enfermaria pediátricos. O Paraná já ativou 749 UTIs e 1.171 enfermarias, com taxas de ocupação de 55% e 39%, respectivamente.

“Montamos uma estrutura paralela de enfrentamento e atendimento aos paranaenses. Em pouco mais de três meses temos 749 leitos de UTI disponíveis em todas as regiões do Estado, isso que o estoque dos últimos 30 anos era de 1.200 leitos de UTI. Mas estamos entrando em uma outra fase, com acréscimo de casos em junho. É preciso ter cuidado”, complementou o secretário estadual de Saúde, Beto Preto.