- Kafui Okpattah
- BBC Panorama
Há um novo tipo de influenciador nas redes sociais. Mas, em vez de promover marcas de roupa ou produtos relacionados a estilo de vida, eles promovem a fraude.
Eles ostentam pilhas de dinheiro, escondem o rosto e atraem novos recrutas vendendo guias sobre como cometer fraudes.
- 3 novos tipos de fraudes e golpes surgidos com a pandemia de covid
- ‘Perdi todas as minhas economias em um golpe com criptomoedas’
Você poderia pensar que esses golpistas e seus produtos ilegais são difíceis de encontrar — e, até pouco tempo, eles estavam de fato escondidos nas sombras da dark web. Mas não mais.

Como parte de uma investigação para o programa Panorama, da BBC, descobri como é fácil fazer negócio com fraudadores e comprar guias para aplicar golpes online. Também desmascarei um influenciador anônimo que tem vendido esses produtos.
Nas redes sociais, os autores de fraudes no varejo online se referem a isso como “clicking” (uma referência ao ato de “clicar”), o que faz com que pareça mais inócuo.
Mas cometer fraude — que é definida pelo departamento de polícia britânico Action Fraud, como usar truques para obter uma vantagem desonesta, muitas vezes financeira, sobre outra pessoa — pode levar a até 10 anos de prisão.
Os guias negociados são conhecidos como “métodos”.
Eles podem ter como alvo bancos, varejistas e até mesmo o sistema de Crédito Universal do governo, deixando organizações e pessoas físicas sem dinheiro.
E todos eles dependem fortemente de algo conhecido como “fullz”, gíria em inglês que significa “full information” (termo que pode ser traduzido como “informação completa”).
São os dados pessoais de alguém: normalmente o nome, número de telefone, endereço e dados bancários.
Com o “fullz” em mãos, os fraudadores podem seguir os passos dos guias para fazer compras online ou até mesmo obter um empréstimo em nome de outra pessoa.
Como estes dados privados acabam circulando por aí?
Muitas vezes, eles são provenientes de golpes de phishing. Aqueles e-mails ou mensagens de texto duvidosos que fingem ser de fontes legítimas e enganam as vítimas para que revelem suas informações pessoais.
Às vezes, os próprios fraudadores cometem ou encomendam atividades de phishing ou, ocasionalmente, obtêm as informações por meio de terceiros.
Se aproveitar do “fullz” de uma pessoa — fazendo, por exemplo, compras usando seus dados — pode destruir a pontuação de crédito dela.
Uma pontuação de crédito ruim pode ter sérias implicações na vida de alguém: afeta as chances de solicitar um empréstimo, obter financiamento para compra de imóvel ou até mesmo abrir uma nova conta bancária.
Entrei em contato com um fraudador que estava anunciando seus serviços nas redes sociais e, por meio de um aplicativo de mensagens, ele se ofereceu para criar um site falso e enviar 4 mil mensagens de texto de phishing por mim para obter os dados pessoais das vítimas. Ele cobrava £ 115.
Em outro perfil do Instagram, percebi que um golpista postou alguns “fullz” — como uma espécie de amostra grátis, encorajando as pessoas a pagarem para receber mais detalhes roubados. Decidi ligar para alguns dos números de telefone listados.
Foi difícil ouvir do outro lado da linha a reação de um estranho enquanto eu dizia que seu nome, endereço, dados de cartão e número de telefone haviam sido postados online para qualquer um ver e tirar proveito.
Depois, me encontrei com uma das vítimas, Wilson, de Oxford, no Reino Unido. Ele disse que ver todos os seus detalhes online foi assustador porque o fez perceber o quão desprotegido estava.
Mas por que as pessoas por trás desses golpes não são pegas? Leia a matéria completa da BBC AQUI
📲 O Google pode parar de mostrar o portal Banda B. Clique aqui para ver nossas notícias.