
O projeto cultural “Leituras Urbanas: Literatura nas Ruas da Cidadania” – que desde novembro do ano passado se dedica a incentivar a escrita e o hábito da leitura no país de maneira virtual – acaba de ganhar mais uma atividade extra. Trata-se de um Ciclo de Leituras em que será debatido o livro “O Mez da Grippe” do escritor Valêncio Xavier. Serão cinco encontros que começam hoje (dia 24) e vão até o dia 28 de maio, sempre às 19h. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo site https://urbanasleituras.wixsite.com/leiturasurbanas/ciclos-de-leitura-on-line A mediação será feita pelo ator, produtor e contador de histórias Cristiano Nagel. Para participar, não é necessário leitura prévia e nem qualquer conhecimento anterior sobre o autor ou a obra. Basta gostar de livros, leitura e histórias. Quem desejar receber um certificado da organização precisa ter frequência mínima de 75% nos encontros.
O Valêncio que conheci
Tornei-me amigo de Valêncio Xavier nos anos 1960, eu dirigindo o suplemento dominical de cultura do Diário do Paraná, o “DP-Domingo”. O jornal pertencia à rede Associada de comunicação (Assis Chateaubriand) . Valêncio era “co-irmão”, trabalhava poucos metros além da Rua José Loureiro 111 (, onde funcionava o DP), na antiga TV Paraná, Canal 6, instalada no edifício Mauá, térreo e sobreloja.
Era produtor, às vezes sob as ordens do chinês Clemente Chen, outras sob Aluisio Finzetto, que, profissionais comprometidos em arrumar audiência para a emissora, nunca estavam muito interessados nas elucubrações intelectuais de Valêncio (cognome, é bom explicar). Organizado, ele chegava à minha mesa com seu material semanal, geralmente crônicas que – acredito hoje – não eram bem digeridas pela maioria dos leitores.
Paulo Leminski
Valêncio “voava”, havia uma nova linguagem, uma linguagem experimental na maioria de suas colaborações. Uma preciosidade, intui na época. O tempo a confirmaria. Confesso, hoje, que nem eu, editor, me apercebi da exata dimensão de Valêncio, do tipo humano e do escritor de rara sensibilidade.
Com o tempo e já distante daquele cenário de TV e jornal da Rua José Loureiro, pude avaliar a pérola de raro valor que havia colaborado comigo. Assim, mais ou menos, aconteceu o mesmo com Paulo Leminski, que acolhi no DP Domingo, com seu grupo Áporo, lançando-o nacionalmente. Essa abertura que tive para com o valor nascente de Leminski está registrada no livro “O Bandido que falava Latim”, de Martins Vaz. Desses lampejos de premonição jornalística muito me orgulho.
*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Banda B.
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