O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) anunciou uma parceria com um laboratório chinês para produzir e testar uma segunda vacina oriental contra o novo coronavírus no estado. Jorge Callado, diretor-presidente do órgão, disse que o Paraná está otimista em relação ao andamento das negociações e que os testes poderão ser ofertados a outros segmentos da sociedade, além dos profissionais de saúde. A declaração foi dada durante entrevista concedida, nesta quarta-feira (5), ao programa Em Pauta, da Associação das Emissoras de Radiodifusão do Paraná (Aerp).
Além do acordo assinado pelo governador Ratinho Jr. com a empresa estatal chinesa Sinopharm, que possibilitará a realização da terceira fase de testes da vacina no Paraná, Callado afirmou que o estado também tem tratado sobre o assunto com a Rússia, porém esta encontra-se em um estágio menos avançado em relação ao outro país asiático.
Foto: Divulgação/Aerp“Estamos trabalhando por meio de uma cooperação técnica e científica. Neste momento, já fizemos várias reuniões com a equipe do laboratório da China para que possamos produzir, em conjunto, um protocolo de pesquisa para realizar os testes da fase três”, explicou durante entrevista à Aerp.
Etapas
O desenvolvimento de uma vacina eficaz e segura envolve etapas fundamentais até que se chegue à comercialização. Em primeiro lugar, existe a necessidade de se definir a melhor composição para o insumo. Em seguida, há a fase pré-clínica, onde ocorrem os testes em animais para comprovação dos resultados alcançados durante os experimentos. Então, na fase clínica, composta por três fases, é a qual há a testagem em seres humanos.
A fase I da fase clínica tem como objetivo testar a segurança do produto em poucos voluntários; a fase II – também em humanos – testa melhor a segurança e a eficácia da vacina e; por fim, a fase III, e última, testa-se a segurança e eficácia diretamente em um público-alvo. Nela, o número de voluntários é bem maior. Depois disso, pode ser disponibilizada à população.
Callado explicou que a vacina chinesa já passou pela primeira e segunda fase e que “obteve resultados satisfatórios”. Agora, a negociação é em torno da construção de um protocolo de testes para que ocorram no Paraná: “Esse protocolo de pesquisa e validação ainda deve ser submetido à Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, do Ministério da Saúde, e à Anvisa. Havendo essa aprovação, já podemos iniciar os testes. É um processo que requer prudência, embasamento técnico e segurança”.
Datas
Nesta quarta-feira (5), dia em que o Brasil registrou 1.322 novas mortes pela Covid-19 e totalizou mais de 97 mil óbitos, e dia em que o diretor-presidente da Tecpar concedeu entrevista à Aerp, o representante do órgão foi realista em relação a uma data estimada para que a vacina seja produzida no Paraná. De acordo com ele, há grandes chances de que ocorra apenas a partir do segundo semestre de 2021.
“A produção não é simples, os testes ainda podem apresentar algumas intercorrências durante o processo”, avaliou. No entanto, esclareceu que, dependendo dos resultados, a duração da fase de testes no território paranaense deve durar entre seis e oito meses. “Após aprovação para iniciarmos a terceira fase, acredito que esta durará entre 6 e 8 meses. Podendo, ser maior ou menor, dependendo dos resultados”.
Esperança e confiança
Apesar do Tecpar estar inserido em uma corrida desafiadora, Jorge Callado descreveu que este é um momento importante e que não há como não ser otimista. Para ele, quem faz parte do mundo da ciência e tecnologia sempre deve buscar a euforia por resultados promissores e seguros. “É um desafio bastante importante para nós. Encaramos essa responsabilidade como um presente”, afirmou.
Mesmo após a declaração do diretor geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, em que destaca que “não há solução milagrosa e talvez nunca exista”, durante uma entrevista coletiva virtual, e comentada no programa Em Pauta, a qual Jorge avalia como uma afirmação sensata, o presidente do Tecpar ressalta que a expectativa é que tenhamos sim uma vacina eficaz contra o novo coronavírus.
Além disso, ele alegou que, possivelmente, os testes poderão ser ampliados para outros segmentos da sociedade, não sendo apenas exclusivo aos profissionais da saúde.
Rússia
Na próxima semana, de acordo com Callado, há a possibilidade de que técnicos russos visitem o Instituto de Tecnologia do Paraná para conhecerem as instalações e tratar das negociações sobre uma possível parceira para produzir o insumo no estado. Esta, segundo ele, é mais uma oportunidade para que haja uma garantia de que os paranaenses receberão as doses.
“O importante é que tenhamos uma vacina com maior eficácia e eficiência e que tenha transferência de tecnologia para nós”, concluiu.
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