O caso do menino autista de 4 anos encontrado amarrado dentro de uma escola particular em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), na última segunda-feira (7), desencadeou uma série de novas denúncias contra a diretora da instituição, também proprietária do local.

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Menino foi encontrado amarrado a uma cadeira, em uma escola de Araucária — Foto: Reprodução

De acordo com testemunhas, a própria diretora orientava os professores a adotar condutas abusivas. Em entrevista à repórter Beatriz Frehner, da RICtv, uma ex-funcionária, que preferiu não se identificar, contou que trabalhou no local por cerca de seis meses e presenciou diversas situações de negligência.

“Várias vezes ela pegava a criança no colo, levantava e simplesmente jogava no chão. Toda vez que eu tentava pegar a criança, ela falava que eu não podia chegar perto, mesmo com o aluno chorando. Teve um dia que eu não aguentei, peguei e acalmei a criança, porque essa é uma das situações que eu não admito na minha profissão”

disse a testemunha.

O menino de 4 anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 3, também conhecido como autismo severo, foi encontrado amarrado em uma cadeira. Uma professora foi autuada em flagrante. A diretora, por sua vez, passou a ser investigada por possível omissão.

Além dos maus-tratos, a ex-funcionária afirmou que a diretora costumava ameaçar os educadores. “Quando a gente falava que aquilo estava errado, ela entrava em crise conosco, a ponto de querer bater na equipe”, disse.

Outro caso foi relatado por uma mãe, que afirmou ter recebido da diretora um laudo informando que o filho era autista. No entanto, a avaliação foi feita com testes que não são regulamentados pelo Ministério da Saúde.

“Levamos a um neurologista e descobrimos que aquele laudo não existia. O teste aplicado por ela [diretora] não condiz com o teste que realmente é feito para chegar nesse diagnóstico. Mais de um ano depois, soubemos que meu filho, na verdade, tinha deficiência intelectual leve. Mas acreditamos nela na época”

contou a mãe do aluno, que também preferiu não ser identificada.

Novo flagrante

Com a repercussão do caso, surgiu ainda mais um flagrante. Uma menina precisou ficar sentada, com as mãos amarradas, e foi obrigada a permanecer quieta como forma de punição. O pai da criança afirmou que a filha chegava em casa abatida.

“Minha filha estava amarrada, praticamente dopada. Ela chegava em casa e só dizia: ‘papai, a profe bateu’. Quando íamos questionar a diretora, ela respondia ‘sou psicóloga, pedagoga, eu sei de tudo’. Agora apareceu a verdade”

disse o pai em entrevista à RICtv.

A delegacia de Araucária continua investigando o caso ocorrido na segunda-feira. Outras testemunhas devem ser ouvidas, inclusive a diretora da escola. Ela pode ser indiciada pelo crime de omissão.

O espaço segue aberto para manifestação da defesa.

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