A defesa de Dhony Alves, filho do humorista Marcelo Alves dos Santos – homem que confessou ter matado a jovem Raíssa Suellen Ferreira da Silva, de 23 anos, – afirmou nesta terça-feira (10) que ele está sendo alvo de ameaças e nega qualquer participação direta dele no homicídio da jovem.
O rapaz procurou a Delegacia de Proteção à Pessoa (DPP), em Curitiba, para registrar formalmente as ameaças que estaria recebendo. Dhony chegou a ser detido na segunda-feira (9), mas pagou fiança de R$ 500 e foi liberado.

De acordo com o advogado Caio Percival, o jovem teve que sair de casa às pressas e não dormiu na residência devido ao clima de insegurança.
“Ele volta hoje à delegacia porque vem sendo ameaçado. Tudo isso por conta de uma fala irresponsável de um advogado da família, que nós nem sabemos quem é, porque cada hora aparece uma pessoa diferente. Estiveram a semana toda para ajudar nas diligências da delegacia e nada fizeram, agora aparecem tentando trazer ou indicar que efetivamente o Dhony participou do homicídio. Isso traz reflexos muito sérios na vida de uma pessoa”
afirmou a defesa.
O caso ganhou ampla repercussão após a confissão de Marcelo, pai de Dhony, de ter matado Raíssa. A jovem estava desaparecida desde o dia 2 de junho, após receber uma suposta proposta de trabalho em Sorocaba, em São Paulo.
Conforme a defesa, o crime não foi premeditado e Dhony só foi chamado pelo pai após o crime já ter sido cometido. O rapaz nega qualquer envolvimento na morte de Raíssa e diz que apenas ajudou a transportar o corpo.
“Não há nada de premeditação, foi um crime cometido em domínio de violenta emoção. Dhony sequer sabia do encontro entre o pai e a vítima. Ele foi chamado pelo pai, que disse que precisava conversar, e quando chegou se deparou com aquela situação lamentável. A única participação dele foi dirigir o carro até o local onde o corpo foi deixado e trazer o pai de novo para casa. Ele não cavou e não tocou no corpo”
explicou Percival.
Para o advogado, a colaboração do filho de Marcelo com a polícia deve ser levada em consideração.
“Diferente de casos famosos no Brasil, como o do goleiro Bruno ou da jovem Isis, onde os corpos nunca foram encontrados, aqui houve colaboração. Isso tem que ser digno de aplauso para que outras pessoas que cometam crimes dessa natureza, se vejam tragados por um situação dessa, também colaborem com as investigações para que nós tenhamos um velório digno para a família”
disse.
Percival reforçou ainda que Dhony é réu primário, tem bons antecedentes e atualmente trabalha como motorista de aplicativo.

Sobre a relação de Dhony com Raíssa, a defesa explicou que eles já se conheciam há cerca de três anos, quando a jovem veio da Bahia em busca de oportunidades em Curitiba, assim como outras pessoas ajudadas por Marcelo e Dhony.
“Ela nunca morou com Marcelo. Quando se viu que tratava de uma mulher que precisava dos cuidados necessários, ela foi morar com a mulher do Johnny, em uma casa diferente. Johnny e pai em uma residência, a mulher do Johnny e a Raíssa em outra residência”
complementou o advogado Caio Percival.
Feminicídio
Diante das evidências e da motivação apresentada por Marcelo — a recusa de Raíssa em manter um relacionamento afetivo com ele — a Polícia Civil decidiu enquadrar o crime como feminicídio.
O caso continua em investigação. A expectativa é de que, com os laudos complementares, a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) consiga avançar na apuração, nas próximas semanas.
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