Imagens registradas por câmeras de segurança mostram o momento em que o advogado de 28 anos, preso nesta segunda-feira (12), abandonou uma sacola com explosivo no Terminal Boqueirão, em Curitiba, no dia 31 de março (assista abaixo). As imagens detalham passo a passo da movimentação do suspeito até a plataforma do Ligeirão, onde ele deixa o objeto com um aviso de “risco de explosão!”.

Às 5h49, o suspeito é visto caminhando tranquilamente por uma rua em um bairro de Curitiba. Cerca de três minutos depois, ele aparece embarcando em um ônibus — usando luvas, máscara, capuz, óculos e possivelmente uma peruca — e conversando com o motorista. “Sabe dizer que horas é o próximo?”, questiona o suspeito. “Piá, daqui uns 15 minutos”, responde o motorista.

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Suspeito foi flagrado circulando pelo terminal antes de abandonar bomba em sacola – Foto: Reprodução/Câmera de segurança

O homem é o último a embarcar no ônibus e carrega duas sacolas: uma preta e outra vermelha, esta última com o logotipo de uma conhecida rede de lojas de departamento. Ao entrar, utiliza um cartão-transporte da Urbs para passar pela catraca e permanece em pé por alguns instantes. Logo depois, escolhe um assento voltado de costas para o motorista.

Durante o trajeto, o advogado muda de assento e manuseia as duas sacolas com frequência. Às 6h18 — exatos 16 minutos após o embarque —, ele é flagrado deixando o ônibus e circulando pelas dependências do Terminal Boqueirão. Dez minutos depois, às 6h28, ele se aproxima da plataforma do Ligeirão e posiciona as sacolas sobre uma escada. Enquanto permanece no local, observa o movimento e caminha de um lado para o outro, aparentemente analisando a rotina de embarque.

Às 6h37, o advogado se ajoelha no chão e deixa a sacola preta próxima à escada, em meio a dezenas de passageiros. Algumas pessoas chegam a notar o objeto, enquanto o suspeito se afasta rapidamente do local. A bomba foi descoberta por uma vigilante do terminal, que notou uma sacola liberando fumaça e acionou a polícia, como mostrou a Banda B à época. 

“O local escolhido pelo criminoso era uma plataforma movimentada, aumentando o potencial risco de vítimas caso a bomba tivesse explodido. O Esquadrão Antibombas do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) da PMPR confirmou o risco e realizou uma explosão controlada”, afirmou a Polícia Civil.

Advogado é preso em Curitiba

O advogado foi preso nesta segunda-feira (12) sob a suspeita de abandonar e tentar detonar a bomba no Terminal do Boqueirão. O investigado foi localizado no bairro Ahú, após uma operação conjunta das polícias Civil e Militar. Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão e um de prisão preventiva. Ele não teve a identidade revelada.

As investigações conduzidas pela Delegacia de Explosivos, Armas e Munições (DEAM) apontaram fortes indícios de que o advogados seria o autor do crime. Segundo o delegado Adriano Chohfi, responsável pelo caso, “as provas reunidas demonstram a complexidade e o planejamento do crime, que colocou em risco a vida de dezenas de pessoas. A atuação rápida e integrada das forças de segurança foi fundamental para a identificação do suspeito”.

O suspeito é investigado por tentativa de explosão e por colocar em risco a vida e a integridade de pessoas em local de grande circulação.

Com o explosivo foram encontrados papéis com mensagens como “abaixo generais golpistas”, “morte aos fascistas”, “viva o maoísmo” e “viva a guerra popular”. O maoísmo é corrente ideológica inspirada nos princípios revolucionários do líder chinês Mao Tsé-Tung, que defendem a luta armada como meio para alcançar a transformação social.

Planejamento do crime

Para impedir que fosse identificado, o suspeito utilizou um cartão avulso de transporte coletivo, cuja investigação posterior permitiu localizá-lo. Com o auxílio da Urbs (Urbanização de Curitiba) e da Guarda Municipal, os policiais ligaram o suspeito ao crime, inclusive pela descoberta de uma máscara descartada na casa utilizada por ele no bairro Ganchinho, com as mesmas características da usada no terminal.

“A casa mencionada possui forte ligação com o investigado, tendo ele sido visto entrando e saindo do local em diferentes ocasiões, o que leva a crer que o crime pode ter sido planejado ali. Segundo a apuração, o suspeito arquitetou o plano utilizando disfarces, trocas de roupas e rotas alternativas para tentar escapar da identificação pela polícia”, disse a polícia.

Durante as investigações, policiais também analisaram imagens de estabelecimentos comerciais próximos, identificando o uso de transporte público e veículo particular pelo suspeito. Esses elementos levaram à identificação completa do investigado e ao seu endereço no bairro Ahú, distante do local do crime.

Além da prisão preventiva contra o advogado, as investigações identificaram a residência no bairro Ganchinho como possível base para reuniões ou apoio de outros envolvidos. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acompanha o cumprimento dos mandados.

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