O motoboy Mozart Pavoni Martins Junior, atropelado pela motorista Cassiane Aparecida Araújo Aires, disse, nesta quarta-feira (12), que está desacreditado na Justiça. A afirmação veio após a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de que Cassiane não vai mais à júri popular pelo acidente, que aconteceu em junho de 2021, no bairro Rebouças, em Curitiba.

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Mozart passou dez dias internado e viu a vida mudar após o acidente. Foto: Reprodução/Redes Sociais.

Na decisão, o STJ desclassificou a acusação do crime de dolo eventual para homicídio culposo no trânsito, com a justificativa de que o parecer técnico demonstrou graves falhas na sinalização da via.

À Banda B, Mozart desabafou dizendo que agora não espera mais nada sobre a punição que a motorista venha a sofrer.

“Eu recebo essa notícia com muita tristeza, indignação e frustração, principalmente porque ia para quatro anos lutando por justiça. É frustrante, estou indignado”. 

Quando questionado se ainda acredita na Justiça, o motoboy disse que não.

“Infelizmente eu não consigo esperar mais nada da Justiça, a gente ficou de mãos atadas agora, infelizmente. Não tenho o que falar mais da Justiça, eu acabo desacreditando na Justiça. A injustiça prevaleceu”. 

O acidente aconteceu na madrugada de 12 de junho. Na ocasião, Cassiane Aparecida Araújo Aires – então com 25 anos – atravessou a canaleta da Avenida Sete de Setembro e atingiu o motoboy Mozart Pavoni Martins Junior – na época com 32 anos anos. 

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Mozart ficou 10 dias internado no hospital. Foto: Arquivo Pessoal.

A motorista não prestou socorro e fugiu do local. Mozart ficou dez dias internado e passou por várias cirurgias.

“Eu fiquei com sequelas, eu sou deficiente agora, mudou pessoalmente, emocionalmente, tudo, mudou toda a minha rotina. Sou uma nova pessoa, infelizmente”. 

desabafou o motoboy.

Em abril de 2022, a 2ª Vara do Tribunal do Júri de Curitiba decidiu que a mulher iria a júri popular por tentativa de homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de matar, e também por não prestar socorro à vítima.

A decisão do STJ, assinada pela ministra relatora Daniela Teixeira, é do último dia 27 de fevereiro, mas veio a público nesta quarta-feira. Por unanimidade, os ministros da Quinta Turma do STJ negaram um recurso do Ministério Público Federal (MPF) com a justificativa de que a via estava mal sinalizada e isso fez com que Cassiane se confundisse ao passar pela canaleta.

Apesar da decisão do STJ, ainda cabe recurso junto ao Supremo Tribunal Federal (STF). A advogada Thaise Mattar Assad, que representa a motorista, disse que a decisão vai ao encontro do que a defesa pediu, mas isso não significa que a Cassiane não será julgada.

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Foto: Arquivo Banda B

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