O Ministério Público do Paraná (MP-PR) denunciou Aluysio de Melo Borges Neves, motorista suspeito de participar de um “racha” que terminou com a morte de dois jovens e deixou outras duas pessoas gravemente feridas no bairro Fanny, em Curitiba, em abril de 2023. Ele deverá responder por crimes com base no artigo 308 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que trata da participação em corridas ilegais com resultado grave.

Além da denúncia, o Ministério Público pediu que Aluysio pague uma indenização às vítimas e suas famílias. O valor sugerido é de R$ 200 mil por cada uma das vítimas fatais — Gabrielle Ribas Simões, de 21 anos, e Luiz Eduardo Augustin Schlocobier, de 18. Para as outras duas vítimas, que ficaram gravemente feridas, o órgão sugeriu indenização de R$ 60 mil e R$ 25 mil. Os valores serão atualizados até a data do pagamento.

MP denuncia motorista envolvido em possível racha que provocou morte de dois jovens no Fanny
Colisão durante suposto ‘racha’ matou dois jovens e deixou outras duas pessoas gravemente feridas; caso aconteceu em abril de 2023 – Foto: Banda B

O MP defende que acidente aconteceu durante uma disputa ilegal de velocidade em via pública. Segundo apontam as investigações, Aluysio dirigia em alta velocidade, a cerca de 109 km/h, quando causou a batida em uma via com velocidade máxima permitida de 40 km/h (veja vídeo abaixo). A disputa teria se estendido por 1,5 km.

Aluysio dirigia um veículo Citroën DS3 Turbo quando disputava a suposta corrida ilegal com um carro preto, que não foi identificado. Em um cruzamento, porém, ele colidiu contra um Fiat Argo ocupado pela motorista e os passageiros Gabrielle e Luiz Eduardo. O automóvel atingido estava a 28 km/h.

“Após o abalroamento, o veículo FIAT/ARGO, placas XXXXXX (Curitiba/PR), rotacionou, saiu do leito da via, atingiu o meio-fio com os rodados, abalroou, lateralmente, um poste de iluminação, rotacionou novamente e retornou à pista, a 24 metros (vinte e quatro metros) de distância do local do impacto”, diz trecho da denúncia.

Gabrielle Ribas Simões e Luiz Eduardo Augustin Schlocobier – Foto: Arquivo pessoal

Gabrielle Ribas Simões ocupava o banco dianteiro do Fiat e morreu no local, enquanto Luiz Eduardo, que estava no banco traseiro, chegou a ser socorrido ao Hospital do Trabalhador, mas morreu em seguida. A motorista foi socorrida em estado grave. A então namorada do suspeito também teve ferimentos graves.

“A denúncia traz quatro crimes de racha, dois com resultados morte e outros dois com resultados lesão corporal grave. Os crimes com resultado morte têm pena mínima de 5 anos para cada um deles. Os resultados de lesões corporais graves têm pena de 3 anos para cada um. Se condenado, a pena se inicia em 16 anos. Nós esperamos que, num futuro muito próximo, alcancemos a justiça efetiva e que tenhamos uma pena exemplar para que casos de racha e desrespeito de trânsito não aconteçam”, disse o advogado que defende a família de Gabrielle, Jackson Bahls.

Aluysio de Melo Borges Neves responde pelos crimes em liberdade. Ele chegou a ser preso em flagrante pela Delegacia de Delitos de Trânsito (Dedetran), mas foi solto após pagar fiança de R$ 1.302.

O alvará de soltura de Aluysio foi expedido pelo juiz Lourival Pedro Chemin, da Vara de Delitos de Trânsito de Curitiba. Inicialmente, a fiança estabelecida era de pouco mais de R$ 13 mil, mas a defesa alegou que ele não tinha condições financeiras. 

“A gente espera que a justiça seja feita o mais rápido possível, para que outras mães não sofram o que eu sentindo e o que eu sofrendo nesses dois anos que vai fazer agora, com a partida da minha filha… Que a gente acabe com esse tipo de crime”, afirmou a mãe de Gabrielle, Zaiane Patrícia Ribas.

O que diz a defesa do motorista denunciado

Em nota enviada à Banda B, a defesa de Aluysio de Melo Borges Neves afirmou que “as vítimas, infelizmente, avançaram a via preferencial” e ignoraram as sinalizações de trânsito no local. O advogado Ygor Nasser Salah Salmen alegou que a condutora envolvida no acidente tem “diversas infrações por excesso de velocidade”. A defesa destacou ainda que Aluysio não participava de um “racha” no momento da colisão. Veja a nota na íntegra abaixo:

“Na qualidade de advogado de Aluysio de Melo Borges Neves, esclareço que as vítimas, infelizmente, avançaram a via preferencial, desconsiderando completamente as sinalizações e alertas de parada obrigatória. Além disso, o veículo das vítimas possuía diversas infrações por excesso de velocidade e outras irregularidades administrativas. Notavelmente, todas as multas foram quitadas logo após o acidente, o que indica uma possível tentativa de induzir as autoridades ao erro.

Destaco que ele não participava de qualquer competição automobilística não autorizada. Na verdade, havia outro veículo envolvido na suposta disputa, que nunca foi identificado, e a autoridade policial não realizou diligências adicionais para localizar os verdadeiros responsáveis.

Diligências realizadas pela defesa e vídeos apresentados no processo — todos eles ignorados pelo Ministério Público — demonstram que o veículo de Aluysio trafegava em baixa velocidade poucos metros antes do acidente.

Além disso, ele não ingeriu bebida alcoólica, permaneceu no local do acidente, realizou o teste do bafômetro, prestou toda a assistência necessária, acionou as autoridades e, desde então, está à disposição para quaisquer esclarecimentos.

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