O Ministério da Saúde está investigando uma morte por febre oropouche de um paranaense que viajou para Santa Catarina. O homem esteve em algumas cidades de SC e morreu em abril deste ano. Se confirmada, essa seria a terceira morte pela doença no mundo.

Em um comunicado divulgado nesta segunda-feira (22), a Secretaria de Estado da Saúde de SC, por meio da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive), disse que está acompanhando a investigação, a qual é conduzida pelo Estado do Paraná com apoio do Ministério da Saúde.

O caso foi notificado pela Secretaria da Saúde do Paraná após o paciente procurar por atendimento em unidades de saúde do Estado. O Ministério da Saúde recomenda a investigação dos óbitos suspeitos ou confirmados pela doença.

oropouche
Mosquito Culex — Foto: Lauren Bishop/CDC/Divulgação

“Durante a investigação, foi estabelecido que o local provável da transmissão foi em Santa Catarina, uma vez que o paciente teve registro de viagem ao Estado”, disse a Diretoria de Vigilância Epidemiológica de SC.

O homem teria passado por Blumenau e outras cidades catarinenses, o que demonstra que o caso pode ser importado. Ele era morador de Apuracana, norte do Paraná.

Entre dezembro e esta terça-feira (23), nove casos de febre oropouche foram confirmados no Paraná. “Destes, apenas um segue em investigação quanto a autoctonia. Os outros oito casos são todos importados”, disse a Secretaria da Saúde.

Até o momento, duas mortes pela doença foram confirmadas no País: ambas na Bahia. O último óbito foi de uma jovem, de 21 anos, que morava em Camamu, a cerca de 195 km de Salvador. Ela morreu em maio, mas a causa só foi confirmada nesta segunda-feira (22). A primeira morte confirmada no Estado baiano foi de uma jovem, de 24 anos, que morava em Valença, a cerca de 123 km da capital. Ela morreu em março.

A Secretaria da Saúde da Bahia disse que o Estado passa por um surto de febre oropouche: 835 casos em 59 cidades já foram confirmados.

Em todo o País, mais de 7.117 casos da doença já haviam sido registrados até este domingo (21).

O que é a febre oropouche

A febre oropouche é transmitida pelo mosquito Culicoides paraensis, conhecido popularmente como maruim. Os sintomas da doença são parecidos com aos da dengue e chikungunya. A transmissão da febre oropouche é feita principalmente por mosquitos.

Veja quais são os sintomas mais comuns:

💊 Dor de cabeça;

💊 Dor muscular;

💊 Dor nas articulações;

💊 Náusea e diarreia.

Depois de picar uma pessoa ou animal infectado, o vírus permanece no sangue do mosquito por alguns dias. Quando esse mosquito pica outra pessoa saudável, pode transmitir o vírus para ela.

Segundo o Ministério da Saúde, existem dois tipos de ciclos de transmissão da doença:

  • Ciclo Silvestre: Nesse ciclo, os animais como bichos-preguiça e macacos são os hospedeiros do vírus. Alguns tipos de mosquitos, como o Coquilletti diavenezuelensis e o Aedes serratus, também podem carregar o vírus. O mosquito Culicoides paraenses, conhecido como maruim ou mosquito-pólvora, é considerado o principal transmissor nesse ciclo.
  • Ciclo Urbano: Nesse ciclo, os humanos são os principais hospedeiros do vírus. O mosquito Culicoides paraenses também é o vetor principal. O mosquito Culex quinquefasciatus, comumente encontrado em ambientes urbanos, pode ocasionalmente transmitir o vírus também.

O diagnóstico é clínico, epidemiológico e laboratorial. Todo caso com diagnóstico de infecção deve ser notificado. A febre oropouche compõe a lista de doenças de notificação compulsória, classificada entre as doenças de notificação imediata, em função do potencial epidêmico e da alta capacidade de mutação, podendo se tornar uma ameaça à saúde pública.

Não existe tratamento específico para a doença, e os pacientes devem permanecer em repouso, com tratamento sintomático e acompanhamento médico.

Como evitar?

  • Evitar áreas onde há muitos mosquitos, se possível;
  • Usar roupas que cubram a maior parte do corpo e aplique repelente nas áreas expostas da pele;
  • Manter a casa limpa, removendo possíveis criadouros de mosquitos, como água parada e folhas acumuladas;
  • Se houver casos confirmados na sua região, siga as orientações das autoridades de saúde local para reduzir o risco de transmissão, como medidas específicas de controle de mosquitos.

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