Redação
O júri popular do responsável pela organização de um show de rock no Jockey Club, em Curitiba, em maio de 2003, que acabou com a morte de três adolescentes vai acontecer nesta terça-feira (30), às 8h30. Athayde de Oliveira Neto foi apontado como responsável pelo show e, se condenado, pode pegar 12 anos de prisão para cada homicídio. O julgamento acontece na 2ª Vara Privativa do Tribunal do Júri (TJ-PR) e poderá durar até dois dias.
Há quase 14 anos, três jovens morreram e outras 50 foram pisoteadas em um tumulto generalizado. Os portões foram abertos com atraso, no momento em que a banda iniciou o show. As pessoas que esperavam para entrar e estavam próximas ao portão foram esmagadas. Na época, Mariah de Andrade Souza, 14, Larissa Seletti, 15, e Jonathan Raul dos Santos, 15, morreram por causa de fraturas provocadas pelo empurra-empurra. Mariah chegou a ser levada para o hospital Cajuru, mas morreu no caminho. O evento teve apresentações das bandas Charlie Brown Jr., Raimundos, Tihuana e Natiruts.
Athayde Neto é acusado de homicídio com dolo eventual com motivação torpe, já que para o Ministério Público do Paraná (MP-PR) ele visou lucro ao vender mais ingressos do que a capacidade do espaço. Além disso, ainda conforme o MP-PR, o show foi realizado sem alvará dos bombeiros e da prefeitura e a organização cometeu diversas falhas no quesito segurança.
Defesa
Entretanto, a defesa promete trazer fatos ainda não revelados sobre as responsabilidades da tragédia de maio de 2003, durante um festival de rock no Jockey Clube. “Neto é um inocente útil e vamos provar isso”, disse o advogado Claudio Dalledone, que defende o principal acusado do caso.
Segundo a defesa, para provar que Athayde Neto foi de fato um “inocente útil”, Dalledone adianta que convocou como testemunhas figuras do alto clero da política paranaense. “Um deles, um deputado, pediu para ser ouvido em sala separada, não quer estar diante do júri do povo, dos olhos atentos da sociedade que clama por justiça. Não quer ser indagado e questionado, ter de falar e responder perguntas sobre o assunto”, disse Dalledone.
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