Por Luiz Henrique de Oliveira e Denise Mello

O transporte coletivo de Curitiba e região metropolitana, referência nacional e internacional, parece ter andando para trás. Essa é a sensação dos passageiros que procuraram a Banda B, na manhã desta sexta-feira (20), para lamentar as mudanças na Rede Integrada de Transporte (RIT). Ontem (19),  primeiro dia útil com mudanças nas linhas, as filas ‘explodiram’ nos terminas de Curitiba. Os mais afetados são os do Campina do Siqueira, Capão Raso e Boqueirão.

campinaTerminal do Campina do Siqueira teve fila história (Foto: Sirlene Puchalski)

A depiladora Sirlene Puchalski fez fotos e vídeos da situação precária no terminal Campina do Siqueira para quem queria ir até Campo Largo e enviou à Banda B. O ônibus, que liga a cidade da RMC à capital, teve o trajeto encurtado e o resultado foi uma fila com mais de 200 pessoas no fim da tarde desta quinta-feira (19).

“Sempre teve fila, por problemas na BR-277 na época de obras, mas depois da mudança na tarifa piorou. Parece que tiraram ônibus e tem até briga para embarcar, o pessoal está ficando estressado. Ontem eram 200 pessoas para entrar, quando antes eram no máximo 30. Queria saber quem são os ‘campeões’ que fizeram essa mudança. Parabéns para eles”, ironizou.

Sirlene também fez um vídeo, que pode ser conferido abaixo:

A situação não ficou restrita ao Terminal Campina do Siqueira. O estudante Aurélio Reis também passou por dificuldades no Terminal Capão Raso, para ir até Araucária. “Tinha centenas de pessoas na fila ontem e antes não eram nem 15. A situação está restrita à Curitiba, em Araucária foi tranquilo de embarcar. Está todo mundo se concentrando no terminal. Fizeram uma besteira”, opinou. “Isso aqui é um barril de pólvora. Vai explodir a qualquer momento”, completou o pintor Marciano de Jesus, morador de Araucária.

capaoAurélio Reis também registrou fila, só que no Terminal Capão Raso (Foto: Arquivo Pessoal)

Antes, a linha Ligeirinho Araucária/Curitiba ia até o Centro. Com as mudança, o trajeto foi encurtado pela Comec (Coordenação dos Municípios da Região Metropolitana) e o ponto final agora é no Terminal Capão Raso. A mesma situação é vivida na linha Ligeirinho Campo Largo/Curitiba. A linha, que antes ia até o Hospital Militar, na Rua Vicente Machado, no Batel, agora termina no Terminal Campina do Siqueira.

Outro problema

A Banda B também recebeu reclamações de usuários da Araucária que agora, além de ter que pagar R$ 5,80 para vir Curitiba desde esta quinta-feira (19), estão tendo que descer fora do Terminal do Portão, em um poste amarelo, em frente a uma loja de materiais de construção. “Não consigo acreditar. Estou pagando R$ 5,80 agora pra vir trabalhar em Curitiba e o motorista me deixa neste ponto fora do terminal. Tenho que entrar agora no terminal, pagando mais R$ 3,30 pra conseguir chegar no centro de Curitiba. E na volta, vai ser a mesma coisa. Onde vamos parar. è absurdo demais”, reclama a diarista Gilvania Mendes, que vive em Araucária e trabalha em Curitiba.

De acordo com o apurado pela Banda B, na prática, a integração de Araucária para o Terminal do Portão acabou já que os passageiros têm que descer do ônibus fora do terminal e também embarcar do lado de fora. Porém, a asessoria da  COMEC, responsável pelas mudanças no transporte da região metropolitana, não confirma esta alteração. Segundo a assessoria, o órgão já recebeu reclamações desta linha alimentadora, vinda de Araucária, que está desembarcando passageiros fora do Terminal do Portão, mas informa que essa não é a orientação. Segundo a COMEC, o correto é apanhar e liberar os passageiros dentro do terminal. Providências para resolver a situação estariam sendo tomadas.

Respostas

O presidente da URBS, Roberto Gregório, respondeu os questionamentos da Banda B sobre a “explosão” das filas nos terminais. Segundo ele, um grande esforço está sendo feito para minimizar os transtornos com as mudanças da RMC, mas a prefeitura de Curitiba não pode interferir nas decisões da COMEC. ” Entre as medidas operacionais (para diminuir as filas ) está o reforço de linhas e a implantação de novas linhas, mas não podemos decidir pela COMEC. A população precisa ter plena consciência que a prefeitura de Curitiba está fazendo todo o possível para manter a comodidade e a integralidade operacional do sistema. Obviamente que  o que a COMEC e o Governo estão deliberando em relação ao corte de linhas é de responsabilidade da COMEC e o que estamos tentando fazer em Curitiba é tentar minimizar o impacto dessas mudanças”, informou o presidente da URBS.

“Temos colocado toda a infraestrutura dos terminais, sistemas de monitoramento e toda a equipe técncia no sentido de garantir a integração operacional do sistema urbano e metropolitano. Além disso, colocamos à disposição do governo e da COMEC o sistema de bilhetagem eletrônica. Todo um esforço para minimizar qualquer prejuízo do usuário. Agora, temos um limite de competência e não podemos decidir pela COMEC”, encerra Gregório.

Já a COMEC informa que as mudanças foram necessárias em razão da desintegração financeira do transporte de Curitiba e região Metropolitana. Sobre as filas, o órgão diz que, neste primeiro momento, a prioridade foi manter o pagamento da tarifa única na maioria das linhas. Para isso, foi necessário encurtar alguns trechos. Com relação ao aumento das filas, a COMEC ainda não se manifestou.

Notícias Relacionadas:

Com fim de convênio, trajeto de linhas da região metropolitana vai mudar; confira a lista

TCE diz que tarifa deveria baixar em Curitiba com desintegração econômica do transporte

📲 O Google pode parar de mostrar o portal Banda B. Clique aqui para ver nossas notícias.