Por Luiz Henrique de Oliveira
Governador respondeu a questionamentos de Adilson Arantes e Denise Mello (Foto: Geovane Barreiro – Banda B)[jwplayer mediaid=”133538″]
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O governador Beto Richa (PSDB) confessou que vive a maior crise política de sua carreira e que errou ao querer uma Comissão Geral na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), também chamada de ‘tratoraço’, para a aprovação do ‘pacotaço’ de austeridade. Apesar de reconhecer o equívoco, Richa disse, em entrevista nos estúdios durante o Jornal da Banda B 1° Edição, na manhã desta quinta-feira (26), que o rombo no Paraná começou no governo de Roberto Requião (PMDB).
“Peguei um governo com uma dívida de R$ 4,5 bilhões. Várias contas foram deixadas penduradas pela gestão anterior e nós precisamos gastar com a contratação de dez mil policiais militares, professores e a criação da Defensoria Pública. Tudo isso, aliado ao problema econômico nacional, nos levou a pedir a aprovação com urgência do ‘pacotaço’, o que eu reconheço que foi um erro pela forma que foi feita”, disse o governador.
Richa não poupou comparações do governo atual com o de Requião. Para ele, as mudanças no Paraná Previdência acontecem devido a erros do oposicionista. “Ele (Requião) se apropriou dos recursos para pagar dívidas. O que eu quero é garantir o equilíbrio do fundo previdenciário para deixá-lo estável e seguro ao servidor. Os adversários falavam que eu ia me apropriar do fundo previdenciário apenas para inflamar os manifestantes”, afirmou.
O tucano também garantiu que as finanças nos Estados não estão em situação precária por conta do elevado número de cargos comissionados. “Há um ano e meio eliminei diversos cargos comissionados do governo e também reduzi o número de Secretarias. Temos menos cargos comissionados do que no governo Requião”, cutucou.
Outro lado
Enquanto Richa falava à Banda B, pelo microblog twitter o senador Roberto Requião respondia ao adversário. Com relação a ter se apropriado de recursos do Paraná Previdência, Requião disse que é uma ‘mentira cínica’. Referente à afirmação sobre os cargos comissionados, o senador afirmou que, segundo o deputado estadual Tadeu Veneri (PT), Richa aumentou os gastos com comissionados em 400%.
Por fim, em relação as dívidas, o ex-governador afirmou que Richa fala como se não fosse sucessor de seu próprio governo, uma vez que está no segundo mandato.
Greve dos professores
Richa foi questionado sobre a situação da greves dos professores. Ele falou de uma suposta motivação política na invasão à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e afirmou ainda que acredita no retorno às aulas na segunda-feira (2).
“Estou otimista, porque todas as reivindicações da categoria foram atendidas. Acredito que está tudo resolvido e a greve vai acabar, com as aulas retornando na segunda. Agora com relação ao que houve na Alep, acompanhei com muita tristeza. Todos os deputados têm a legitimidade do cargo pela escolha do paranaense. Se isso virar moda, o que vai acontecer? Houve motivação política. Estou aberto ao dialogo e quero a ordem e a paz no Paraná”, disse.
O governador também foi questionado se a base aliada na Alep sai abalada depois do que aconteceu antes do Carnaval. “Os parlamentares têm desejo de participar comigo nesse novo momento da administração pública. Os deputados votaram de acordo com a consciência e não houve influência. Não posso precisar números, mas asseguro que a grande maioria dos deputados querem nos apoiar na Assembleia”, destacou.
O futuro
Mesmo confirmando que a situação financeira do Estado alcançou o limite prudencial (Lei de Responsabilidade Fiscal), o governador manteve, durante a entrevista, a postura de que o ‘melhor ainda está por vir’, usada durante a campanha eleitoral.
“O problema de dinheiro é nacional. Aumentos gritantes de tarifas públicas, na conta de energia, por equívocos e desencontros na gestão nacional. São necessárias medidas amargas neste momento. Pedimos a compreensão e esforço conjunto de toda a sociedade, mas mantenho a afirmação de que teremos grandes avanços. Não posso ser avaliado por um mês e meio, minha gestão terá quatro anos”, disse Richa.
Ele ainda defendeu o secretário da Fazenda Mário Ricardo, que veio de Salvador (BA) e, para a oposição, é um aventureiro. “Ele é competente e vai ajudar o Paraná, assim como fez na Prefeitura de Salvador com o ACM Neto. Essas declarações são maldosas e feitas por pessoas que só querem tumultuar o ambiente”, lamentou.
Também com relação ao futuro, Richa disse que o projeto para a duplicação da Rodovia dos Minérios (entre Curitiba, Almirante Tamandaré e Rio Branco do Sul), que ainda não saiu do papel, será concluído em breve. “Estamos concluindo as negociações para que a obra na Rodovia dos Minérios aconteça. É fundamental para essa importante região de Curitiba”, afirmou o governador, sem dar uma data para o início das obras.
Transporte coletivo
Ainda na entrevista, o tucano preferiu não fazer críticas diretas ao prefeito Gustavo Fruet (PDT), mas afirmou que a integração econômica da região metropolitana deveria ser de responsabilidade da URBS. “Temos feito a nossa parte, mas isso é complicado, porque sempre foi feito pela URBS. Continuo participando da discussão para que a passagem não suba mais. O transporte é mais uma vítima da crise nacional”, concluiu.
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