A Justiça do Paraná determinou que o policial federal Ronaldo Massuia Silva, acusado de matar uma pessoa e ferir outras três em um posto de gasolina de Curitiba, vá a júri popular. A decisão da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Curitiba ocorre nove meses após o agente ser preso em flagrante.

O policial federal foi denunciado em maio do ano passado pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) por homicídio triplamente qualificado, sete tentativas de homicídio triplamente qualificado e por peculato.

Poucos dias depois, a Justiça aceitou a denúncia contra Massuia Silva, que se tornou réu pela morte do fotógrafo André Muniz Fritoli e por sete tentativas de homicídios também triplamente qualificados. À época, a juíza Mychelle Pacheco Stadler também decidiu pela manutenção da prisão do acusado.

Policial federal abriu fogo contra clientes de posto de gasolina em 1º de maio de 2022 – Foto: Reprodução/Câmera de segurança

Na decisão proferida nesta segunda-feira (13), Stadler não afastou nenhuma das qualificadoras do crime (motivo fútil, recurso que dificultou defesa da vítima, mediante emprego de meio que resultou perigo comum).

“O acusado, ao ser interrogado em juízo, informou que não se recorda do ocorrido, mas confirmou que teve acesso às imagens das câmeras de segurança do posto de combustíveis e que tais cenas o afligiram, tendo pedido perdão pelo fato. Tais elementos indicam a presença de indícios de autoria, que, aliados à materialidade, preenchem os requisitos necessários à remessa desta ação penal para a segunda fase do rito do Tribunal do Júri”, diz trecho da decisão.

Foto: Banda B

A magistrada também negou o pedido da defesa do réu para que ele respondesse ao processo em liberdade.

Em nota, a assistência de acusação, que representa a família do fotógrafo André Muniz, afirmou que a expectativa é de que o réu seja julgado em breve e condenado pelo Tribunal do Júri.

O caso

O policial federal Ronaldo Massuia Silva, de 43 anos, foi preso em flagrante pouco depois de ele entrar em um posto de gasolina, no dia 1º de maio do ano passado, e atirar contra clientes. O crime aconteceu em uma loja de conveniências do posto localizado no bairro Cristo Rei, em Curitiba.

Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que o policial entra na loja e abre fogo contra os clientes. No vídeo, é possível ver que os tiros foram disparados à queima-roupa. Horas após ser preso, ele disse em depoimento que agiu em legítima defesa.

“Eu estou emocionalmente abalado. De alguma forma, no princípio das coisas, eu agi em legítima defesa. Só que assim, estou muito emocionalmente abalado. Eu estou muito ruim pelo meus filhos, pela minha namorada”, afirmou o policial em depoimento.

Veja momento em que policial abre fogo em posto de gasolina

O que diz a defesa:

A Defesa técnica de Ronaldo Massuia Silva informou, por meio de nota, que recebe a notícia da prolação da sentença de pronúncia, no presente caso, com muito respeito e muita tranquilidade, por ser apenas uma fase necessária do processo de júri.

A defesa destaca ainda que levará a matéria – por meio de Recurso em Sentido Estrito -, para discussão sobre a pertinência das qualificadoras ao Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (1ª Câmara Criminal).

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