Por Felipe Ribeiro
Geograficamente o Paraná possuí o segundo menor do litoral do país, maior apenas que o estado de Piauí, e mesmo assim não deixa de trazer histórias, emocionar e nos fazer acreditar na vida. Um desses casos ocorreu no último fim de semana em uma das mais famosas ilhas do extenso território brasileiro, a Ilha do Mel, e salvou duas crianças, duas vidas que estão apenas no começo e que ainda aproveitam da inocência para desbravar o perigoso Oceano Atlântico.
Jorge Porvilho é morador do nosso Litoral e teve a missão de resgatar os dois irmãos de cinco e sete anos, também paranaenses, e que por pouco não se afogaram próximo as pedras da Praia do Farol. Surfista, Porvilho disputava a Taça Paraná da modalidade e, por coisas do destino e da difícil vida de atleta profissional, decidiu ir de última hora para a praia que mudou seu modo de ver a vida.
“A maré estava cheia e eu estava deixando a bateria. Foi nesse momento que não consegui pensar em mais nada e fui para o local. A menina já estava no fundo e o menino estava tentando ficar na superfície da água. Creio que foi Deus quem me colocou ali para isso, não para o campeonato”, diz o surfista.
Apesar de talento para o surfe, o salvamento de uma pessoa é difícil e muitas vezes necessita do apoio de um profissional. Para este caso, Porvilho participou de um programa de capacitação no litoral paranaense e que já salvou outras vidas em temporadas de verão: o curso Salva Surf da ONG Parceiros do Mar e do Corpo de Bombeiros, que por alguns anos ficou inativo por falta de recursos.
Idealizado a partir de uma fatalidade familiar, o curso atende moradores e surfistas com o objetivo de evitar novas mortes. Silvia Turra Grechinski criou a ONG em homenagem à irmã, Renata, que faleceu em fevereiro de 2012, após ficar enroscada em um artefato ilegal de pesca enquanto surfava na praia de Coroados/Barra do Saí, em Guaratuba.
“Após a fatalidade, entendemos a importância de duas frentes de trabalho, que é a orientação para os pescadores e população local sobre lixo e áreas irregulares, quanto o treinamento para surfistas poderem fazer o salvamento. Hoje temos 68 surfistas capacitados e um destes conseguiu salvar duas crianças no sábado, o que nos deixa muito felizes”, conta.
“Emoção sem explicação”
Para Porvilho, a emoção que ele sentiu após o salvamento foi uma alegria de vida. “Ver aquelas duas crianças bem e sorrindo na pousada foi uma emoção sem tamanho, um sentimento bom de quando se faz o bem”, relata.
Silvia, porém, não consegue esconder a emoção de ver o projeto Salva Surf dando certo. “Eu não tinha parado nem pensar nisso, mas é muito gratificante. Saber que um deles salvou com sucesso dois irmãos é inexplicável”, concluiu.
O Instituto Renata Turra Grechinski – ONG Parceiros do Mar foi fundado para lutar por um litoral mais seguro para todos, congregando três pilares de atuação: segurança no mar, conservação e preservação ambiental, e temáticas relativas à pesca.
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