
Na mesma semana em que a Justiça do Paraná emitiu uma série de solicitações para desbloqueios de imóveis e o fim de penhoras do Coritiba, que teve aprovado o seu plano de recuperação judicial (PRJ) em 24 de agosto, um dos credores do clube abriu uma brecha que pode trazer problemas ao Alviverde nos próximos meses.
O meia argentino Martin Sarrafiore, de 25 anos, atuou pelo Coxa por 16 partidas em 2020, fazendo somente um gol, mas alega ter R$ 550 mil a receber do Alviverde. Na segunda semana de novembro, a 20ª Vara do Trabalho de Curitiba acolheu as alegações do atleta e dos seus advogados, concedendo liminar para que a Sociedade Anônima de Futebol (SAF) do Verdão arque com o pagamento, uma vez que seja adquirida por algum investidor.
Já constituída neste ano, a SAF do Coritiba ainda não foi negociada, uma vez que está sendo alvo de prospecções por parte da XP Investimentos e da Alvarez & Marsal, empresas parceiras do clube. O formato da venda (se incluirá o Couto Pereira e o CT da Graciosa, por exemplo) ainda está sendo fechado pela diretoria, que pode ter novidades em 2023, conforme indicado em mais de uma entrevista neste ano.
Para Sarrafiore, significa poder buscar a íntegra do que alega ter de direito – salários atrasados, verbas rescisórias e multas em torno do seu empréstimo, feito pelo Internacional. Além disso, o jogador poderá, possivelmente, receber fora dos termos do PRJ, que prevê descontos e alongamento dos pagamentos de débitos trabalhistas por até 12 anos.
Possíveis cenários
Com mais de 70% de votos favoráveis, a proposta alviverde foi aprovada em Assembleia Geral de Credores, realizada no Alto da Glória, no dia 24 de agosto. Dentro dele, estão previstos os pagamentos de mais de R$ 120 milhões das dívidas totais do Coxa, que são de R$ 268 milhões, segundo o mais recente balanço, divulgado em abril.
A direção coxa-branca não se pronunciou sobre o assunto. A tendência é buscar a derrubada da decisão na Justiça do Trabalho, sob pena de ver uma corrida de outros credores insatisfeitos e que seguem recorrendo mesmo após a aprovação do PRJ, como o ex-treinador Paulo César Carpegiani, ao mesmo mecanismo.
Se crescer o ônus para qualquer investidor do montante de dívidas do Coritiba, isso pode ferir sensivelmente a SAF do clube, uma vez aberta para compra de ações e posterior injeção de recursos, quer seja para a parte do futebol ou para o extra-campo. Com o PRJ, o Coxa equaciona de maneira controlada e previsível a sua dívida, tornando-se assim mais atrativo para quem queira investir no Alviverde.
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