Dominic é um cão de cinco anos da raça Dachshund, muito ativo, brincalhão e encantador, com seus olhinhos bicolores que dão todo um charme à parte. Nos últimos dias, porém, ele está mais quieto e se recuperando de uma cirurgia delicada na coluna.
Dom Dom, como é chamado pelas tutoras, foi diagnosticado com uma doença de disco intervertebral, um problema que ocorre na coluna dos cães de raças condrodistróficas, como é a dele. Ele foi operado e uma “vaquinha” online foi criada para a ajudar com os altos custos do procedimento.

Foto: Arquivo da família.
O animal recebeu alta do hospital onde passou pelo procedimento, em Curitiba, nesta quinta-feira (15), e se recupera surpreendentemente bem em casa. Uma rotina de novos cuidados já começou a ser adotada na casa da profissional de educação física Amanndha Silva e da vendedora de floricultura Poliana Magni, o casal de tutoras do cão.
Segundo elas, foi um processo muito rápido e elas não poderiam imaginar que cuidados simples poderiam ter evitado o grande susto.
“O Dom Dom é muito ativo, curioso, um cachorro que se movimentava muito pra lá e pra cá. O barulhinho das patinhas era a marca registrada, porque não parava. Notamos que ele estava dando algumas falseadas, enquanto caminhava ele tropeçava sozinho, mas nunca imaginamos que poderia ser um problema real de saúde. Só que a gente foi reparando que os tropeços foram começando a ficar mais frequentes”,
relata Poliana.
As tutoras buscaram auxílio médico e Dom foi passou alguns dias internado. Ele melhorou com a medicação intravenosa, mas foi só voltar para casa que o quadro piorou ainda mais. Até que um dia, segundo a tutora, a família iniciou a rotina de sempre e Dom não quis descer as escadas do apartamento para o passeio da manhã. Teve que ser carregado no colo. Também quis retornar imediatamente. Além disso, não conseguia movimentar o pescoço, apenas os olhinhos.
O cão então passou alguns dias internado. Recebeu tratamento clinico e apresentou melhora. Já caminhava melhor. Mas foi só retornar para casa e parar com a medicação intravenosa que as pernas começaram a falhar, Dom passou a reclamar de dor e começou uma corrida contra o tempo para evitar que acontecesse o pior a ele.
O tratamento físico não seria a melhor alternativa e ele precisaria de cirurgia. Dom estava passando por uma compressão na medula que poderia ser fatal ou gerar uma perda de movimentos muito grande.

Foto: Arquivo da família.
“A gente ficou bem apavorada, desesperada. A doutora teve uma conversa muito franca com a gente, expôs todos os riscos da cirurgia dele. Ele teve uma lesão entre as vértebras C3 e C4, então tinha risco de parada cardiorrespiratória, perda de movimento no pós-cirúrgico. Mas a todo momento a equipe passou muita confiança.”
Cirurgia o quanto antes
Entre o risco de perder Dom e o de fazer a cirurgia, as tutoras optaram pelo segundo e em menos de 24 horas Dom foi operado por uma equipe de neurologistas. Foi uma cirurgia muito bem sucedida, cheia de cautelosa e que durou duas horas.
“Ele já começou a se locomover, recebeu alta na noite desta terça e foi para casa com alguns remédios – antibiótico, anti-inflamatório, analgésicos e também vai fazer acupuntura e fisioterapia”,
explica o médico veterinário Leonardo Stelle, responsável pelo setor de ortopedia e neurocirurgia do Hospital Veterinário São Bernardo, em Curitiba.
Stelle contou com o apoio do neurologista Fernando Bach para a realização da cirurgia de Dom.
Passado o susto, as contas…
Passado o desespero por causa do quadro crônico de Dom, as tutoras Poliana e Amanndha terão toda uma readaptação pela frente e as contas do hospital para pagar, além de tudo o que envolve o tratamento. Somente o valor total de internação com cirurgia ficou em R$ 10.675,09.
“Nós duas, com a renda que temos, sabíamos que não seria tarefa fácil. Na primeira internação, mobilizamos uma rifa de um vale-compras e foi um sucesso. Em menos de 24 horas vendemos a rifa, que custeou a internação e medicamentos. Agora, dois neurologistas operaram ele, então é valor muito alto. É muita medicação, suplementação alimentar. Um processo longo, trabalhoso, que movimentou muita gente. Nós temos muita fé de que pra Deus nada é impossível. A gente abraçou a causa. Tínhamos certeza de que iríamos conseguir.”

Foto: Reprodução.
Uma “vaquinha” online foi criada pelas tutoras e, segundo elas, criou-se uma corrente em torno da causa. “Ainda falta bastante, mas nossos amigos estão ajudando bastante e espalhando a história do Dominic. Ainda precisamos de muita ajuda. Não vai ser fácil quitar o valor total. Apostamos todas a fichas que vamos conseguir custear tudo e Dom vai passar por essa firme e forte”, diz a vendedora.
Além disso, toda a dinâmica da casa já começou a ser alterada. As tutoras estão adaptando o espaço do apartamento onde moram para que Dom não escorregue, criando cercadinho e trocando os brinquedos.
“Algumas coisas do dia a dia, que parecem simples, acabaram gerando a lesão. É até um alerta pra quem tem cão nessa condição. A gente sabe que daqui pra frente será uma rotina diferente. Eles gostam de correr, pular, a vida deles é fazer bagunça. Agora só bolinhas, pelúcias, que ele não precise sacodir o pescoço pra brincar, como ela fazia com brinquedo de cordinha, que era a brincadeira preferida dele.”
Cuidados com raças condrodistróficas
Normalmente, o problema que acometeu Dom é mais frequentemente em cães de raças condrodistróficas, como são, além dos Dachshund, raças como Basset Hound, Buldogue, Shitzu, Lhasa-Apso, entre outras.

Foto: Arquivo pessoal.
“A condrodistrofia é com cães que tem o eixo ósseo meio retorcido e encurtado e ficam com aspecto de animais mais rebaixados. Com mais frequência, esses acabam tendo essas alterações, tanto nas articulações como na coluna, na parte do disco que separa as vértebras. O que ocorre com mais frequência é uma degeneração desse físico um pouco mais antecipada que o normal e acomete eles um pouco mais jovens”,
explica Stelle.
A condição, conforme o médico veterinário, pode gerar desde quadros de dor a paraplegia, tanto de membro toráxico como de membro pélvico. “Aí depende de onde vai ser a lesão. No caso do Dom, foi na região cervical”.
Os tutores, de modo geral e não somente das raças condrodistróficas, devem ter bastante atenção. “Geralmente há um caráter genético nesse tipo de patologia e acaba que o pessoal as vezes na reprodução é feito cruzamento entre parentes. Isso favorece com mais frequência esse tipo de alteração”, afirma o médico.
Entre os sinais estão déficit locomotor, prostração, dificuldade para subir e descer degraus ou sofá. “É um indicativo de que pode estar acontecendo algum problema em relação a isso. Em alguns casos mais graves, começam a ter sinais neurológicos, às vezes paralisia de membros, tanto de um lado ou do outro, como bilateral.”
Visitas periódicas ao médico veterinário
A orientação é que o tutor leve seu cão sadio ao médico pelo menos uma vez ao ano, não somente para a atualização de calendário de vacina, mas para tirar dúvidas, fazer exame clínico de rotina e, assim, pode se antecipar a qualquer tipo de problema que o cão possa apresentar, orienta Stelle.
📲 O Google pode parar de mostrar o portal Banda B. Clique aqui para ver nossas notícias.