Da esquerda para a direita, a Terminal Guadalupe é formada por Marcelo Caldas, Dary Esteves Jr., Allan Yokohama e Fabiano Ferronato. (Foto: Divulgação)

Lá no início dos anos 2000, em pleno ápice eloquente da cultura digital, pelas bandas de cá, em Curitiba, a bandaTerminal Guadalupe eclodia com a divulgação do seu primeiro álbum o “Burocracia Romântica” (2003) – que, pelas tantas, contava com a Poléxia no estopim do projeto. Vinte anos depois, a Terminal Guadalupe faz o seu ‘comeback’ com “Agora e Sempre” (Loop Disco/2022), álbum quadrilingue, com 10 faixas e a produção musical assinada por Iuri Freiberger e Allan Yokohama.

Liderada desde os primórdios pelo frontman Dary Esteves Jr. [foto], atualmente a Terminal Guadalupe conta com Marcelo Caldas (baixo), Fabiano Ferronato (bateria) e Allan Yokohama (guitarra, violão, programação e voz), após outras formações e contribuições sonoras. 

Duas décadas depois, a Terminal Guadalupe se depara com a principal transição de sua longínqua trajetória: o reencontro com o público e a construção de um novo ‘fandom‘ em meio aos novos meios de difusão da indústria musical.

(Foto: Rodrigo Lemos) 

Àquele período, quando surgiram, a Terminal Guadalupe revolucionou o mercado – principalmente em Curitiba – diante de um período marcado pela pirataria. Ainda assim, coesos sobre as suas dificuldades ao que era dominado como cena independente, a banda sempre fez do próprio corre a temporalidade da sua história. Tanto que, em uma contemporaneidade musical marcada pelas plataformas digitais, a banda divulgou suas obras em diversos formatos: SMD, MP3, pendrive, CD e DVD.

(Foto: Marcelo Caldas)

A Terminal Guadalupe sempre foi muito curiosa em relação às possibilidades do acesso à obra. E conseguimos um cenário favorável à época. Surgimos logo no início do ‘boom’ da indústria cultural como commodity e capital econômico, o que facilitou muito o nosso acesso aos festivais”, revela Dary Esteves Jr. em entrevista ao Música é o Canal, por videochamada, ao relembrar os idos da banda quando circularam pelos principais festivais da música brasileira. (Foto: Marcelos Caldas)

Agora e Sempre” é o quarto álbum de estúdio da Terminal Guadalupe, lançado 15 anos após “A Marcha dos Invisíveis” (2007) que, de longe, é um projeto essencial e divisor de águas na sonoridade da banda. 

O álbum foi gravado no famigerado Toca do Bandido fundado pelo produtor Tom Capone (1966-2004) – e, administrado atualmente por Constança Scofield em parceria com Felipe Rodarte. “A Marcha dos Invisíveis” foi lançado em CD e ganhou uma edição especial em SMD e DVD, comercializados em shows da banda pela bagatela de R$13 atualmente, é vendido em sites por mais de R$100

Quem nos acompanhava naquele período, hoje em dia são pais e mães. E o que vivemos agora, é um novo processo da própria indústria e seus nichos. Sobrou para a gente as redes sociais. É a nossa independência e estamos nos adaptando, pois o disco é um esforço de comunicação”, constata Dary.

(Foto: Marina Ginde)

  

Agora e Sempre

De fato, “Agora e Sempre” é um álbum que destoa de todos os outros, desde a pré-produção, realização, sonoridade e claro, em meio ao processo, a pandemia mundial. Não bastasse todos os desafios territoriais – literalmente – , o novo álbum da Terminal Guadalupe começou a ser esboçado, segundo Dary, logo no início do lockdown no Brasil. “Após um mês de pandemia, o Alan [Yokohama] me envia uma mensagem de Portugal para nós fazermos um álbum de inéditas”, revela. 

Agora e Sempre” foi gravado nos estúdios da Casa do Fundo e Arnicaem CuritibaLeo Bracht Transcendental em Porto Alegre IO em Montevidéu – e Hybrid 13 e Yokohama Studioem Lisboa. O álbum lançado digitalmente, chegou às plataformas em 05 de setembro, data alusiva ao 53ª aniversário do Ato Institucional nº 13. Não à toa, o contexto poético de “Agora e Sempre” apresenta ao longo das dez faixas, o que a Terminal Guadalupe define como um retrato do Brasil: denso, sombrio e com um fio de esperança.

Com canções em português, inglês, espanhol e italiano, o álbum traz as participações especiais do uruguaio Dany López – em “Ahora y Sempre” -, do cantor e compositor carioca Franco Cava –  em “Privè” – do tecladista Rodrigo Lemos – em “A Flor de Drummond” e “¿Qué Pasa, Cabrón?”. Vale ressaltar que, em  “Ahora y Sempre” as palmas são de Nuno Pereira, Mariana Milagaia, Dario Tiglia e Alexandre Azevedo

As músicas transitam por universos diferentes, mas sempre chamam as coisas pelo nome, com a crueza de sentimentos que a realidade impõe. Isso torna o disco muito pesado ao mesmo tempo em que deixa claro: desistir não é uma opção. Buscamos forças. E recorremos a ironia, crítica e esperança para equilibrar as emoções”, teoriza Dary via release encaminhado pela assessoria de imprensa, assinada pelo próprio artista que também é jornalista.

Assim como boa parte dos álbuns lançados neste ano, o processo de criação teve um ponto em comum e de convergência entre os integrantes do Terminal Guadalupe: o grupo de Whatsapp. Remotamente, a produção de “Agora e Sempre” é uma experiência completamente efêmera ao longo dos 20 anos da banda e suas respectivas formações. 

No entanto, a Terminal Guadalupe, consegue um feito inédito em “Agora e Sempre“. Ainda que, cada um em um canto do mundo, o álbum ressoa essa junção de sotaques e identidades culturais. 

Em um contexto social onde a música brasileira está em voga internacionalmente, a Terminal Guadalupe faz do seu novo álbum, um eco que ultrapassa as barreiras e, consolida, não apenas os 20 anos de compreensão mercadológica. Mas a identidade que verve a banda desde a sua estreia: as conexões e possibilidades artísticas a partir da união poética e musical. Inexoráveis, agora e sempre.

Quem consome música hoje, acessa de outra forma. Estamos tentando nos encaixar. A gente não sabe para onde vai. Mas, mantemos a história da banda e nos comunicamos com diferentes públicos”.

Próxima parada

Pelo Facebook, a Terminal Guadalupe anunciou o reencontro nos palcos em 2023. Curitiba será o ponto de encontro para o show de estreia do álbum “Agora e Sempre“. Segundo Dary, a apresentação do quarteto deve acontecer em 13 de janeiro, no The Bowie.

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