A fotógrafa curitibana Luciana Petrelli retorna à cidade para lançar seu mais novo projeto, “Teatro sem Plateia“. Em fotolivro com acabamento de luxo, ela apresenta ensaios autorais realizados entre 2020 e 2022, em um trabalho de ressignificação de sua carreira, como a própria define. O encontro acontece na próxima terça-feira (19), às 18h30, na livraria Telaranha.

A Banda B conversou com a artista para saber mais de sua nova fase e como a produção se enquadra em uma trajetória de sucesso por trás das câmeras – que agora assume o lado oposto das lentes com ousadia.

Colagem de fotos do livro "Teatro sem Plateia", de Luciana Petrelli.
Fotolivro “Teatro sem Plateia” será lançado em Curitiba na próxima terça-feira (19), com presença de Luciana Petrelli. Foto: Divulgação

“Teatro Sem Plateia”: a nova empreitada de Luciana Petrelli nas artes

Luciana, que completará 68 anos no próximo dia 30, iniciou sua carreira artística em 1976, trabalhando no fotojornalismo cultural. Ainda em Curitiba, ela foi fotógrafa oficial do Balé Teatro Guaíra, responsável por eternizar as apresentações da terceira companhia pública mais longeva do Brasil.

A experiência pavimentou caminho nas artes visuais e tornou-se a principal referência estética da fotógrafa do movimento. Com trabalhos expostos no País e no mundo, ela é reconhecida pelo registro de gestos elaborados que tornam composições dramáticas reais em especulações ficcionais.

Em “Teatro sem Plateia”, Luciana vai além. As fotografias que dariam origem ao livro iniciaram durante o isolamento causado pela pandemia de Covid-19.

Afastada dos trabalhos convencionais sobre os palcos, ela fez de sua casa, em Florianópolis (SC), a ribalta de sua nova empreitada artística. Os experimentos começaram de forma “lúdica”, sem ela se imaginar como protagonista da própria obra.

Mais como personagem do que autorretrato, ela canaliza pelo seu corpo – e de seu olhar – anseios maiores que os que cabem somente dentro de si.

Esse trabalho não me representa como autorretrato, e sim como uma mulher. Eu estou representando vários aspectos, como a subjetividade feminina, a idade, me ressignificar como fotógrafa. Este não é um trabalho encomendado, não é uma pauta. É um trabalho que eu tive que fazer uma pesquisa, elaborar quais elementos eram aqueles e que sentido eles teriam

afirma Luciana.

Um novo salto dentro das artes

A artista não se reserva ao falar que “Teatro sem Plateia” é um marco inédito em sua trajetória. É ele que posiciona a fotógrafa dentro do retrato, concretizando um movimento de reencontro profissional iniciado há seis anos.

[‘Teatro sem Plateia’] É um trabalho que me coloca dentro das artes visuais muito mais do que da fotografia documental. Essa é a importância para mim, que eu realmente sigo daqui para frente sobre outra outra perspectiva na fotografia

revela.

Em três atos, o projeto joga luz sobre três períodos diferentes no ínterim da pandemia: “Devaneio” (no limiar entre a realidade e a fantasia do confinamento), “Abismo” (quando o Brasil e o mundo agonizavam) e “Salto” (um deslocamento rumo ao desconhecido). As fotografias evocam artistas como Edvard Munch e René Magritte, ressignificados sob as lentes e o olhar da artista.

Explorando texturas e luzes produzidas pelo sol das 15h às 17h, Luciana transforma as composições em um diálogo provocativo junto ao público. “Se a arte estiver voltada só para si, não é arte”, resume, segura que a expressão de seu corpo é um convite à reflexão.

A arte não é para ser só beleza, e a graça passa. […] Eu tô falando de uma metáfora, e o lugar de fala do artista é quando ele se comunica com a sociedade. E você vai ver meu trabalho de acordo com o que você tem dentro de você. Você não precisa ver igual a mim

explica.

Um outro convite

Para além da contemplação das fotos, Luciana estende outro chamado. Ela estará em Curitiba na próxima semana para lançar o livro na cidade que a lançou para o mundo.

A artista apresenta o livro ao lado de Ana Sabiá (orientadora) e Luciana Molisani (editora e designer), ambas envolvidas na produção da obra pela Lovely House. O espaço que sedia o encontro é a Telaranha, livraria já referência no fomento cultural de Curitiba e região.

O projeto também passou por eventos de lançamento em Tiradentes (MG) e na cidade de São Paulo, no Instituto Moreira Salles (IMS), chegando agora à capital paranaense para autógrafos e debate. O livro tem 84 páginas, com fotos em alta resolução.

Serviço

“Lançamento do fotolivro ‘Teatro sem Plateia'”
Onde
: Livraria Telaranha (Rua Ébano Pereira, 269 – Centro)
Quando: 19 de maio de 2026 (terça-feira)
Horário: 18h30
Gratuito

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