A música POP no Brasil é desafiadora. Mas para alguns artistas, é justamente esse gostinho do desafio que inspira e faz ter vontade de lutar cada vez mais para conquistar seu espaço. É dessa forma que o cantor cearense Davi Bandeira chega nesta quinta-feira (11), com uma música nova, Praga, que vem carregada de tudo que o POP mais vive há tantos anos. 

Foto: Divulgação.

A nova música de Davi Bandeira foi inspirada em relacionamentos, mas no sentido um pouco oposto da paixonite que a gente costuma viver. “É uma canção forte para gritar e jogar tudo para fora. Ao mesmo tempo que fala sobre estar afim de alguém que nunca quer nada e rolar um arrependimento pós encontro. É uma música sobre ligar o foda-se e curtir a vida”, explica o artista.

Davi começou a fazer música em 2016. Em conversa com a Banda B, o cantor disse que a música e o clipe são encarados por ele como o trabalho mais significativo da carreira até aqui. 

“A gente tem o pé no chão, mas quando falamos que é o trabalho da carreira, acreditamos que é o que estamos entregando. Fazer Praga e colocá-la no mundo era um grande sonho, pois tem uma narrativa de música POP, um clipe com vários elementos, bem elaborado, uma música também bem elaborada, como se tudo tivesse sido uma construção para chegar até agora. Encaro como o trabalho mais especial e mais importante que já fiz até hoje, sim”. 

Veja o clipe:

Bebendo da fonte 2000

A nova música de Davi Bandeira vem cheia de referências do início dos anos 2000. O cantor ressalta que foi exatamente nessa época, com o POP nacional e internacional explodindo, que tudo começou pra ele. É dessa fonte que ele busca inspirações.

“Sem sombra de dúvidas. Eu fui uma criança dos anos 90 que teve a adolescência nos anos 2000. Comecei a sonhar em ser artista vendo Sandy e Junior, que tinha uma referência de música POP, tinha um palco gigantesco, entretenimento forte, aquilo pra mim era tudo. Mas também olhava para a música POP internacional, sou muito fã de Michael Jackson e Madonna, por exemplo”. 

Davi destacou que o POP contemporâneo é bom, embora os holofotes estejam em outros gêneros na maioria das vezes. Mas acredita que até nesse ponto o alicerce foi feito nos anos 2000. “A prova disso é que essa época continua muito em alta pela estética e tudo mais. Sinto que as coisas foram muito bem firmadas naquela época, muita coisa que vai ser eterna ali”. 

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Em busca do espaço

Ser do POP atualmente não é uma tarefa das mais fáceis. Somado a isso, Davi vem do Nordeste do país, onde o ritmo que mais é ouvido é o forró e suas vertentes. Ao entender que o gênero era o segmento que ele queria, veio junto a compreensão de que teria que estudar e fazer valer.

“Quando decidi que queria ser um profissional da área, comecei a estudar para além do campo artístico. Não tinha empresário, queria aprender e me mostrar um profissional sério no mercado para conseguir outras coisas. Fui estudar a partir do que outras pessoas do entretenimento estavam falando, como a Kamilla Fialho, e também fui ver como artistas que eu gostava e que administravam suas carreiras, como a Anitta, se portavam”. 

Davi reforçou que existem dois caminhos, o artístico, que é o gostar do que faz e precisar saber fazer aquilo, mas também o que acontece por trás, como profissionalizar tudo isso e colocar no mercado. 

“Aproveitei a pandemia para estruturar minha carreira. Comecei a desenhar de fato as coisas que eu queria e agora estou colocando no mundo. A música lançada agora, por exemplo, foi planejada para sair exatamente neste momento. Eu queria lançar músicas para a galera ir conhecendo, até chegar Praga que é uma produção maior, um POP mais descarado. Para isso eu precisei abrir o caminho. Tudo isso para vir o disco em novembro”. 

https://www.youtube.com/watch?v=fyuS60o2IHw

O maior desafio de Davi Bandeira, nessa busca pelo próprio espaço, tem sido o de furar a bolha que existe no “mainstream”. Entrar no mercado e apresentar minimamente para as pessoas como um produto que pode dar certo e que as pessoas podem levar a sério. Aos poucos vem conseguindo: em 2018, lançou Ariano, primeiro disco, que já soma mais de 2 milhões de reproduções nas plataformas digitais.

“Apresentar também para as pessoas é outro desafio, pois por ser do Nordeste as pessoas têm o estigma do forró e suas ramificações. Eu adoro o gênero, mas optei por fazer o POP e esse é um desafio também. Claro, tudo que eu vivi e ouvi a vida toda no Nordeste está também nas minhas músicas, mas de um jeito diferente”. 

Essa barreira aos poucos vem sendo quebrada. Pelo Spotify, por exemplo, Davi tem ouvintes em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e em Curitiba. Na capital paranaense, inclusive, o cantor já fez show.

“Tocar em Curitiba foi uma das maiores surpresas. Me apresentei num festival com Karol Conká e Gloria Groove. Achei que seria um fiasco, porque ninguém iria me conhecer. Coloquei todas as minhas energias para chamar a atenção e as pessoas ouvirem depois, mas quando subi no palco as pessoas estavam cantando, me conheciam. Isso foi uma surpresa muito boa, não esperava mesmo”. 

Foto: Divulgação.

Álbum em novembro

Em 2022, Davi Bandeira lançou três músicas antes de vir o lançamento desta semana. Tudo foi extremamente planejado, inclusive qual viria em que momento. Isso porque todas vão formar a composição do disco, que chega em novembro.

“Vão ser 11 faixas. E eu parti da ideia de que ‘se fosse minha última oportunidade de gravar um álbum, o que eu faria?’. Por isso saiu um disco bem intenso, com músicas que vão desde o POPzão mesmo e outras com uma pegada mais tropicais”. 

Junto da expectativa pelo lançamento, vem também o desejo de ir mais longe. Davi entende que, além de um trabalho bem executado,  tudo é questão de tempo e insistência, mas tem pés no chão. 

“Quero viajar o Brasil, fazer show em todos os lugares do país, e conseguir levar minha música para mais pessoas. Tenho pé no chão e sei que as coisas são a longo prazo, mas quero estar alguns estágios acima do que estou hoje, que a minha música alcance as pessoas cada vez mais, seja como for”. 

Foto: Divulgação.

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