Por Marina Sequinel
Uma jovem negra usou as redes sociais para denunciar um caso de racismo que a irmã, de 15 anos, sofreu dentro do ônibus Interbairros IV, em Curitiba. Segundo a internauta, um passageiro insultou a adolescente, tentou agredi-la e ainda cuspiu na cara dela.
“A minha irmã faz Técnico em Edificações no Colégio Estadual do Paraná e, na sexta-feira passada, ela teve uma aula especial no canteiro de obras em Santa Felicidade. Como moramos na região Sul, ela pegou o Interbairros IV, sentido Pinheirinho, para voltar para casa. Ela estava com alguns amigos”, contou a jovem, que preferiu não se identificar, em entrevista à Banda B.
Desabafo foi feito na rede social Facebook (Foto: Reprodução)Próximo ao terminal do Fazendinha, por volta das 18h, o homem entrou no ônibus e, enquanto a jovem escutava música com fone de ouvido, ele começou a xingá-la. “Esse cara cometeu diversos insultos nazistas, chamou a minha irmã de ‘macaca’, perguntou se os nossos pais eram ‘macacos’ e ainda disse que na ‘terceira guerra mundial’ terá prazer em matar todos os negros”, completou.
De acordo com ela, em seguida, o passageiro ainda tentou agredir a estudante. “As pessoas no ônibus ficaram só olhando e os amigos da minha irmã fizeram um círculo ao redor dela para tentar protegê-la. Como ele não conseguiu acertá-la, cuspiu no rosto dela”.
O homem desceu no Terminal do Pinheirinho e conseguiu fugir pela multidão. Segundo a vítima, ele é branco, alto, aparenta ter entre 30 e 35 anos e usava camiseta azul e calça bege, que parecia ser um ‘uniforme de trabalho’.
Logo após a agressão, ainda na sexta (17), a família registrou um Boletim de Ocorrência (B.O.) no Centro Integrado de Atendimento ao Cidadão (Ciac-Sul). Lá, a menor foi orientada a ir, no começo da semana, até o Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria).
Saga nas delegacias
Nesta segunda-feira (20), a ‘saga’ nas delegacias começou, de acordo com a jovem. “Nós fomos ao Nucria e disseram que não era ali, que era na delegacia da região. Seguimos para lá e os policiais nos mandaram até a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa, mas também não era lá. Ficamos das 8h às 18h perambulando pelos distritos e ninguém nem parou para ver as fotos e vídeos que a minha irmã fez no ônibus”, explicou.
A advogada da família, então, entrou em contato com o Ministério Público (MPPR) para que o caso fosse adiante. A prefeitura de Curitiba também se pronunciou sobre o ocorrido por meio da rede social Facebook e orientou a vítima a procurar a Secretaria de Direitos Humanos.
A Banda B procurou a assessoria da Polícia Civil, que enviou a seguinte nota à reportagem:
A Polícia Civil informa que o caso foi atendido pelo Centro Integrado de Atendimento ao Cidadão (CIAC-SUL) e, posteriormente, encaminhado ao Núcleo de Proteção a Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria). Um Inquérito Polícial (IP) foi instaurado na unidade para apurar os fatos. A especializada também instaurou um procedimento interno para verificar por que o Boletim de Ocorrência (BO) não foi registrado na delegacia, sendo que qualquer delegacia policial pode ser registrado um BO por injúria racial. A adolescente foi intimada para comparecer na delegacia na quarta-feira (22) para prestar depoimento.
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