Por Denise Mello e Antonio Nascimento

Fotos: Banda B e colaboração

Cerca de 500 taxistas e várias cidades do país fazem nesta quinta-feira (7) uma grande manifestação em Curitiba contra o aplicativo Uber, de transporte individual. Os motoristas se reuniram na sede da Rádio Táxi Faixa Vermelha, no Hugo Lange, no início da manhã, e caminham até o fim da manhã a pé em direção ao prédio da Justiça Federal, no bairro Ahú, onde trabalha o juiz Sérgio Moro. A intenção é entregar ao magistrado um dossiê elaborado pelo vereador de São Paulo, Adilson Amadeo (PTB), historicamente ligado aos taxistas, com denúncias de crimes lavagem de dinheiro e evasão de divisas que estariam sendo cometidos pela empresa com sede nos EUA e atuação no Brasil.

De acordo com o presidente da União dos Taxistas de Curitiba – UTC, Rogerio Felix, estão na capital paranaense taxistas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Florianópolis, além da Região Metropolitana de Curitiba, interior do Paraná e de Santa Catarina. “Curitiba foi intimada por taxistas do Brasil inteiro a recepcionar nossos colegas que trazem toda a indignação da categoria, que entende que há crimes federais praticados pelo Uber. Um dossiê foi elaborado por especialistas e este documento prova os crimes. Queremos entregar este dossiê pessoalmente ao juiz Sergio Moro, nosso homem de honra, além de entregar também ao Ministério Público Federal e Polícia Federal para que sejam tomadas providências”, disse Felix.

O taxista Marcos Magalhães, de Porto Alegre, falou que lá a briga é a mesma que a de taxistas de todo o país em relação ao aplicativo. “Lá também estamos lutando contra o Uber, que é um transporte clandestino e está tirando nosso emprego. Trabalhamos dentro da lei e eles não. Felizmente, estamos cada vez mais unidos e já fizemos carreatas lá com 1,2 mil taxistas e hoje viemos para cá em um ônibus com 45 pessoas. Estamos lutando”, afirmou.

Até o fechamento desta reportagem não havia previsão de alguma audiência com o juiz Sergio Moro com os taxistas. A Polícia Militar e agentes de trânsito  acompanham a manifestação.

Briga

A briga entre taxistas e motoristas do Uber toma conta de várias capitais em que o aplicativo está operando. Os taxistas alegam que o transporte é clandestino. Já o Uber alega que é uma empresa de tecnologia e que “o serviço prestado pelos parceiros da Uber é de transporte individual privado, que tem respaldo na Constituição Federal e é previsto em lei federal (Política Nacional de Mobilidade Urbana – PNMU Lei Federal 12.587/2012)”.

Em Curitiba, o projeto de regulamentação do transporte individual de passageiros já está sendo analisado pela Urbs, mas não deverá ser colocado em votação antes de agosto. A análise da prefeitura levará em conta não apenas o aspecto legal de uma regulamentação, mas também um estudo da demanda por esse tipo de serviço na capital.

Na Câmara, o projeto de lei que regulamenta o Uber já passou pela Comissão de Constituição e Justiça e a tendência é de que seja colocado em votação depois de retornar com a análise da Urbs.

Por diversas vezes foram registrados confrontos entre taxistas e motoristas do Uber na capital paranaense (ver relacionadas).

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