O cantor de funk MC Negão Original, nome artístico de João Vitor Ribeiro, foi alvo de uma operação da Polícia Civil do Estado de São Paulo (PCESP), nesta quarta-feira (24), como suspeito de ligação com o crime organizado. O grupo é investigado por aplicar golpes digitais, lavar dinheiro e promover apostas ilegais em cidades de São Paulo, Minas Gerais e do Distrito Federal. O cantor está foragido.
Organizada pela PCESP e pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), a Operação Fim de Fábula busca cumprir 53 mandados de prisão temporária e outros 120 mandados de busca e apreensão contra suspeitos de envolvimento com a quadrilha. O MC estaria associado a duas quadrilhas.

Os crimes atribuídos ao grupo são de fraude contra idosos através do golpe do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e falsos advogados prometendo indenizações. Além disso, há suspeitas de controle de dispositivos móveis de terceiros remotamente.
O Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic) citou em coletiva que relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicam movimentações financeiras atípicas ligadas ao artista. A Justiça determinou o bloqueio das contas bancárias.
Ainda segundo o Deic, o cantor disponibilizava propriedades usadas como base para a aplicação os golpes. Buscas em apartamentos de Itaquaquecetuba e Arujá, ambas de São Paulo, resultaram na apreensão de celulares e pendrives.
Quem é MC Negão Original
O músico acumula mais de 2 milhões de seguidores no Instagram e 11 milhões de ouvintes mensais no Spotify. O cantor tem músicas em parceria com outros nomes do funk, como os MCs Livinho e Ryan SP.
Negão ganhou projeção nacional com o sucesso do álbum “A Nata de Tudo – A Ovelha Negra”, de 2025. Outras colaborações, como a canção “Pirocada Quente” (2025), somam mais de 126 milhões de reproduções somente no Spotify.
O MC também é conhecido por ostentar nas redes sociais. Em suas postagens, é comum exibição de veículos de luxo e dinheiro vivo aos seguidores.
Antes da música, Negão viveu uma trajetória de superação: na infância dividiu seu tempo entre a igreja e o crime, enfrentou dificuldades e chegou a ser internado em uma clínica de acolhimento quando tinha 14 anos. Suas letras retratam parte da vivência na periferia.
Mais de R$ 100 milhões bloqueados
A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 100 milhões em cada uma das 86 contas bancárias investigadas na operação. Pelo menos 66 pessoas foram vítimas do esquema.
Em nota, a defesa de MC Negão Original afirma que “o artista é pessoa idônea” e que ainda não teve acesso aos autos da investigação. O texto também diz que “João Vitor comprovará sua inocência“, além de citar que todas as transações financeiras do artista têm origem lícita.