Uma equipe privada de cientistas forenses afirma ter identificado inconsistências na autópsia e nos registros onde o vocalista do Nirvana, Kurt Cobain, foi encontrado em 8 de abril de 1994. O grupo aponta a hipótese de homicídio, contrariando a versão oficial de suicídio cometido pelo cantor com uma espingarda em sua casa de Seattle (EUA).

Imagem do corpo de Kurt Cobain em sua casa, em Seattle
Estudo analisou as imagens da polícia e especulou homicídio como causa provável da morte (Foto: Reprodução)

Publicado no International Journal of Forensic Science após revisão por pares, o relatório da equipe afirma que há elementos médicos e circunstanciais que não seriam compatíveis com uma morte imediata por disparo de arma de fogo.

“Kurt Cobain, baseado somente em descobertas disponíveis publicamente e analisado por meio de métodos críticos e multidisciplinares, foi vítima de homicídio. Seu corpo foi movido do local do homicídio e encenado para aparentar como suicídio”

citam os pesquisadores no relatório inédito.

Novos indícios de assassinato

O relatório aponta evidências, como as mangas da camisa do cantor arregaçadas e o kit de heroína de Cobain encontrado a alguns metros de distância em perfeito estado. O estojo que continha as substâncias ilícitas estava com as seringas tampadas, contrariando a espontaneidade de um suicídio, segundo os analistas.

“Suicídios são complicados, e esta foi uma cena muito limpa”

afirma a pesquisadora Michelle Wlkins, que integrou a equipe de análise.

O estudo analisou a cena do crime, incluindo o padrão das manchas de sangue, avaliação balística do disparo que teria causado a morte do artista e até mesmo e avaliação do exame toxicológico.

Confira as novas imagens descritas pelos pesquisadores.

Danos físicos além do ferimento do disparo

A equipe ainda levanta que os danos registrados em Cobain na autópsia são incomuns para casos de uma morte rápida como o caso era sustentado. O exame registrou líquido nos pulmões, hemorragia nos olhos e danos no cérebro e no fígado do cantor.

Segundo os pesquisadores, o sangramento ocular e os danos aos órgãos sugeririam privação de oxigênio anterior ao disparo fatal. O relatório também argumenta que o tronco encefálico não teria sido danificado pelo disparo e que a posição do braço do músico não indicava a rigidez típica observada em lesões graves nessa região.

Esses elementos, segundo os autores, poderiam indicar que Cobain já estaria fisicamente incapacitado antes mesmo do disparo.

O que acontece agora?

A contestação da versão do suicídio de Cobain foi rejeitada pelo Departamento de Polícia de Seattle. “Nosso detetive concluiu que ele morreu de suicídio, e essa continua sendo a posição do departamento”, afirmou uma porta-voz da corporação ao jornal britânico Daily Mail.

O Gabinete Médico Legista do Condado de King, responsável pela perícia do caso à época, afirma estar aberto a novas evidências relevantes. No entanto, o órgão diz não ter recebido material que justifique a reabertura do caso.