O Brasil estará mais uma vez no Oscar. A 98ª edição acontece em 15 de março (domingo) com indicações de peso para “O Agente Secreto” e uma indicação a Adolpho Veloso em “Melhor Fotografia”, pelo filme “Sonhos de Trem”. A Banda B retomou o histórico do país na premiação e levantou as possibilidades do filme trazer as estatuetas.

O fenômeno “O Agente Secreto”: o Brasil na disputa de Melhor Filme
O longa brasileiro “O Agente Secreto“, protagonizado por Wagner Moura, é o recordista nacional em categorias indicadas ao Oscar. O filme dirigido por Kléber Mendonça Filho igualou o feito de “Cidade de Deus”, com quatro indicações no maior prêmio da indústria cinematográfica.
- Melhor Filme
- Melhor Ator (Wagner Moura)
- Melhor Filme Internacional
- Melhor Elenco
“O Agente Secreto” desponta como o favorito em “Melhor Filme Internacional”. A produção conquistou prêmios importantes em festivais e premiações que são termômetros para o Oscar, como “Melhor Direção” no Festival de Cannes e “Melhor Filme em Língua Não-Inglesa” no Globo de Ouro, além do “Prêmio Lumière de Melhor Coprodução Internacional“.
Wagner Moura faz história: a primeira indicação brasileira a Melhor Ator
O baiano Wagner Moura é o primeiro brasileiro indicado ao Oscar de “Melhor Ator”. O marco acompanha um lastro vencedor com “O Agente Secreto”: em Cannes e no Globo de Ouro, Moura desbancou queridinhos de Hollywood, como Michael B. Jordan (“Pecadores”), Dwayne Johnson (“Coração de Lutador”) e Oscar Isaac (“Frankenstein”).
A conquista e a trajetória do brasileiro colocam o ator em pé de igualdade diante de astros como Leonardo DiCaprio (“Uma Batalha Após a Outra”) e Timothée Chalamet (“Marty Supreme”). Nos últimos anos, Moura tem estrelado grandes produções internacionais, a exemplo de “Guerra Civil”, “Sr. & Sra. Smith” e “Gato de Botas 2”, o que pode somar pontos a favor do ator para ganhar o Oscar.
O legado de Fernanda Torres: a campanha histórica que reabriu as portas para o Brasil
Fernanda Torres conquistou fãs pelo mundo todo com sua atuação em “Ainda Estou Aqui“. O filme de Walter Salles foi vencedor do Oscar de “Melhor Filme Internacional” em 2025 e teve Fernanda indicada a “Melhor Atriz”, perdendo a estatueta para Mickey Madison, de “Anora”.
A atriz já revelou seu “voto SECRETO” nas redes, podendo até mesmo influenciar outros votantes da premiação. Além disso, a Academia (responsável pela premiação) reúne 70 brasileiros entre os quase 11 mil artistas que votarão na edição, incluindo os atores Rodrigo Santoro e Alice Braga, os diretores Fernando Meirelles e Daniela Thomas e os próprios indicados neste ano, Wagner Moura e Kléber Mendonça Filho, que podem votar em si mesmos.
Quinta indicação técnica: a excelência da fotografia brasileira no Oscar
O Brasil ainda recebeu uma quinta indicação na premiação. Adolpho Veloso, diretor de fotografia de “Sonhos de Trem”, concorre a “Melhor Fotografia”. O enquadramento contemplativo do longa e o destaque aos cenários idílicos e aos dramas internos do personagem o colocam como um dos favoritos da categoria.
Ele foi o vencedor em importantes prêmios da indústria, como o Critics Choice Awards e o Film Independent Spirit Awards. Veloso atua na indústria desde 2015, e “Sonhos de Trem” é o seu segundo filme estrangeiro.
A repercussão garantiu o diretor de fotografia em outras produções internacionais, em filmes de Lance Hammer e M. Night Shyamalan.
Retrospectiva: relembre os marcos do Brasil na história do Oscar
A trajetória do Brasil no Oscar é marcada por momentos de aclamação técnica e injustiças que até hoje alimentam o debate cultural no país. O primeiro grande marco ocorreu em 1960, quando “Orfeu Negro“, uma coprodução com a França ambientada no Rio de Janeiro, venceu a categoria de “Melhor Filme Estrangeiro”. Mesmo gravado, falado, atuado, escrito e coproduzido por brasileiros, a estatueta foi para o país europeu.
“O Pagador de Promessas” (1962), de Anselmo Duarte, tornou-se o primeiro filme genuinamente brasileiro a ser indicado ao prêmio, após conquistar a prestigiada Palma de Ouro em Cannes. A derrota para o francês “Sempre aos Domingos” gerou polêmica na época, pois o brasileiro era o franco-favorito.
A retomada do cinema nacional nos anos 1990 trouxe nova visibilidade ao país. Em 1996, “O Quatrilho” quebrou um longo hiato de indicações, seguido por “O Que É Isso, Companheiro?” (1998). No entanto, o ápice emocional ocorreu em 1999, quando Fernanda Montenegro foi indicada a “Melhor Atriz” por “Central do Brasil”.
A derrota da brasileira para Gwyneth Paltrow é, até os dias atuais, considerada um dos resultados mais controversos da história da Academia, ofuscando o fato de o filme também ter disputado a estatueta de “Melhor Filme Estrangeiro” e derrotado por “A Vida é Bela”.
O início dos anos 2000 consolidou o prestígio técnico do país com o fenômeno “Cidade de Deus” (2002). O filme de Fernando Meirelles conquistou quatro indicações simultâneas, um feito raro para produções de língua não inglesa e empatado neste ano por “O Agente Secreto”.
Embora não tenha vencido, a obra alterou a percepção global sobre o cinema brasileiro, estabelecendo um novo padrão de estética e narrativa urbana que influenciou produções internacionais por décadas. Um fato curioso é o filme não ter sido indicado a “Melhor Filme Estrangeiro”, pois não foi o longa selecionado pelo Brasil a participar da seleção do Oscar.
“Ainda Estou Aqui” trouxe a tão sonhada estatueta ao Brasil no ano passado. O longa de Walter Salles faturou o prêmio de “Melhor Filme Estrangeiro”, foi indicado a “Melhor Filme” e ainda teve Fernanda Torres como uma das favoritas à estatueta de “Melhor Atriz”, perdendo para Mikey Madison.