A participação da apresentadora americana Oprah Winfrey no evento Legends in Town, promovido pela XP em parceria com a consultoria Alvarez & Marsal, nesta quarta-feira (10), em São Paulo, foi tratada como sua primeira visita ao Brasil.

Ela foi entrevistada -e adulada- pela atriz Taís Araújo, que abriu e encerrou o evento declarando sua adoração a Oprah.

A entrevista começou com a pergunta sobre quem era Oprah Winfrey antes da celebridade na qual se tornou, levando-a às raízes da menina que não queria repetir os passos da avó lavando roupas no quintal.

Quando Oprah nasceu, nos anos 1950, a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos desabrochava, ou seja, tratava-se de um momento em que as pessoas poderiam imaginar mudanças, disse ela. A rejeição ao destino da avó era um instinto, como a voz divina, que sempre a guiou.

Questionada sobre quem foram as pessoas que a inspiraram, ela se referiu aos seus ancestrais escravizados. A apresentadora falou sobre as muitas ocasiões na carreira em que foi a única mulher e a única pessoa negra presente na sala, sem jamais sentir-se frágil porque sempre teve convicção na força de seus antepassados.

Se há um ponto fraco que a entristece, ressalvou, são as situações em que se sente alvo de mentiras, seja nos tabloides do passado ou nas redes sociais atualmente.

A relação com o dinheiro na vida da apresentadora, considerada a primeira mulher negra a se tornar bilionária nos Estados Unidos, também foi abordada. Ela relatou uma ocasião da juventude pobre quando uma amiga rica a viu ter de escolher entre um croissant ou os ovos porque faltava dinheiro para ambos na mesma refeição. Na situação, a amiga, porém, não ofereceu ajuda, e a lembrança daquele acontecimento lhe deixou lições sobre generosidade. A vida é melhor quando se divide o que tem, e o dinheiro jamais foi seu objetivo, disse Oprah.

Ao falar de filantropia, Oprah disse que, no momento em que atingiu o suficiente para si, começou, imediatamente, a pensar no que poderia fazer pelas outras pessoas. Descreveu a origem da escola para garotas de baixa renda que criou na África do Sul e relembrou o período de dez dias passados na casa do ex-presidente Nelson Mandela (1918-2013).

Oprah riu ao ser questionada por Taís Araújo sobre as refeições com Mandela. Disse que ainda costuma se lembrar dele todas as vezes em que come queijo. É que o líder político lhe recomendou evitar o alimento, argumentando que não faz bem ao coração.

Embora tenha chegado a dizer no palco que esta foi a sua primeira vez no Brasil, Oprah esteve aqui em 2012. Foi até Abadiânia, no interior de Goiás, para entrevistar o médium João de Deus. Quando as denúncias de abuso sexual contra ele vieram à tona, em 2018, os vídeos das entrevistas que Oprah gravou com ele foram retirados do ar.

Na época, ela divulgou um comunicado manifestando sentir empatia pelas mulheres que apresentaram suas denúncias e esperar justiça.

No evento desta quarta-feira, Oprah não tocou no assunto, apesar do gancho que poderia ter puxado o tema, nos minutos finais do evento, quando o empresário Elie Horn pediu o microfone. Fundador da incorporadora e construtora Cyrela, Horn contou a Oprah que investe no combate à violência sexual contra crianças e adolescentes por meio do Instituto Liberta e pediu a participação da americana.

Na plateia havia outros nomes do empresariado e da música ligados ao combate à violência contra a mulher, como Luiza Trajano, do Magalu, Chieko Aoki, da rede de hotéis Blue Tree, e a cantora Fafá de Belém.

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Oprah Winfrey diz que seus antepassados escravizados nunca a deixam sentir frágil

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