Um dos maiores autores da teledramaturgia brasileira, o dramaturgo e escritor Benedito Ruy Barbosa, morreu nesta terça-feira (7), em São Paulo, em decorrência de complicações causadas por insuficiência renal crônica. A informação foi confirmada pelo Hospital do Coração (HCor). O velório será realizado nesta terça-feira (7), das 15h às 21h, no Funeral Home, no bairro Bela Vista, na região central de São Paulo.

Criador de novelas que se tornaram referência na televisão brasileira, como Pantanal, O Rei do Gado, Terra Nostra, Renascer e Meu Pedacinho de Chão, Benedito deixa um legado que atravessou décadas e ajudou a retratar o Brasil por meio de histórias marcadas pelo campo, pela imigração, pelos conflitos familiares e pelos grandes romances.
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Internação antecedeu a morte de Benedito Ruy Barbosa
Em janeiro deste ano, Benedito Ruy Barbosa permaneceu internado por 19 dias no Hospital do Coração para tratar uma infecção urinária associada ao quadro de insuficiência renal crônica.
Nesta terça-feira, o hospital confirmou que o escritor morreu em razão das complicações da doença.
Autor transformou o campo em protagonista da televisão
Ao longo da carreira, Benedito Ruy Barbosa construiu uma identidade própria na dramaturgia brasileira ao transformar o universo rural em cenário para histórias de grande repercussão.
Suas novelas exploraram a diversidade cultural do país, abordaram a imigração italiana, os conflitos pela terra, as tradições do interior e grandes histórias de amor, sempre com personagens marcados pela coragem, pela honestidade e pela perseverança.
Entre suas principais obras estão Meu Pedacinho de Chão (1971), Pantanal (1990), Renascer (1993), O Rei do Gado (1996), Terra Nostra (1999) e Velho Chico (2016).
O próprio autor costumava definir seus protagonistas como pessoas de “bom caráter, determinação para a luta, crença em valores positivos”.
Trajetória começou muito antes da televisão
Nascido em 1931, em Gália, no interior de São Paulo, Benedito Ruy Barbosa passou a infância em Vera Cruz, região marcada pelos cafezais e pela presença de imigrantes japoneses e italianos, elementos que mais tarde influenciariam diversas de suas obras.
Com a morte precoce do pai, precisou trabalhar ainda jovem para ajudar no sustento da família. Foi auxiliar em uma firma comercial, vendedor de verduras e faxineiro antes de conquistar uma vaga como revisor no jornal Estado de S. Paulo.
A paixão pela escrita surgiu cedo. Seu primeiro romance, Fogo Frio, foi adaptado para o teatro e premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte, abrindo caminho para sua carreira como roteirista.
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De TV Tupi ao fenômeno de ‘Pantanal’
A estreia na televisão aconteceu em 1966, com Somos Todos Irmãos, na TV Tupi. Nos anos seguintes, Benedito passou por emissoras como Excelsior, Record e TV Cultura.
Em 1971, escreveu Meu Pedacinho de Chão, produção exibida pela TV Cultura e pela Globo. Cinco anos depois, assinou contrato com a Globo, onde iniciou uma sequência de sucessos.
O grande ponto de virada veio em 1990, quando se transferiu para a TV Manchete e escreveu Pantanal. A novela revolucionou a teledramaturgia brasileira ao priorizar gravações em locações naturais e valorizar as paisagens, a cultura e os mistérios do bioma pantaneiro.
O enorme sucesso abriu caminho para o retorno à Globo, onde escreveu Renascer, em 1993. Décadas depois, tanto Pantanal quanto Renascer ganharam novas versões adaptadas por seu neto, Bruno Luperi.

Novelas que marcaram gerações
Em O Rei do Gado, Benedito retratou a rivalidade entre famílias de origem italiana ao mesmo tempo em que discutiu temas como reforma agrária e concentração de terras.
Já em Terra Nostra, apresentou o drama vivido pelos imigrantes italianos Matteo e Giuliana durante a chegada ao Brasil no início do século XX.
O autor também revisitou parte de sua própria obra ao escrever as novas versões de Sinhá Moça, em 2006, e Meu Pedacinho de Chão, em 2014. Na época, afirmou que finalmente conseguiu colocar em prática ideias que haviam sido barradas pela censura durante a ditadura militar.
Seu último trabalho inédito foi Velho Chico, exibida em 2016, trama ambientada às margens do Rio São Francisco e marcada pelos conflitos familiares, pela disputa por terras e pelas transformações do sertão nordestino.
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