(Foto: Reprodução/Instagram)

 

Recém-saída de uma turnê pela Europa, a funkeira MC Pocahontas revela à reportagem como divide sua rotina entre carreira, família e a fé. Por trás do nome artístico da carioca está Viviane de Queiroz Pereira, uma jovem de 24 anos que tem como maior amor a filha de três anos, Vitória, fruto de seu casamento com MC Roba Cena, do qual se separou em 2017.

Criada no evangelho, a funkeira foi sucesso no Carnaval com o hit “Quer Mais?”, parceria com MC Mirella que ficou entre as mais tocadas nas rádios e bloquinhos pelo país. Seu último hit, “Não Sou Obrigada”, também ultrapassou a marca de 11,8 mil visualizações no YouTube em menos de um mês.

Mas “Poca”, como é chamada pelos amigos mais íntimos, sonha muito além: “Ainda tenho vontade de fazer teatro, novela, filme… De atuar. Mas não tenho vontade de deixar de cantar. Amo estar no palco.”

Pergunta – Como surgiu o nome artístico “Pocahontas”?

MC Pocahontas – ‘Pocahontas’ já era meu apelido desde criança. E eu gosto muito do filme. Na hora de escolher um nome artístico, já estava decidido. Em Duque de Caxias, onde eu morava, todo mundo já me conhecia por Pocahontas. Até nas comunidades no Orkut. Então foi natural.

P – Qual a sensação de ter um dos maiores hits do Carnaval?
MCP – Estar entre os maiores é muito gratificante. Ainda mais por ser um trabalho que eu gostei muito de fazer. Adoro muito essa música, não posso nem ouvir que já fico solta. Lancei no final do ano essa canção e achei ficaria até o Carnaval ou que seria eleita hit pelo público. Ela surgiu quando minha produtora fez uma música para mim, que pudesse ser gravada com a Mirella, algo que o público já pedia. Foi uma correria, mas ficou incrível.

P – Como a sua música mais recente, “Não sou Obrigada”, te representa?
MCP – É uma música que fala sobre ser mulher hoje em dia e o que vivenciamos. Pregamos a liberdade feminina, o empoderamento e as coisas que a gente enfrenta no nosso dia a dia. Uma vez um cara disse para mim que não queria sair comigo pelo shorts curto que estava usando. Aquilo mexeu muito comigo. Mas disse ‘está bem, vou sair com outro’. Acham que vão mandar em mim? Sou dona de mim.

Acho que as mulheres têm que ter pulso firme e acreditar que as pessoas que estão com elas não têm que mudá-las, e sim aceitá-las do jeito que são. “Não sou Obrigada” é uma música feliz, que além de ter uma mensagem, é muito divertida e tem até coreografia. A repercussão está sendo muito bacana: as mulheres abraçaram e até os próprios homens se conscientizarem.

P – Você se considera feminista?
MCP – Eu me considero feminista, mas nem sempre foi assim. Eu me descobri mulher empoderada há uns três anos. Mas estou em constante construção. Vamos nos conscientizando das nossas ações. Fazia algumas coisas, cantava algumas músicas que hoje eu reprovo. Quando bato no peito e digo que sou independente, sou forte e não preciso de homens e tal, algumas pessoas comparam com o discurso que eu usei no passado. Mas essas pessoas esquecem que nós mudamos diariamente. Uma pessoa que me conheceu há um ano, não me conhece mais hoje. Estamos em constante evolução, e aceito toda mudança em mim que seja em prol do respeito e crescimento.

P – É uma nova fase sua?
MCP – Quero inovar, quero uma nova versão minha, mais ousada. Eu me privava muito de me expor e acho que a galera gosta de mim, do jeito que eu sou. Eu me inspiro muito na Nicki Minaj, mas a diva máxima, para mim, é Beyoncé. Daqui, adoraria gravar ainda com a Iza, porque admiro muito ela. Acho linda essa força das mulheres representando no cenário musical.

P – Você já disse que teve problemas com homens porque eles têm medo de você. Ainda é assim?
MCP – Ainda é assim. Eu não sei porque isso acontece. Acho que mulher independente, dona de si, assusta. É engraçado porque, por conta disso, todo mundo que me conhece diz que me achava muito metida antes de me conhecer. Se eu ganhasse um real a cada vez que ouvisse isso, estaria sendo metida em Paris.

P – Como foi a sua turnê pela Europa?
MCP – Estive em Dublin, Amsterdã, Milão, Londres, Genebra… Tive um dayoff em Paris. É a minha terceira turnê em menos de um ano. Fiz uma nos EUA e duas na Europa. A primeira vez, fui com um frio na barriga porque nem sabia se me conheceriam. Morria de medo. Agora vou tranquila, vejo que eles cantam tudo, mesmo quem não é brasileiro. Eles vão ao camarim, querem conversar e dizer que amam o Brasil e amam o funk. É maravilhoso fazer parte disso. O funk só se expande, cada vez mais, e a sensação é maravilhosa.

P – Como você concilia o tempo entre o trabalho e a sua filha?
MCP – Ser mãe é complicado. Ser mãe artista, é mais ainda. Mas eu não deixo de fazer meu papel de mãe de jeito algum, pois minha filha é meu maior sonho. Se precisar, fico virada à noite. Não durmo, mas saio com ela. Gosto de buscar na escola, colocar para dormir… Às vezes ela tem dúvidas dela e conversa comigo. Não abro mão de fazer tudo isso por conta do trabalho. Ela passa o dia comigo, mesmo que eu esteja em estúdio ou dando entrevistas. Porque eu só tenho o agora. Em alguma hora ela vai crescer e vou perder tudo isso.

P – Você sempre quis ser MC?
MCP – Quando eu era criança sonhava em ser modelo e cantar. Perturbava a minha mãe para ir ao Raul Gil. Mas eu sou libriana, sou indecisa, então toda hora mudava de opinião. Quando era adolescente, queria ser médica, pediatra, veterinária…. E acabei crescendo e virando cantora, com o que eu posso trabalhar como modelo também, em catálogos de moda, por exemplo. Adoro moda e adoro fazer diversas coisas graças ao funk. Ainda tenho vontade de atuar em teatro, novela, filme. Mas não tenho vontade de deixar de cantar. Amo estar no palco e lançar músicas.

P – Você cresceu em um lar cristão, mas acabou se afastando. Hoje você tem alguma religião?
MCP – Fui criada no Evangelho e quando falo sobre isso, a galera se choca. Parece que dão ênfase mais para isso. Na verdade, minha mãe é cristã e eu gosto de ir para a igreja. Tenho muita fé em Deus, e acho que isso não interfere em nada no fato de eu cantar funk. Não vejo nenhum problema.

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MC Pocahontas diz ter virado feminista e reprovar músicas antigas

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