Virginia Fonseca passou a ser investigada pela Polícia Federal (PF) devido a movimentações milionárias contatadas em Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs). Os documentos, produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), apontarem transações consideradas atípicas em contas ligadas a ela e a empresas com sua sociedade, como a WePink.

Foto de Virginia Fonseca, mulher loira com roupa preta. Ela passou a ser investigada pela Polícia Federal (PF).
Empresas de Virginia passaram a ser investigadas pela PF por movimentações atípicas. Foto: Reprodução/Redes Sociais

Segundo reportagem publicada pela revista piauí nesta terça-feira (2), a investigação busca apurar a legalidade das operações financeiras envolvendo a influenciadora e suas empresas. A revista teria acessado os RIFs, que estavam em sigilo.

A investigação também apura a origem dos recursos movimentados e a eventual prática de crimes financeiros, fiscais e de lavagem de dinheiro. A publicação ainda afirma que o inquérito iniciou após a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das bets, em que a influenciadora depôs em 15 de maio de 2025.

Entenda por que Virginia passou a ser investigada pela PF

A revista cita que os documentos analisados levantaram questionamentos sobre movimentações financeiras da Talismã Digital, empresa de Virginia e do ex-marido, Zé Felipe. Entre março e setembro de 2024, a companhia teria recebido R$ 22,4 milhões, dos quais R$ 21,4 milhões por meio de 44 transferências via Pix e R$ 1 milhão por Transferência Eletrônica Disponível (TED).

O volume das operações teria chamado a atenção das autoridades porque o principal remetente dos recursos, a AMP Pay Marketing e Negócios, está enquadrado no Simples Nacional. O regime tributário é destinado a micro e pequenas empresas, que faturam até R$ 4,8 milhões por ano.

A piauí diz que o relatório indicou movimentação não compatível com o faturamento mensal informado pela empresa. Por esse motivo, as operações teriam sido classificadas como atípicas.

Outras empresas de Virginia também estariam sob investigação

A reportagem traz que a marca de cosméticos WePink e a Wpink Suplementos Nutricionais também foram enquadradas em relatórios do Coaf. Entre novembro de 2023 e maio de 2024 foram identificadas 190 operações que totalizaram cerca de R$ 502 mil na empresa de cosméticos, realizadas por meio de depósitos em espécie efetuados em caixas eletrônicos de diferentes agências bancárias.

“Para o sistema financeiro, a maneira fragmentada de receber recursos gera suspeita porque pode disfarçar a movimentação e o faturamento da empresa, bem como esconder eventual origem ilícita do dinheiro”

explica a reportagem.

Já a empresa de suplementação teve operações financeiras realizadas entre 2 de janeiro e 13 de março de 2025 notificadas ao órgão financeiro. Nesse período, os créditos na conta da Wpink somaram R$ 43,6 milhões, com débitos em R$ 43,5 milhões.

As transações também foram enquadradas como “atípicas” no relatório, pois “o montante não condiz com o faturamento mensal documentado pela empresa“, diz a publicação.

Ligação entre Virginia e o PCC

Em março, uma investigação revelou que um dos sócios de Virginia manteve negócios com a “Japa do Crime“. A “japa”, Karen de Moura Tanaka Mori, foi sócia de Thiago Stabile na empresa Pink Lash, de cílios postiços. As informações são do portal Agência Pública.

Stabile é sócio de Virginia na WePink, marca de cosméticos da influenciadora. A Pink Lash abriu em 2017 e tornou-se uma franquia, com cerca de 100 lojas pelo Brasil. Ela é a percursora da WePink, rede bilionária do ramo.

Karen é viúva de Wagner Ferreira da Silva, o “Cabelo Duro”. A Polícia Civil do Estado de São Paulo (PC-SP) apontou Wagner como “um dos principais representantes da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) na região da baixada santista”. Ele foi executado em 2018, acusado de envolvimento na morte de dois supostos membros do PCC.

Segundo a Pública, as investigações contra Karen afirmam que “ela abriu a empresa KK Participações e passou a exercer uma movimentação financeira incompatível com o seu patrimônio anterior, de modo a demonstrar a lavagem de patrimônio ilícito deixado pelo seu então companheiro”.

O documento relata que Karen continuou, mesmo após a morte do companheiro, atuando e com “grande prestígio” junto ao PCC. Ela administraria bens ocultados das autoridades.

Defesa de Virginia nega irregularidades

A piauí procurou os advogados da influenciadora, que negaram qualquer irregularidade nas operações mencionadas. Sobre as transferências de R$ 17,7 milhões da AMP Pay para a Talismã Digital, a defesa afirmou que os valores correspondem ao pagamento de cachês por campanhas publicitárias regularmente contratadas.

Eles ainda afirmaram que não há ilegalidade no alerta sobre a movimentação financeira da WPink Suplementos Nutricionais.

“A empresa utiliza de forma esporádica o mecanismo de antecipação de recebíveis de cartão de crédito, prática lícita e amplamente adotada no mercado”

declarou a defesa.

Os depósitos realizados em diferentes caixas eletrônicos corresponderiam à parte das vendas realizada todos os dias em quiosques da marca, “que possuía 11 unidades em 2023 e 13 unidades em 2024”, disse.

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