O rapper Oruam, de 25 anos, segue foragido da Justiça após não ter se apresentado à audiência da última segunda-feira (23) no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). A defesa do artista, réu por duas tentativas de homicídio qualificado contra policiais civis, apresentou laudo psiquiátrico que indica transtornos mentais.

Em relatório clínico anexado ao processo, Oruam “encontra-se em acompanhamento psiquiátrico, apresentando quadro clínico compatível com Transtorno de Ansiedade associado a Transtorno Depressivo Moderado“. O documento foi consultado pelo portal Extra.
A defesa alega que a condição impacta diretamente na capacidade de tomar decisões do cantor. Além disso, Oruam seria incapaz de manter estabilidade emocional e lidar com situações de estresse intenso.
O quadro clínico ainda pode estar sendo intensificado pelo
“Estado de hipervigilância constante diante da possibilidade de reclusão em ambiente prisional, pelas condições físicas de saúde anteriores (tuberculose e pneumonia) e pelas dinâmicas familiares complexas, sobretudo a ausência paterna e a vivência de estigmas sociais”
completa o diagnóstico.
O especialista responsável pela análise sugere que o tratamento seja feito fora do sistema prisional, onde o cantor poderia ter agravo do quadro mental.
Relembre o caso
Oruam é réu por duas tentativas de homicídio qualificado contra policiais civis durante uma operação realizada em julho de 2025, no Rio de Janeiro. Os agentes tentavam cumprir um mandado de busca e apreensão na mansão do rapper.
Segundo a denúncia do Ministério Público, Oruam e outras pessoas teriam arremessado pedras contra os policiais e uma viatura, deixando ao menos dois agentes feridos, o que motivou a inclusão da tentativa de homicídio no processo. A Justiça decretou a prisão preventiva do artista em fevereiro deste ano devido ao descumprimento reiterado das medidas cautelares.
Relatórios indicaram dezenas de irregularidades antes da decisão judicial revogar a liminar de liberdade que havia sido concedida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Desde então, Oruam não foi localizado pela polícia nos endereços fornecidos à Justiça e é considerado foragido há 20 dias, com mandado de prisão em aberto.
Oruam é filho de Marcinho VP, considerado um dos líderes históricos da facção criminosa Comando Vermelho. O parentesco é frequentemente citado como um dos fatores que explicam a atenção policial e judicial sobre sua postura pública.