Este texto do Banda B Classic Cars é uma verdadeira história de amor entre um advogado que mora em Curitiba e o seu carro dos sonhos: o VW Gol GTi. O popular Gol quadrado foi apresentado como GTi no Salão do Automóvel em 1988. Naquela época, o mais novo esportivo nacional revolucionou a tecnologia automotiva já que se tornaria o primeiro carro com injeção eletrônica do Brasil.

O modelo é, até hoje, a paixão da vida de Delili Tibes, muito conhecido no universo automotivo como Tibão GTi (explicaremos abaixo), influencer que possui mais de 18 mil seguidores na rede social Instagram.

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VW Gol GTi Curitiba
Tibão e seu esportivo VW Gol GTi. Foto: Arquivo Pessoal/Colaboração Banda B

Nós, do Classic Cars aqui da Banda B, não falamos “da boca para fora”: Tibão ama o VW Gol GTi! “É inexplicável. Não estou falando só por falar… E o que sinto por esse carro? Eu realmente me faço essas perguntas e, toda vez que entro no GTi, tenho certeza que é o meu carro dos sonhos”, viu só? Ele mesmo reconhece a situação.

Antes de continuarmos com o texto, vamos apresentar Tibão. Delili Tibes tem 50 anos e nasceu em Curitiba. No entanto, logo nos primeiros meses de vida, saiu da capital do Paraná para viver com a família na pequena cidade de Lebon Régis, na região serrana de Santa Catarina (SC).

Por este motivo, ele se considera lebonregense, já que passou a infância e adolescência no interior do estado vizinho. Além de advogado, Tibes é empresário do ramo contábil, influencer nas horas vagas, pai de um jovem de 26 anos e marido.

Mas nós o questionamos: ”E por que Tibão?”. “Como meu nome é muito diferente, todo mundo me chama por Tibão. ‘Olha lá o Tibão…’. Ficou ‘Tibão GTi’”, explicou.

Para ter certeza, afinal estamos falando de um grande amor entre uma pessoa e um carro, ressaltamos o detalhe com o novo questionamento: “Não tem nada a ver com o GTi?”. “Não! Meu sobrenome é Tibes, começou o Tibão e ficou”, garantiu.

A ligação do atual advogado com carros na juventude era feita por conteúdos de matérias jornalísticas (revistas e TV), pelo fato do pai ser motorista de caminhão, mas também com o esporte que era a “febre nacional” entre os anos 80 e 90: a Fórmula 1. Acrescente o fato de que, conforme Tibão disse à reportagem, poder ter um carro para os jovens daquele tempo representava obter liberdade.

Quando o VW Gol GTi foi lançado, no fim da década de 80 e início dos anos 90, houve uma quebra de paradigmas. Matéria da Revista Quatro Rodas, por exemplo, destaca que este Gol quadrado quebrou os principais recordes de desempenho da época, um legítimo “Hot Hatch”. O texto também ressalta que desde o lançamento do VW Gol em 1980, ele teve “a árdua missão de substituir o Fusca e a Brasília de uma só vez”. No entanto, o Gol não obteve sucesso até a chegada das versões esportivas.

O lançamento deste GTi coincidiu com o momento em que Tibão chegou à maioridade. Ele relembra este momento e o classifica a relação com o carro como um “amor à primeira vista”.

“As características dele…”, iniciou, se referindo à memória que possui do lançamento do GTi. “A cor azul monaco me deixou encantado; às vezes, doente! (guarde esta informação sobre a cor). Comprava as revistas e fazia os recortes do Gol GTi. Tanto que até hoje guardo os recortes que eu tinha na época, fora as revistas sobre GTi que sempre colecionei”, continuou.

As coleções e revistas do advogado. Foto: Arquivo Pessoal/Colaboração Banda B

Outro detalhe importante diz respeito às condições financeiras que a família de Tibão possuía ao longo de sua juventude em Santa Catarina.

“E é aquele negócio, durante a minha infância, que foi de classe média baixa, meu pai teve um Fusca, mas nunca tivemos condições de ter um GTi, que era o carro mais caro do Brasil no seu lançamento no Brasil nos anos 90”, analisou.

Adulto, formado e atrás de um sonho: Tibão volta a Curitiba

Mesmo com as dificuldades que enfrentou na infância e juventude, Tibão voltou a Curitiba em 1990, conseguiu cursar faculdade e obteve seu primeiro diploma de nível superior. Porém, apesar de mudar radicalmente de ambiente, afinal saiu de uma cidade pequena e passou a viver em uma capital, ele continuava com a paixão inabalável pelo VW Gol GTi.

Para “piorar”, Tibão viveu de perto o auge do Gol quadrado nos primeiros anos da década de 90, mas só em 1997 teve a oportunidade de comprar um VW Gol GL 1.6 1987, também modelo quadrado: “Não tinha condições de comprar um Gol GTi, que ainda era caro naquela época”.

Foto de 1997 que mostra Tibão, seu filho Matheus, na época com 1 ano, e o Gol GL. Foto: Arquivo Pessoal/Colaboração Banda B

Contudo, o clássico GTi citado nesta reportagem já havia saído de linha dois anos antes de sua compra.

“Esse Gol (GL), que sempre gostei, foi a minha oportunidade de andar de Gol quadrado. Ele me fez muito feliz. Eu criei meu filho pequeno nele, terminei a faculdade, e a gente viajava bastante para o interior do Paraná, já que minha esposa é de Guarapuava. Também viajei para as praias, para São Paulo (SP), sempre de Gol quadrado. No entanto, embora estivesse sempre com o Gol GL, meu sonho ainda era ter o GTi quadrado”, destacou.

As coleções de revistas e miniaturas do GTi eram feitas com afinco por Tibão, mesmo perto dos anos 2000. O Gol GL, por sua vez, passou a ser customizado com o objetivo de ficar o “mais próximo possível”, dentro do aspecto visual, do clássico da Volks que é o amor do advogado. Porém, com a família maior, o entrevistado realizou um negócio e se desfez do Gol, que lhe fazia muito feliz.

“Me arrependi nos primeiros meses. Acabei trocando de marca, fui para a GM (Chevrolet) e fiquei com um Astra, que era um pouco maior que o Gol”, comentou.

Um arrependimento que, talvez, tenha durado mais tempo do que o próprio Tibão poderia imaginar naquela época.

2018: após longo inverno, o advogado realiza o próprio sonho

Entre o fim dos anos 90, início dos anos 2000 até meados de 2018, Tibão teve vários outros carros. Um longo período em que o convívio com o VW Gol GTi continuou sendo feito por revistas, matérias jornalísticas e, mais recentemente, com o avanço das redes sociais e a internet.

Ditos populares ligados ao whisky apontam que “quanto mais velha for a bebida, melhor ela será”. Este texto não é sobre gastronomia, mas o conceito pode ser aplicado ao ponto do VW Gol GTi, que a cada ano se tornava um carro ainda mais especial: “Um antigo de personalidade; um carro de época”, avalia o entrevistado.

Em contrapartida, enquanto o carro dos sonhos do advogado “maturava”, o personagem desta história conseguia se realizar profissionalmente. Isto lhe permitiu no fim de 2018, já morando em um imóvel que possuía espaço para mais de um carro na garagem, definitivamente ir atrás do seu amor no universo dos carros antigos.

“Primeiro, eu pensei em ir atrás do Gol (GL) que tinha antes, só que descobri que ele havia sido roubado da pessoa para quem eu o vendi”, relembrou e emendou em seguida. “No primeiro momento, eu queria o GTi na cor azul monaco. Mas não consegui encontrá-lo. Então adquiri um GTi 92 vermelho colorado, sendo um carro de uma cor bem rara, exclusiva. E esse carro… vamos dizer assim… me fez realizado. Isto porque quando me sentei e andei pela primeira vez, depois de vários anos que não andava com o golzinho quadrado, me veio aquela lembrança afetiva do carro, quando eu andava lá em 97. Voltou-me toda aquela boa memória, boas lembranças do golzinho que tive em 97 e eu descobri o motivo que me fez amá-lo”.

Tibão começou a realizar duas atividades em sua vida após adquirir seu GTi. A primeira delas foi se inserir, de forma definitiva, no universo dos clássicos antigos. Ele começou a viajar atrás dos eventos em que os quadrados, mas também outros, possuíam destaque.

GTi nas ruas de Curitiba e nas estradas do país

A segunda situação foi botar, definitivamente, seu carro na estrada. Seja na cidade, no campo ou no litoral, o advogado passou a andar com o carro e o faz sempre que pode – tanto que ele mesmo afirma que realiza um sonho toda vez que o dirige – como se fosse a primeira vez.

A fama de sair com o carro o fez ficar conhecido entre os donos de quadrados por todo o país.

“O veículo virou um carro de coleção. A maioria que usa deixa dentro da garagem e (…) não querem sair com o carro. Eu sou a ‘ovelha negra’ dos donos/colecionadores de GTi porque o carro tem que estar na estrada para mim. Eu não sou o colecionador que deixa o carro embaixo de uma capa”, opinou.

O entrevistado também brinca com uma situação que acontece no seu cotidiano. O carro se tornou uma válvula de escape ao estresse oriundo da rotina de trabalho.

“Às vezes saio do meu escritório e vou visitar clientes de GTi. Sempre que estou estressado, eu saio, dou uma volta com ele e o pessoal estranha. Porque, normalmente, a ‘piazada’ usa bastante Gol quadrado. Eles olham o ‘golzinho quadrado’ e devem pensar que é mais um pia dirigindo. No fim eu saio de óculos de sol, gravata, camisa, às vezes até de terno, e os deixo mais espantados ainda. Acho que ficam espantados pelo carro, que chama atenção já que é um Gol GTi, e depois com um homem de gravata saindo deste GTi”, afirmou, aos risos.

Despretensiosamente, surge um influencer; GTi vai às pistas do antigo Autódromo de Curitiba

Dos vários encontros que Tibão e seu GTi vermelho colorado passaram, ele faz questão de destacar um deles: o The Last Edition Motor Show. O evento aconteceu em dezembro de 2021 e marcou a despedida do Autódromo Internacional de Curitiba, que foi fechado e demolido.

De acordo com a organização, o The Last Edition teve a participação de mais de 500 veículos, variando entre motos, carros e caminhões dos mais variados estilos. Todas as culturas automotivas se fizeram presentes e protagonizaram uma ótima festa.

Entre as centenas de veículos, estava Tibão e seu filho, Matheus Tibes, acelerando o VW Gol GTi vermelho colorado a mais de 140 quilômetros por hora (km/h) na pista do autódromo.

“Algo que sempre tive vontade de fazer porque sempre fui apaixonado por automobilismo. Foi uma sensação incrível poder andar no autódromo com seu carro dos sonhos. Estávamos ao lado de Mustangs, de BMWs… e um Gol GTi para mostrar que não veio para brincadeira. Então realizei este sonho de andar pela primeira vez no autódromo e pela última vez no AIC, já que depois deste evento ele fechou. Como é algo que nunca mais vai acontecer novamente, se tornou uma situação bem especial”, refletiu.

Fotos e vídeos de uma memória que viralizaram nas redes sociais, algo que se acentuou pelo contexto e a história do antigo Autódromo Internacional de Curitiba. Com as imagens, e vários outros conteúdos, Tibão consegue manter laços com seguidores de todo o País.

As redes sociais do influencer, que também é advogado e empresário do ramo contábil

No entanto, ele ressalta pontos importantes. Primeiro, que suas redes sociais não são voltadas a apenas um carro, mas sim do mundo automotivo. Segundo, os seguidores não são da pessoa, mas sim da cultura automobilística.

Terceiro, as atividades são feitas por hobby e ele não busca promoção pessoal. Quarto, e não menos importante, o espaço é aberto a todos apaixonados por carros. Ou seja, caso você tenha interesse em divulgar algo, Tibão se considera alguém acessível.

“A minha rede social não é de um carro só, eu promovo a cultura automobilística. Tanto que se eu fosse postar coisas que só o pessoal gosta de ler, eu poderia ter o dobro de seguidores porque é só postar piadinhas e outras situações que você ganha vários. Mas meu objetivo não é esse. Faço meus conteúdos com postagens de fotos e vídeos e curiosidades e meus seguidores leem. Pode ver que sempre que faço algo que tenha informação, pode clicar no texto que vai ter sempre algo explicando a foto, algum detalhe ou curiosidades. Alguns textos ficam bem longos para o pessoal ler. Mas é aquele negócio, o pessoal aficionado lê e me dá o retorno dizendo que gostam do meu texto. São postagens com conteúdo”, observou.

O monstro que está prestes a sair da jaula: o ‘santo graal’ dos GTis no mundo de Tibão está quase pronto…

O conteúdo que Tibão procura trazer nas redes sociais é reflexo do que está sendo a construção desta reportagem especial. Repare que o advogado possui conceitos bem definidos sobre aquilo que gosta de fazer, como se comporta com seu carro dos sonhos e se relaciona com aqueles que admiram seu trabalho.

Há detalhes importantes que foram ressaltados ao longo do texto. Por exemplo, a questão da personalidade vista em um carro antigo. Seja em um esportivo como o Gol quadrado, ou seus concorrentes, é possível de ver pontos que hoje não são encontrados em carros considerados populares.

Aqui, talvez, a frase ligada ao whisky caiba a questão dos carros antigos.

“As fábricas não ousam mais”, opinou Tibão, continuando. “Você pega a linha Ford daquela época Del Rey, Escort XR3, na linha GM o Kadett, Monza, na Volks… todos os carros tinham ‘caminhos diferentes’. E as cores também. Antigamente, nos anos 70 e 80, os carros eram mais ousados nas cores. Era comum, só do GTi, são 13 cores e tons diferentes. Hoje em dia, os carros são neutros. São tantos detalhes que tem no Gol GTi: o banco recaro, o volante quatro bolas, a manopla de couro, apliques na coluna e nos para-choques, um motor mais forte. Eles colocaram um motor 2.0 de Santana em um hatch. São poucos carros assim hoje em dia”.

Este texto, como foi dito no começo da reportagem, se resume a uma história de amor entre um homem e o VW Gol GTi. Há vários adendos que foram feitos, mas é com a cereja do bolo que chegamos ao final de mais uma edição do Banda B Classic Cars.

Ele também tem o azul monaco dos sonhos, que está em processo de restauração.

“No final de 2019 eu encontrei um GTi azul monaco que seria o ‘santo graal’ dos GTis. Um super raro ano de fabricação 88/89 na cor que eu sempre quis. Embora fosse um carro nada conservado. Para não deixar este carro, que seria o meu primeiro carro dos sonhos, eu o comprei em péssimo estado. Mas eu venho, há dois anos, o restaurando. Agora estou com dois e um deles é raríssimo. O azul monaco foi limitado a, aproximadamente, duas mil unidades. Além disso, dentro deste ano de fabricação, meu futuro veículo é, praticamente, quase um pré-série dos GTis. Hoje em dia se conhece, no máximo, umas 10 unidades, desse ano de fabricação em todo o Brasil”, revelou.

Tibão vai seguir na contramão dos colecionadores. Afinal, conforme seu código de ética aponta, os clássicos não podem ficar embaixo de capas.

“Pretendo fazer o mesmo que faço com o que tenho já. Testando o carro, pegando confiança e o colocando em trajetos crescentes. O objetivo não é deixar parado, mas esse vai ter uma pimenta a mais”, finalizou o entrevistado.

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Como se fosse a 1ª vez! Advogado diz realizar sonho sempre que dirige a paixão de sua vida: o VW Gol GTi

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