O Motor Show, tradicional evento automotivo que busca valorizar projetos dentro do “universo a motor”, completou 10 anos em agosto. Desde a primeira edição feita em Curitiba, no longínquo ano de 2012, até a mais recente, realizada entre os dias 11 e 14 deste mês — sendo esta, inclusive, comemorativa ao “aniversário” do projeto — milhares de pessoas e seus veículos passaram a se conectar pelo mesmo propósito: a manutenção de um amor pela cultura de carros.
E é sobre isto que esta postagem* do Banda B Classic Cars irá abordar. Em entrevista, o idealizador Rafael Casagrande relembrou os primeiros passos e revelou o que está por vir nos próximos anos. Passado, presente e futuro foram discutidos com o entrevistado, que afirmou que o Motor Show é o que é por conta da união de várias pessoas.
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Casagrande sempre esteve envolvido com carros. Nos anos 90, ele e o irmão possuíam uma empresa no ramo da limpeza de automóveis. Além disso, o hoje idealizador do Motor Show e promotor de eventos esportivos possuía ligações com pessoas que trabalham para a Força Livre, tradicional grupo paranaense que promovia arrancadas nos autódromos.
No entanto, foi no final dos 90, quando viajou com um amigo para uma das maiores feiras de carros do mundo, na cidade de Las Vegas, nos Estados Unidos (EUA), ele se encantou pela área de eventos. “Eu pensei: ‘pô, porque não levar algo parecido com isso para Curitiba'”, disse o especialista na área de marketing. O gatilho foi o que deu ao “pré-modelo do Motor Show”.
Já nos anos 2000, Casagrande esteve envolvido na organização do “CWB Tunning Show”, destinado ao movimento Tunning (carros customizados e rebaixados, de modo geral). O evento foi um sucesso!
A referência se manteve na cabeça de Casagrande, que passou a trabalhar com o setor de eventos em geral. A ligação com a Força Livre se tornou oficial quando ele passou a trabalhar com o marketing do grupo. Em 2010, ao ser convidado por um grupo para organizar um evento de carros Hot Rods (carros que surgiram entre os anos 30 e 60), em Curitiba, ele de fato se inseriu neste meio. Por sinal, este evento também foi um sucesso!
Apesar dos sucessos, Casagrande enfrentava dificuldades em meio a logística (organizacional e financeira) para que os eventos de carros fossem feitos. Ele, já inserido neste universo, começou a pensar qual lugar na Grande Curitiba que poderia ser o ideal para tais demandas. A resposta veio como uma flecha.
“Vivia no autódromo e eu pensei que poderia usá-lo para a exposição. Surgiu o Motor Show. Na época, e até 2021, financeiramente falando, o autódromo sempre se mostrou mais vantajoso do que um pavilhão — só na locação de um espaço. Então, o Motor Show surgiu muito mais em uma necessidade de adequação orçamentária de evento, para ser viabilizado, e, em cima disso, eu fui ‘batendo’, ideias foram surgindo e o Motor Show começou a ser realizado em autódromos e em outros formatos que existem hoje”, comentou o entrevistado.
Os 10 anos do evento: essência que é mantida desde os primórdios
O promotor de eventos foi claro ao enfatizar o que é o Motor Show: “Nossa ideia sempre foi executar um carshow. Nunca nada, além disso”, pontuou. Em seu site, o Motor Show é descrito como o “maior parque de diversões a motor do Brasil”. À medida que o Motor Show começou a ganhar mais visibilidade, começaram a surgir convites de diferentes cidades — lembre-se que o primeiro evento foi feito em Curitiba.
Foi a oportunidade que Casagrande teve de desenvolver o Motor Show para outros locais, e cidades, além de autódromos. “Na pandemia, por exemplo, nós criamos o ‘formato dos hotéis’ e, com a última (veja mais informações abaixo) chegamos a cinco (…)”. Ao ser questionado sobre a fidelização do público e até onde o Motor Show já chegou, o entrevistado fez ponderações.
“Eventos fortes como aconteceram em Curitiba, conseguimos juntar pessoas do Brasil inteiro. O pessoal vem, se desloca e consegue estar presente. Outros são mais regionais, como alguns que fizemos no litoral de Santa Catarina. Curitiba sempre teve um apelo gigantesco, por exemplo”, destacou.



A essência do Motor Show é que ele sempre partiu da premissa de trazer uma experiência memorável àqueles que participam. Além disso, até pelo público que atende (como dito acima), o evento sempre procurou proporcionar um ambiente “pró-família”.
O entrevistado não ficou “em cima do muro” e elegeu quais foram os “melhores anos” e edições do evento. Casagrande também falou um pouco dessa relação dos públicos, praças e formatos.
“As melhores edições do Motor Show em termos de carros que eu vejo foram em 2013, 2014 e 2015. Em 2017 foi especial porque nós já tínhamos as informações sobre a possível venda do autódromo (de Curitiba). Então, nós fizemos ‘meio que’ um evento de despedida naquela época. Só que depois voltamos a fazer edições em 2018 e a última em 2021, que foi a derradeira. Lá em 2017, quando foi anunciada a venda do autódromo e o fechamento, a gente foi correndo para outro local. Em Curitiba, havia sido recém-inaugurado a ‘Usina 5’. Nós levamos o evento para lá. E, mesmo com o pessoal meio ‘estranho’ com a mudança, em 2018, foi legal/bacana. Mas a edição em 2019, a meu ver, foi a mais bonita de todas. (…) Essa foi espetacular. Os outros, bom… não é porque você vai ser o f*** em Curitiba, que você será em Foz do Iguaçu ou Londrina, por exemplo. Hoje eu moro em Londrina, mas não consigo viabilizar um evento aqui. A 2.ª edição em Londrina foi legal, mas graças a Deus que nunca tivemos problemas nos eventos. Sempre conseguimos entregar produtos no esperado ou superando as expectativas. Cada um é cada um, mas o de 2019 (Curitiba) vai ficar na memória para sempre”, afirmou.
Motor Show 10 anos, o evento! Quatro dias de comemoração na capital de Santa Catarina
Casagrande explicou o porquê que o evento de 10 anos foi feito na cidade de Florianópolis, em Santa Catarina. Tratou-se de um convite feito pelo hotel onde aconteceu a reunião e isto se tornou interessante aos organizadores.
“Nós sugerimos como uma temática para eles algo ligado ao Dia dos Pais. Na nossa concepção, este ano (2022) ainda está um pouco difícil para a área de eventos por conta de custos, programação, nós concordamos em realizar no hotel já que toda a infraestrutura foi disponibilizada por eles”, disse.
O evento se tornou direcionado para hóspedes e, para que alguém pudesse participar, ela deveria se hospedar no hotel onde aconteceu o evento. O formato, segundo Casagrande, já foi usado em anos anteriores e costuma dar certo. Já que os participantes costumam ir com os carros, aproveitam os espaços dos hotéis e ficam juntos da família.
Neste evento feito no Dia dos Pais, os carros que se fizeram presente de fato foram os antigos, sejam os clássicos ou customizados. Além disso, Casagrande destacou a ligação dos filhos com os pais e os veículos.
“Cada carro tem a sua história (…) e isso, normalmente, envolve a família. Nosso público é acima dos 35 anos, que possui um perfil, em sua maioria, de ter filhos e estar em um relacionamento. Pessoas que viveram os carros das décadas de 80 e 90 (…). NO fim foi muito legal, um sucesso. O hotel ficou bem lotado. Não tivemos o mesmo volume de carros que nem normalmente há em um ‘evento normal do Motor Show’, mas o que teve representou bem”, avaliou.
Curiosamente, o primeiro evento da história do Motor Show, realizado no antigo Autódromo Internacional de Curitiba, também coincidiu com o Dia dos Pais.
“Minha principal dificuldade em relação a Curitiba é o local”, revela Casagrande ao falar sobre o futuro
Ao ser questionado sobre o futuro do Motor Show, o idealizador foi franco e revelou que possui intenções de fazer apenas uma edição por ano. Exceto as participações em outros eventos para continuar com o fortalecimento da marca, Casagrande acredita ser o melhor para o evento.
“O que eu vejo é que estes eventos com apelo e são feitos apenas uma vez por ano, eles conseguem ter um engajamento de público e carros muito maiores do que o Motor Show. O Motor Show é o único evento a ser feito mais de uma vez no mesmo ano, mas a pessoa escolhe apenas um deles. Isto por mais que a pessoa curta o evento em si. Isto gera insegurança porque não sabemos como o público vai ‘comprar’ todas as edições”, explicou. “Além de uma questão física/pessoal. Exige muito de mim”, falou, aos risos.



O promotor de eventos destacou não possui intenções de fazer o Motor Show em Curitiba, alegando a dificuldade para encontrar um local adequado.
“Só que a Usina 5 também deixou de existir. Hoje nossa dificuldade em Curitiba é a questão do local. Hoje não temos um local para fazer um motor show em Curitiba. Muitos dizer: ‘Ah! Por que você não vai para ‘x’ lugar’? Porque é caro! ‘Ah! Mas tal ‘evento’ consegue fazer’ (…), mas nós não podemos comparar”, afirmou.
A intenção é que o Motor Show de 2023 seja feito em São Paulo. “Mas sempre existe a expectativa de fazer em Curitiba”, deixando no ar a vontade de voltar ao berço do evento que organiza há 10 anos.
Dimensões do que é o Motor Show? E a pessoa por trás da organização?
No final da entrevista, Casagrande desabafou e falou sobre como se sente ao organizar, participar e dimensionar o Motor Show.

Para cada ponto, há um pensamento. Em relação à organização, ele diz:
“Prezo pela qualidade e organização porque eu vivo disso. Há várias outras pessoas que organizam grandes eventos em todo o país, mas que não são o sustento principal dessas pessoas. Essa é a dificuldade de pessoas como eu. Eu tenho que me preocupar com o sustento da minha família, pagar minhas contas. Acaba sendo uma grande diferença e é algo que levo para a questão da realização dos eventos que eu organizo. Algo que, muitas pessoas, algumas pessoas não entendem”.
Em relação à participação:
“Fico que nem maluco. Muitas vezes às pessoas não conseguem falar comigo. Quando eu realizo o evento, eu gosto de estar envolvido na operação. Esse é o meu jeito de fazer eventos. Existem milhares de outros promotores que defende que fiquemos com tudo pronto e para apenas supervisionar e atender o público, conversar com as pessoas e fazer ‘as relações-públicas’. Cara, eu não consigo… sinceramente, eu não consigo trabalhar assim. Eu estou sempre envolvido. Se vejo uma grade fora do lugar, vou lá e arrumo. Cobro do time que está trabalhando, vou vistoriar ‘isso’ e ‘aquilo’. Absolutamente, envolvido. Hoje em dia, eu estou um pouco mais light. Falo com tanto carinho do evento de 2019 por ser o que mais consegui curtir”.
E em relação ao que é o Motor Show, hoje:
“Sinceramente, eu acho que não crio dimensões do tamanho que tomou. As redes sociais hoje me ajudaram a manter este ‘universo a motor aquecido’, esta relação próxima com os amantes da cultura de carros. Mas não é fácil ser um gerador de conteúdo (…). No entanto, eu enfatizo que o Motor Show hoje, é o que é, por conta de um universo de pessoas que contribuem, que se sentem em casa e aproveitam as edições. Não é só o Rafael. Passa pelos colaboradores, amigos, que deixam as atividades pessoais e vão nos ajudar, apoiar, os donos dos carros, os clubes automotivos, etc. São muitas histórias, desde casamento a cura de câncer. Todas essas pessoas agregam ao projeto. Somos todos nós. Um evento nunca se faz sozinho e eu sou extremamente grato a todos”, finalizou ao Banda B Classic Cars.