“Sensação de liberdade”. É desta forma que um casal catarinense radicado em Curitiba define a paixão por carros antigos, mais especificamente por um dos emblemáticos modelos da Ford: o Maverick. Deise e Sergio Goes, de 45 e 51 anos respectivamente, abriram as portas da garagem da casa em que vivem e apresentaram, além de histórias, os seus dois verdadeiros xodós à Banda B Classic Cars nesta terça-feira (25).

O casal, durante uma entrevista de aproximadamente 45 minutos, contou que pôde se dedicar à cultura automobilística somente a partir de 2013, com os filhos já crescidos. De origem humildade, dizem, cresceram em Santa Catarina, porém, por obra do destino, se conheceram em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, em 1991, há 31 anos.

Ao contrário de Sérgio, que teve uma breve passagem por umaoficina mecânica aos 12 anos de idade, Deise não possuía – até meados de 2013 – qualquer contato com carros antigos. “Minha família não tem memória automotiva alguma e meu pai nunca teve carro. O Sérgio já teve, mas nunca fomos muito ligados em carros por causa da nossa origem humildade”, afirmou Deise à Banda B Classic Cars.

Apesar disso, a vida do casal, que hoje se dedica também a colecionar histórias e saciar o forte desejo por adrenalina, tomou novos rumos. Segundo Deise, foi com a chegada da juventude dos dois filhos que ela e o marido se permitiram a realizar novos sonhos e fazer algo que os unissem ainda mais: viajar o Brasil afora.

“Como nossos filhos foram crescendo, sentimos que não havia mais necessidade de acompanhá-los tanto e resolvemos se voltar a algo que gostamos e nos une. Então, partimos para os Mavericks. Acabamos encontrando, trazendo a memória depois de eu ver um modelo circulando pelas ruas do [bairro] Bacacheri”, explicou ela.

A primeira filha do casal tinha apenas um ano de idade e estava sentada no banco traseiro de um carro quando Deise se deparou com um Maverick passando por ela naquele bairro da capital paranaense. “Voltei ‘pirada’ para casa e falei para o Sérgio: ‘Vi o carro mais lindo que já vi na vida. Quero ter um igual'”, relembrou.

O destino, porém, não demorou muito para presentar Sérgio e Deise. Mais do que isso: ele os surpreendeu com uma coincidência. Durante um evento ocorrido há alguns anos, ela relatou a um homem como surgiu seu interesse pelo modelo da Ford e descobriu algo inimaginável até então.

“Expliquei para ele que o meu primeiro contato com Maverick foi quando um carro da cor do dele passou por mim no bairro Bacacheri e acabei descobrindo que foi justamente o Maverick dele que passou por mim naquele dia”, revelou a empresária.

Foi em 2013, já com o primeiro Maverick na garagem, que o casal decidiu “cair” na estrada e viajar estradas dos mais diversos estados brasileiros, como São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul. Além disso, têm planos de visitar a região Nordeste.

Após isso, eles se permitiram ter um novo modelo: um GT 8 totalmente original e completo. Atualmente, cada um tem o seu carro.

“O meu carro é mais modificado, com uma pegada mais modernizada e estética, com ar-condicionado, bancos confortáveis e cinto de três pontos. O motor é um 302 com um stroker 347, e o carro é trabalhado no preto cromo. Além disso, não abrimos mão do carburador”, afirmou Deise.

Já o GT8 de Sérgio, afirmou ele, é de cor dourada, que, claro, chama a atenção de qualquer um. A filha deles, de 27 anos, tem um Fusca 1976 e o filho, de 24, tem uma motocicleta antiga.

Hoje, uma das atividades mais apreciadas pelos empresários é organizar roteiros de viagem e participar de eventos, principalmente na região Sul do país. “Ter carro antigo é uma questão de honra ir e voltar rodando”, brincou ela.

“A gente coloca um par de pneus cada um no porta-malas, vai pro Rio Grande do Sul, troca as rodas, mói nas arenas, desmonta tudo de novo e pegamos estrada”, disse ela, sobre os burnouts no “Sábado Bandido”, prática que consiste em manter o veículo parado e girar as rodas, fazendo com que o atrito com a estrada faça aquecer o pneu e “queimar”.

O burnout, de certa forma, tem relação com as corridas de arrancada e se tornou um tipo de competição e entretenimento, tendo como fatores principais o estilo e a atitude. A prática é popular na Austrália, mas ocorre com frequência também na América do Norte.

Atualmente, eles têm também uma Picape 1961, que recebeu caixa e motor de Maverick. De acordo com Deise, ainda é necessário realizar alguns ajustes no clássico.

Por fim, eles afirmam que têm “imensa imensa satisfação em poder ajudar e incentivar a todos que desejam encarrar a jornada de ter um antigo”.

“Assim como o carinho com as amizades e laços que vão surgindo nesse meio, é uma satisfação ter a família em um ambiente tão legal e inspirador que renova a memória antigomobilista brasileira, porque, com certeza, esses carros sobreviverão a nós, e deixaremos um legado para encantar as próximas gerações. Muito mais que carros, os antigos significam liberdade e amizade.”