“Não tenho medo de viajar”. A frase dita pelo agente marítimo Adriano Veiga, de 41 anos, define ou simboliza o anseio dele por aventuras. Proprietário de uma charmosa Kombi verde e um desejável Fusca, o curitibano revela que as estradas – e, claro, uma boa playlist – são suas fiéis companheiras.
Adriano nasceu em Curitiba (PR), mas foi em Rio Grande, a cerca de 350 quilômetros de Porto Alegre (RS), que criou raízes e passou a adolescência admirando os mais diversos modelos de carros no final da década de 90.


A história do operador portuário chegou à Banda B Classic Cars por meio de sua mãe, a jornalista Denise Veiga. “Ele ama carros antigos. Você tem que conhecer a história dele”, disse a jornalista à reportagem.
A relação de Adriano com carros já era evidente ao cinco anos de idade, conforme revelou à Banda B Classic Cars. Segundo ele, foi um tio que o fez se interessar pelo automobilismo.
“Sempre fui muito curioso, desde criança. Gostava de ficar em volta dos mais velhos. Eu tinha um tio entusiasta no meio e isso me atraia. Eu ia com ele a autopeças e, embora eu gostasse mais de Fusca, o fator que mais me motivou a ter este modelo foi o meu filho”, iniciou o curitibano.
Veiga afirmou que a introdução do filho, hoje com 11 anos, no universo dos carros, principalmente no nicho de antigos, tem um objetivo: “Mostrar pra ele que as coisas não são descartáveis”.
A Kombi (1988), apelidada de “Genoveva”, é o xodó do filho, diz. No entanto, o Fusca 1300 (1969), que se chama “Butuca”, já está na família há pelo menos nove anos. Ambos os clássicos da Volkswagen já caíram na estrada e enfrentaram várias aventuras.




Butuca, por exemplo, já esteve na Cordilheira dos Andes (Chile), a mais extensa cordilheira continental do globo terrestre, a qual contorna todo o lado ocidental do continente sul-americano. “Rodei 6 mil km com o Fusca até o Chile”, afirmou.
Além disso, o Fusca também já passou por Cajón del Maipo, um desfiladeiro localizado na porção sudeste andina da Região Metropolitana de Santiago, além do Uruguai e vários estados brasileiros.
“Agora, estou me preparando para viajar com a Kombi de Rio Grande até Minas Gerais. Depois, tenho planos de ir para a Patagônia”, contou.
As viagens, segundo ele, geralmente são feitas desacompanhadas. Porém, desta vez, ele dará carona a um amigo até São Paulo.
“A Kombi tem um conceito camper, diferentemente do motorhome”, acrescentou. As chamadas campervans comumente são customizadas para funcionar como um motorhome, contudo, com porte menor, e possuem camas e pequenas instalações de cozinha.




Sobre como são feitos os planejamentos antes de cair na estrada, Veiga destaca que seus veículos geralmente estão prontos para viajar. De acordo com ele, a manutenção de Butuca e Genoveva já virou costume.
“Sempre acabo fazendo uma revisão básica antes de viajar. Normalmente, vejo vidros, freios, direção, iluminação, balanceamento”, disse.
Em relação à viagem que pretende fazer até Minas Gerais, a cerca de 2 mil km da cidade onde mora, Adriano explicou que até fez um roteiro de viagem, mas evita realizar esse tipo de planejamento.
“Gosto de ter só a origem e o destino e ir montando [o roteiro] no caminho. Prefiro viajar só com a luz do dia e, para o trajeto de ida, estou me programando para dirigir entre dois e três dias.”
Questionado se tem medo de percorrer grandes distâncias ao ser relembrado do acidente de trânsito que matou o influenciador Jesse Koz, de 29 anos, e seu cão, o Shurastey, nos Estados Unidos, em 23 de maio, Adriano diz que não tem.
“Eu não tenho medo nenhum. A estrada me atrai muito. O Jesse foi uma pessoa inspiradora e aconteceu uma tragédia. O meu Fusca é a extensão da minha personalidade”, concluiu.
Agora, o sonho dele é percorrer as estradas com um clássico Karmann-Ghia e uma Kombi Corujinha.