Mário Buzian tinha apenas cinco anos de idade quando visitou pela primeira vez o Salão de Automóvel, a maior exposição da indústria automobilística do Brasil, em São Paulo. O ano de 1974, de certa forma, marcou a vida do então menino que se tornaria um prestigiado vendedor de carros anos mais tarde.

Hoje, aos 52 anos, o empresário, que mora em Ivoti (RS), relembra com carinho do convívio com o pai e os aprendizados adquiridos ao longo da vida. O pai, também chamado Mário, foi o responsável por apresentar o mundo automobilístico ao filho.

“Meu pai sempre gostou de carros e ele acabou colocando isso em mim. A partir do momento em que fui ao Salão de Automóvel, comecei a colecionar folhetos e vários outros impressos sobre carros. Tudo que eu encontrava, guardava”, disse Buzian, em entrevista à Banda B Classic Cars.

Enquanto a maioria das crianças estava interessada em ler gibis na década de 70, o menino prezava pela leitura de revistas e outros materiais especializados em carros. Um dos primeiros carros da família apareceu em 1973, um Fusca.

O olhar tímido de um menino que usa bermuda acima dos joelhos, camisa polo vermelha, meias até a canela – uma tendência durante os anos 70 –, e segura um urso de pelúcia chama a atenção de quem vê fotos em tom sépia de Mário em frente ao Fusca da família.

Aquela timidez, contudo, desaparece logo que outra fotografia é apresentada. O menino, com 4 anos à época, já esbanja um sorriso, ainda envolvendo o urso de pelúcia nos braços, enquanto ocupa o banco de motorista do clássico VW.

O Fusca que fez parte da vida da família Buzian, depois de um tempo, foi vendido. Não era apenas um carro indo embora, mas também o início, talvez, de uma profissão (ou andamento dela), já que o pai de Mário trabalhava no setor de vendas de carros.

“Meu pai comprou um Fusca, mas, depois de um tempo, o levou para vender na Feira do Anhembi. O carro foi vendido e ele já comprou um Fiat 147”, relembrou.

Apesar de trabalhar em uma multinacional, o chefe da família Buzian decidiu pedir demissão e se dedicar somente ao comércio da família, ainda em São Paulo, pois era o que mais lhe rendia lucros na época.

“O que ele ganhava no fim de semana com compra e venda de carros era bem maior do que o salário que tinha na empresa.”

Poucos anos depois, o pai decidiu criar uma sociedade com um amigo e abrir uma loja de carros na Zona Leste de São Paulo. A abertura do negócio traria, é claro, ensinamentos ao filho. O caminho seria aberto – e foi o que aconteceu.

“Eu sempre fui o avaliador dos carros que meu pai negociava, desde os 13 anos de idade. Eu tinha mais informações sobre os carros justamente porque gostava do assunto e lia muito”, disse ao relembrar a abdicação pelos gibis.

A sociedade entre os amigos tomou outro rumo depois de determinado tempo. Mário pai e Mário filho se tornariam os mais novos sócios do Jardim Ângela.

“Acabei comprando a parte da empresa que pertencia ao sócio do meu pai logo que fiz 18 anos e entrei na universidade. Comecei a negociar junto do meu pai”, prosseguiu.

Uma foto apresentada à Banda B Classic Cars mostra o jovem encostado em seu primeiro carro no dia em que completou 18 anos: um VW TL 1600 (1971). O veículo, branco lótus, foi escolhido por ele, já que era um presente prometido por ter ingressado em um curso superior.

Foto: Arquivo pessoal

Pai e filho chegaram a viajar por todas as regiões do Brasil por conta da profissão que se tornou também um hobby. As viagens ao Nordeste eram as preferidas, conta Buzian.

Contudo, estava na hora de o jovem ter novas experiências, segundo afirmou o pai dele à época.

“Meu pai chegou em mim e disse que eu precisava ter outra experiência profissional além de ter somente meu próprio negócio. Em 1996, acabei conseguindo um emprego de operador de crédito em uma instituição financeira e comecei a ofertar financiamento de carros”, destacou ele.

O tempo passou, mas os carros continuavam fazendo parte da vida do jovem, que, anos mais tarde, criaria o “Traga o Guincho“, uma loja online dedicada à venda de carros clássicos. Se engana, porém, quem associa o guincho a algo ruim, conforme explica ele.

“O Traga o Guincho nasceu com inspiração no Bring a Trailer, um site que se dedica a fazer leilões de carros clássicos nos EUA. O pessoal até brincava comigo dizendo: ‘O carro é tão ruim assim que tem que trazer o guincho pra levar’. Eu respondia: ‘Não, o carro é tão bom que, se não trazer o guincho, outro traz e você perde'”.

Hoje, com quase 50 mil seguidores no Instagram e outros 23 mil no Facebook, o Traga o Guincho reflete o sucesso de Mário Buzian no ramo automobilístico. Isso fica ainda mais evidente quando o empresário afirma que vendeu 300 veículos em 2021, e mais de 3.000 ao longo da existência da plataforma digital.

O curso superior, de publicidade e propaganda, ajudou Mário a se destacar no mercado, é verdade. No entanto, a persistência e os ensinamentos do pai foram um dos propulsores que o fizeram chegar até aqui.

Técnicas de venda são o forte de Mário, mas a paixão pelo ramo fala mais alto.

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