Monikeli Wippel da Silva, filha de Ercilia Maria Wippel da Silva, está revoltada com a liberdade do motorista que provocou a morte da mãe dela em um acidente, na madrugada deste sábado (10), na rua Professor Pedro Viriato Parigot de Souza, no bairro Mossunguê, em Curitiba. A jovem conversou com o repórter Cristiano Vaz da Banda B, neste domingo (11), durante o velório da cozinheira.

“É muito difícil falar qualquer coisa. É difícil entender e organizar os sentimentos neste momento, mas é muita tristeza, porque é uma pessoa que a gente ama que não volta”, disse.
Ercilia, de 51 anos, foi atropelada por um Volkswagen Polo quando estava a caminho do trabalho. A vítima estava acompanhada do marido, que viu tudo e não teve como salvá-la.
Câmeras de segurança registraram o acidente. Nelas, é possível ver que um primeiro carro passa, e em seguida vem o Polo. O motorista atinge Ercília, que é arremessada. Antes de parar, o carro ainda passa por cima do corpo da mulher.
Logo atrás vem o marido da vítima, com as mãos na cabeça, desesperado. As imagens, fortes, vão ajudar a Polícia Civil a entender a dinâmica do acidente.
O motorista, de 19 anos, ficou no local e prestou socorro. Segundo a polícia, ele se recusou a fazer o bafômetro e, mesmo assim, não foi preso.
Por conta da recusa em fazer o bafômetro, o motorista recebeu uma infração gravíssima, com multa de R$ 2.934,70 e a suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
“Ele se recusou a fazer o teste. Um ponto que eu penso que na lei está muito falha. Como que a pessoa atropela alguém e esse alguém vem a se tornar uma vítima fatal, e o motorista tem a opção de fazer ou não o bafômetro? É uma brecha da lei que não tem que existir. A pessoa vai para delegacia, paga um valor que para ela é nada e depois é solta. A vida da minha mãe custou dois salários mínimos. Não se compara. Alguém que em nenhum momento tentou contato para oferecer um apoio. É muita revolta. A gente não vai deixar isso do jeito que está. Queremos a justiça. A pessoa pagou o valor na delegacia e foi pra casa, já a minha mãe nunca mais vai voltar”, lamentou.
O corpo de Ercília foi sepultado na tarde deste domingo em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba.