Dirigir sob efeito de álcool é crime no Brasil e pode gerar multa, detenção de seis meses a quatro anos e suspensão da carteira de habilitação. Apesar dos riscos, dados do Ministério da Saúde apontam que até 10% dos homens brasileiros admitem beber e dirigir. Diante desse cenário, a Lei Seca entrou em vigor em 2008 com o objetivo de aumentar a segurança no trânsito e reduzir acidentes e mortes provocados por motoristas alcoolizados.

Motorista segura uma garrafa de cerveja enquanto dirige, ilustrando o risco de beber e dirigir, prática proibida pela Lei Seca no Brasil.
Beber antes de assumir o volante aumenta o risco de acidentes e pode levar a punições previstas na Lei Seca no Brasil – Foto: Ilustração/Freepik

Nesse contexto, dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) apontam que o cenário é alarmante: 204 pessoas morreram em acidentes nas rodovias federais entre janeiro e novembro de 2025 devido a ocorrências envolvendo motoristas sob efeito de álcool. O número representa um aumento de 14,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.

OcorrênciasJaneiro a novembro de 2024Janeiro a novembro de 2025
Acidentes envolvendo motoristas sob efeito de álcool3.5073.355
Mortes em acidentes envolvendo motoristas sob efeito de álcool178204

Fonte: PRF

Como o álcool afeta o corpo?

De acordo com o médico Filipe Bazoti, dirigir sob efeito de álcool é perigoso principalmente pelo efeito do etanol no corpo humano. A substância afeta diversas partes do metabolismo do cérebro, como o córtex pré-frontal, responsável pelo controle de impulsos e tomada de decisões. Vale acrescentar que a bebida pode deixar a visão turva, reduzir o campo periférico de visão e, consequentemente, tornar a pessoa mais sensível à luz.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que não existe nível seguro para o consumo de álcool. O órgão considera como dose padrão o equivalente a 10 gramas de etanol puro e orienta que homens e mulheres não ultrapassem duas doses diárias.

Pesquisa desenvolvida pelo instituto Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica) a pedido do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA) aponta que a maioria dos brasileiros desconhece o que é “beber com moderação”.

Segundo o CISA, a Lei Seca contribuiu para reduzir em 32% as mortes em acidentes de trânsito envolvendo álcool, considerando o período de 2010 a 2021.

A Lei Seca permite alguma tolerância?

A Lei Seca estabelece tolerância zero para quem dirige sob efeito de álcool. No teste do bafômetro — aparelho que mede a concentração de álcool no organismo — o motorista já é autuado a partir de 0,04 mg/L. Esse índice é considerado a margem de erro do equipamento, o que significa, na prática, que não é permitido consumir qualquer quantidade de bebida alcoólica antes de assumir o volante.

O que acontece se o motorista se recusar a fazer o bafômetro?

Motoristas que dirigem sob o efeito do álcool não “se safam” caso optem por recusar o teste do bafômetro. A recusa gera consequências administrativas equivalentes a dirigir alcoolizado. Na prática, segundo o Código de Transito Brasileiro (CTB), isso significa:

  • Multa gravíssima, no valor de R$ 2.934,70 (dez vezes o valor base), podendo dobrar em caso de reincidência no período de 12 meses;
  • Suspensão do direito de dirigir por 12 meses;
  • Recolhimento da Carteira Nacional de Habilitação (CNH);
  • Retenção do veículo, até que outro condutor habilitado e em condições legais possa assumir a direção.

Existe um tempo seguro para dirigir após beber?

A recomendação da PRF é que condutores aguardem ao menos 12 horas após a ingestão de álcool antes de dirigir. O tempo varia de acordo com a quantidade e o tipo de bebida alcoólica consumida.

Quantas horas o corpo leva para eliminar o álcool?

O médico Bazoti afirma que o organismo metaboliza, em média, entre 0,1 e 0,15 grama de álcool por litro de sangue (g/L) a cada hora.. Considerando que uma dose padrão — como uma lata de cerveja de 350 ml ou uma taça de vinho de 140 ml — contém entre 10 e 14 gramas de etanol, uma pessoa saudável com cerca de 70 quilos pode levar até duas horas para metabolizar completamente essa quantidade de álcool.

Mãos de várias pessoas seguram copos de cerveja durante um encontro social, em cena que remete ao hábito de beber em grupo.
Beber uma lata de cerveja pode fazer com que o álcool permaneça no organismo por até duas horas antes de ser completamente metabolizado – Foto: Ilustração/Freepik

Mesmo após a eliminação do álcool do organismo, efeitos residuais podem continuar comprometendo a capacidade de dirigir. Motoristas em estado de ressaca ainda podem apresentar sonolência ao volante, desidratação, queda de atenção e até episódios de hipoglicemia reacional, fatores que reduzem reflexos e aumentam o risco de acidentes.

Café, banho frio ou ‘dormir um pouco’ aceleram a eliminação do álcool?

O médico relembra que não há maneiras de desintoxicar o corpo da bebida alcoólica mais rapidamente. Tomar banho gelado, beber café, realizar exercício físico, ingerir glicose ou tomar “remédios para o fígado” não cortam o efeito do álcool.

“Pode até haver alívio sintomático, mas a velocidade de degradação do etanol vai permanecer a mesma”, explicou.

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