Foto: Reprodução

23 de dezembro era uma das datas favoritas de Rose Mari Carriel de Lima. A professora comemorava nesse dia o aniversário do filho mais velho, Robson Eduardo Carriel de Lima, que completou 21 anos naquela terça-feira ensolarada de 2008.

Durante a tarde, a família Carriel reuniu-se na casa da namorada de Robson para comer o bolo comprado por ele. Após a comemoração, Rose deu ao filho uma pulseira de presente. “Eu expliquei que não poderia dar nada caro, e ele simplesmente me agradeceu e fomos abraçados de volta para a nossa casa”, conta.

À noite, Robson participaria de uma segunda comemoração, dessa vez com os amigos mais próximos. “Antes dele sair, pedi para ele ficar em casa. Eu estava com uma sensação ruim. Ele me acalmou e disse que voltaria logo para não me preocupar. Esse era o Robson”, relembra a mãe.

Robson na infância – (Foto: Arquivo Pessoal)

Rose Mari também não ficaria em casa. Ela trabalhava há pouco tempo em um hotel no turno da noite, com o objetivo de mudar de profissão e melhorar a renda da família. Preocupada, entre as suas atividades rotineiras, ela enviava mensagens de celular para o filho a cada hora, questionando se ele já havia voltado da festa.

“Mandei uma mensagem 1h da manhã. Ele me disse que já estava indo para casa. Tentei falar com ele novamente às 2h. Não consegui. Uma hora depois, também não. Meu coração começou a ficar apertado”, relembra Rose Mari.

Por volta das 5h, Rose recebe uma ligação, pedindo para voltar para casa. Robson havia morrido em um acidente de trânsito.

O acidente

A segunda comemoração do aniversário de Robson aconteceu em uma praça próxima à casa da família Carriel. No meio da madrugada, o grupo decidiu dar uma volta de carro na região do Guabirotuba. “Meu filho não queria ir. O motorista havia bebido muito, após ter discutido com a namorada. Ele quase não entrou naquele carro. Mas o Robson era muito bom, nunca dizia não para ninguém”, diz.

Robson foi o último dos três passageiros a entrar no veículo. Por volta das 2h, o Chevette em alta velocidade começou a perder contato com a pista, quando passava pelo viaduto da Linha Verde. Desgovernado, o carro caiu de uma altura de 17 metros. Robson morreu na hora. Fábio, outro passageiro, ficou meses no hospital e hoje está paraplégico.

O carro após o acidente – (Foto: Arquivo Pessoal)

Na época, as autoridades acreditavam que Robson seria o motorista responsável pela tragédia, mas Rose discorda. “Meu filho não tinha carteira de motorista, nunca dirigiu um carro. Ele só andava de bicicleta. O motorista nunca admitiu a culpa.Jogou tudo para o meu filho”, aponta.

Sonhos destruídos

“Depois do acidente, não tive mais sonhos. Eles foram destruídos. Todos eles eram com o meu filho. Ele se casaria em fevereiro de 2009. Eu já sonhava com os netos que ele e a namorada me dariam. É uma história de vida interrompida”, reflete a mãe.

Robson era o filho mais velho de Rose Mari – (Foto: Arquivo Pessoal)

Hoje, ela procura trazer um aprendizado do que aconteceu com o filho. Desde 2011, Rose Mari trabalha no Iptran – Instituto Paz no Trânsito, que auxiliar parentes e vítimas de acidentes semelhantes ao que vitimaram seu filho. “É um trabalho difícil, mas que ajuda muitas pessoas”, afirma.

“Meu filho tinha um futuro pela frente, uma família para construir, mas isso foi tirado dele. Foi tirado de mim. Acho que esse trabalho que eu faço hoje o deixaria muito orgulhoso”, reflete Rose Mari.

Imprudência e álcool

De acordo com o delegado-titular da Delegacia de Delitos de Trânsito (Dedetran) Vinícius de Carvalho, casos com o de Robson são muito comuns. “É recorrente que encontremos situações em que o motorista embriagado insistiu em pegar o volante, causando uma tragédia”, diz.

A embriaguez, seguida da alta velocidade, é o segundo maior motivo de acidentes de trânsito em Curitiba. “Em média, todos os dias o Dedetran autua 4 pessoas por embriaguez ao volante. Se tivéssemos condições de aumentar a fiscalização, esse número seguramente seria maior”, afirma o delegado.

Segundo os dados colhidos pelo Dedetran em casos como esse, a versão de Rose sobre quem estaria dirigindo o Chevette faz sentido. “Pela nossa experiência, em acidentes deste tipo, o perigo maior é geralmente para os passageiros. O motorista tende a proteger o seu lado ao sofrer um acidente. É o instinto natural humano”, revela.

O delegado afirma que algumas simples ações podem evitar e prevenir acidentes que envolvam álcool e a direção automotiva. “Não entre no carro se o motorista bêbado insistir em tomar o volante Se estiver em uma festa, aconselhe a pessoa a parar de beber. Compre uma água, espere a embriaguez passar. São atitudes pequenas, mas que podem fazer uma grande diferença no trânsito”, acrescenta.

Assista ao depoimento emocionante de Rose Mari:

Confira a reportagem veiculada na Rádio Banda B no dia 26/11: