(Foto: Reprodução)

Marta da Cruz carrega dentro de si uma dor que não é possível descrever. Mãe protetora, criou seus três filhos com amor e extremo cuidado, até o ponto de ser chamada de “coruja” por familiares e amigos.

Como tantas mães, acordava cedo, fazia o café da manhã para o marido e ia para o trabalho, na Câmara Municipal de São José dos Pinhais. O filho mais velho, Luiz Eduardo Fonseca, muito apegado à mãe, sempre sonhou ser caminhoneiro, seguindo assim uma tradição da família de Marta.

“Minha família tem vários motoristas de caminhão, acredito que ele tenha sido muito influenciado por isso”, conta. “Ele sempre gostou desde criança. Então, com vinte e um anos, ele já era caminhoneiro e fazia entregas pelo Brasil”, relembra, orgulhosa.

Mas a paixão de Luiz Eduardo acabou na madrugada do dia 6 de outubro de 2010.

O acidente

Luiz Eduardo morreu em grave acidente (Foto: Arquivo Pessoal)

Próximo da meia-noite, Luiz Eduardo telefonou para a casa dos pais. “Ele gritava pedindo socorro enquanto falava com a gente pelo telefone”, conta Marta, emocionada, oito anos após o acidente.

O caminhão do filho havia batido contra uma carreta no km 493 da Rodovia Régis Bittencourt, na altura da cidade de Cajati, em São Paulo. O motorista do outro veículo, em alta velocidade, atingiu a lateral esquerda do caminhão de Luiz, fazendo com que ambos saíssem da pista. Com o choque, a perna do caminhoneiro ficou presa nas ferragens. Isso impediu que Luiz Eduardo fugisse do fogo, que começava a se espalhar pelo veículo.

O impacto do acidente também fez com que a esposa e o filho pequeno, que viajavam com ele, fossem arremessados para fora do veículo. Do lado de dentro, Luiz Eduardo conseguiu pegar o celular e gritar por ajuda. “Ele dizia que iria morrer. Eu tentava acalmá-lo, mas meu filho tinha certeza de que não sairia vivo do caminhão”, relembra a mãe..

(Foto: Arquivo Pessoal)

Sem assistência e com a fuga do responsável pelo acidente, o caminhoneiro ainda conseguiu pedir ajuda para um homem, que parou para ver o que tinha acontecido. “Segundo testemunhas, meu filho pedia para esse homem, que era médico, para cortar a sua perna, para que ele pudesse fugir do incêndio. Mas ele não quis se comprometer”, afirma Marta.

O socorro dos bombeiros chegou apenas 40 minutos após o acidente. Luiz já estava morto. O corpo ficou completamente carbonizado. “Quando chegamos no local do acidente, eu não sabia que ele tinha morrido. O caminhão estava completamente queimado. Encontramos a minha nora e o meu netinho salvos, então descobri o que tinha acontecido”, afirma.

Estradas mortais

De acordo com recente levantamento da Polícia Rodoviária Federal, somente em 2017 as rodovias brasileiras foram palco de 89.318 acidentes graves. Cerca de 6 mil pessoas morreram e 83 mil ficaram feridas em todo o país. No cenário nacional, o Paraná é segundo estado com mais ocorrências (10.645 acidentes), sendo que 2.552 dessas colisões envolveram caminhões. Foram 80 mortes nos últimos doze meses no estado.

“Em razão da extensão da rodovia e da localização do Porto de Paranaguá e da refinaria em Araucária, as estradas do Paraná (principalmente aquelas em direção à São Paulo) possuem grande fluxo de caminhões, o que aumenta a chance de acidentes deste tipo”, afirmou policial rodoviário federal, Luiz Carlos Maciel Júnior.

De acordo a PRF, quatro são as maiores causas de acidentes nas rodovias do estado:
– alta velocidade
– desrespeito à distância segura entre o caminhão e o veículo da frente
– defeito mecânico
– e, principalmente, falta de atenção dos motoristas.

Talvez, a causa que pode ter provocado o acidente que tirou a vida de Luiz Eduardo.

“Essa falta de atenção pode se dar por descuido ocasional ou devido às grandes distâncias percorridas pelos motoristas, que acabam utilizando drogas, como a cocaína, para permanecer acordados. Essa é uma prática muito perigosa”, acrescenta.

A vida que ainda segue

O tempo e a união da família ajudaram Marta a conviver com a saudade e o sentimento de injustiça. Hoje, além de lutar na justiça contra os responsáveis por causa da demora no socorro, ela conta sua história para conscientizar o maior número possível de pessoas. Tudo para a tragédia que atingiu sua família não se repita com mais ninguém.

Assista ao depoimento emocionante de Marta, a mãe de Luiz Eduardo:

Confira a reportagem veiculada na Rádio Banda B no dia 12/11: