A mãe do alpinista industrial Mayk Gustavo Ribeiro da Silva, de 27 anos, disse que pediu para o filho não trabalhar mais com altura após ele escapar da morte ao ter a corda que o sustentava cortada pelo empresário Raul Pelegrin enquanto fazia a limpeza da fachada de um prédio. Marisa Ribeiro, de 53 anos, disse que só não imaginava que o filho fosse morrer em um acidente de moto um ano e três meses depois.

Mayk morreu, na madrugada desta sexta-feira (20), ao bater a moto que pilotava contra um poste na Rua André Ferreira Barbosa, no bairro Pinheirinho, em Curitiba.
Ainda anestesiada, a cozinheira conversou com a reportagem no Instituto Médico Legal de Curitiba (IML), enquanto aguardava a liberação do corpo do filho para levar para Santos, no litoral de São Paulo.
“Eu tinha pedido para ele não trabalhar mais em altura. Mas de que adiantou se a arma foi a moto? Estava com ela na mão […] Não era a hora dele aquela vez, porque do nada ele sofrer esse acidente”, disse.
A mãe não acredita que o filho tenha perdido o controle da moto sozinho.
“Alguém bateu nele, empurrou, e ele bateu no poste. Foi uma pancada muito forte. Saiu correndo e não acudiu. Vou tentar puxar as câmeras”, afirmou.
Segundo ela, Mayk ainda estava se recuperando do susto após a situação do ano passado. A mãe relatou que, mesmo morando longe, falava com o filho com frequência.
“Ele era carinhoso, mas meio fechadão. Ele não era muito de se abrir. Gostava muito de pescar”, lembrou.
Relembre o caso
Em março do ano passado, enquanto trabalhava a 18 metros de altura limpando a fachada de um prédio no bairro Água Verde, Mayk teve a corda que o segurava cortada pelo empresário Raul Pelegrin, de 41 anos. O trabalhador só não caiu porque um dispositivo de segurança o sustentou.
Na época, o Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou o empresário por tentativa de homicídio. Conforme o documento, Mayk fazia a limpeza externa no 6º andar preso por uma corda amarrada no telhado do prédio. O empresário, que morava na cobertura do edifício, no 27º andar, cortou a corda com uma faca.
Pelegrin foi preso em flagrante após o crime. O empresário morreu no dia 5 de abril, enquanto estava internado para tratar um quadro de pneumonia, doença que teria contribuído para o falecimento dele. Na ocasião, a defesa disse que ele foi espancado dentro de uma das celas da Casa de Custódia de Piraquara horas antes de morrer.